Artigos: Carretilhas - Fazendo algumas adaptações
 
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Carretilhas - Fazendo algumas adaptações

Ainda que pouco utilizada pelos mergulhadores em geral, a carretilha está ganhando seu espaço no mergulho, tanto no técnico, quanto no recreacional, devido as diversas possibilidades de uso.

Atualmente existem diversos modelos e tipos de carretilhas, onde algumas são fabricadas no Brasil, com excelente qualidade, não perdendo em nada para as importadas.

Decidi escrever este pequeno artigo, pois notei que 3 dos 12 mergulhadores presentes em uma operação com mergulhadores recreacionais, possuíam o mesmo modelo de carretilha, e conversando com eles, cheguei a mostrar alguns detalhes deste modelo, onde cada um deles poderiam realizar algumas modificações, e melhorar a princípio, o desempenho da mesma.

Para a realização destas modificações, você necessitará dos seguintes itens:

- 01 caixa de Durepoxi
- 01 serra que corte alumínio
- 01 lixa
- 01 bolinha
- 01 morsa
- 01 caneta Pilot de marcação

Com exceção da bolinha (bolinha preta na foto) que é encontrada em casas de artigos de roupas, os demais itens podem ser adquiridos em casa de ferragens.

 

Iniciando as modificações

Estas modificações visam diminuir a possibilidade de enrosco do cabo na própria carretilha, tornando-a mais simples de manuseá-la. Basicamente, são 5 (cinco) modificações a serem feitas, conforme mostram as fotos 1 e 2.

1º passo
Podemos iniciar serrando o manete da carretilha, removendo a curva na sua extremidade, conforme mostra a foto 3. Removendo esta curvatura, você conseguirá ganhar mais espaço interno da mesma.

Após a remoção da curvatura, verifique se o parafuso que prende o carretel ao corpo está bem ajustado, e serre-o de forma que, a cabeça de plástico deste parafuso, seja destacada. Veja o exemplo de como irá ficar na foto 3.

2º passo
Com a retirada da cabeça do parafuso e para não existir a possibilidade da parte que ficara se desprenda do corpo da carretilha, pegue uma pequena quantidade de Durepoxi, e coloque sobre a outra extremidade, evitando assim, que este parafuso fique frouxo. Vide foto 4.

3º passo
O corpo da carretilha possui uma pequena parte que pode ser removida, e facilitará o desembaraço do cabo, caso isto ocorra embaixo d'água. Para remover este pequeno pedaço, basta serrá-lo. Veja a foto 5.

Serre também, o pino de giro do carretel, que neste modelo, é o pino na cor preta, onde o mergulhador segura e roda o carretel para enrolar o cabo. O tamanho original ao meu ver, é muito grande, sendo desnecessário toda essa altura. Veja a foto 5.

4º passo
Pegue a bolinha adquirida em casas de artigos para roupas, faça um furo no centro da mesma. Passe o cabo do carretel pelo interior do furo, fazendo um nó logo depois. Esta bolinha evitará que o cabo saia do direcionador de cabo da carretilha. Vide foto 6.

5º passo
Passe a lixa em todas as extremidades para que as partes pontiagudas fiquem lisas, sem a possibilidade de arranhar a mão do mergulhador ou até mesmo, cortá-la.

6º passo
Com a caneta de marcação, escreva quantas vezes for possível o seu nome. Se você utiliza esta carretilha em cavernas, isto evitará que ao retornar para retirá-la, você tenha dúvidas. Na Flórida por exemplo, algumas cavernas são verdadeiros queijos suíços, e ao retornarmos, podemos encontrar 5 ou 6 carretilhas amarradas em um mesmo local, deixadas por outros grupos de mergulhadores. Imagine que você fique em dúvida em saber qual delas é a sua. Isso é inadmissível e você tem a obrigação de ter suas carretilhas e spools marcados.

 

Resultado final

Configurações de equipamentos e adaptações são pessoais e regras ou pessoas nunca estarão 100% certas em suas afirmações, mas convém sempre fazer uma avaliação do resultado final e chegar à uma conclusão se o que se propõe, será vantajoso ou não para si.

No texto mencionado acima, coloco algumas informações que podem trazer um bom resultado, mas é uma decisão pessoal.

Particularmente acredito que estas modificações trarão mais facilidade no manuseio e menor possibilidade de enrosco do cabo.

Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4

Foto 5

Foto 6

Resultado final

 

Colaboração:
Eduardo Davidovich


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 sendo certificado pela CMAS. Atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, realizando diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR pela IANTD, e Juiz AIDA Internacional.

Consultor em TI, é o idealizador do site Brasil Mergulho criado no ano de 1998. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, foi consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU e UNESCO, e integrante do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS.

Atuou em reportagens para revistas, documentários e matérias para TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Com a experiência adquirida, criou também a empresa Brasil Mergulho Produções, destinada a produção de vídeos e documentários subaquáticos.

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