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Xingú - Uma experiência diferente
Há aproximadamente quatro anos visito regularmente as áreas indígenas do
Brasil, seja para visitar, seja para desenvolver projetos ou para exercer minha
profissão, ambientalista.
Em 2002 recebi um telefonema de um grande amigo índio, Macupa Kaiabi, direto
da floresta, onde ele veio com uma pergunta um tanto estranha:
Precisava saber se seria possível mergulhar no rio Xingú, quanto custaria e
se eu mesmo poderia fazê-lo. Em um primeiro momento achei que se tratava de uma
brincadeira, porém, percebi que o negócio era seríssimo. Então disse-lhe que
sim, que seria possível o mergulho e quis saber qual seria a razão. Disse-me
que na semana anterior, havia afundado umaembarcação de uma comunidade (Trumai)
e que eles precisavam de um mergulhador experiente e com coragem para localizar
e retirar do fundo o barco perdido.
De imediato falei que eu poderia realizar os
mergulhos, porém, que necessitaria de uns dias para organizar a expedição,
equipe e todo equipamento necessário para a empreitada.
Seria uma viagem longa e haveria a necessidade de estar presente na floresta
por aproximadamente 30 dias em busca do barco, devido a falta de infraestrutura
e suporte. Além disso, não poderia levar outro mergulhador, pois as autorizações
oficiais e espirituais (dos Pajés) se restringiam a mim. Com isso retornei a
ligação a Macupa e disse-lhe que não cobraria nada, pois o custo de uma
expedição ficaria proibitivo para as comunidades, e com isso, comecei a
organizar a viagem.
Em São Paulo conversei com vários amigos e colegas, explicando sobre a urgência
da ação e também quanto as dificuldades que enfrentaria, mas com alguns anos
no mercado, acabei encontrando alguns parceiros dispostos a colaborar,
destacando-se Maurício, que vim a saber depois, ser um grande admirador da
cultura antiga brasileira e quem mais apoiou com os equipamentos que faltavam.
Partindo para o local
Após um longo mês de planejamento, enfim, parti para a floresta, e para
encurtar um pouco, já que aqui não estou tratando de resgate e sim de lixo,
encontrei os barcos, sim os barcos, pois quando cheguei no parque fiquei sabendo
que haviam outros naufrágios. Na ocasião, acabei resgatando três e hoje,
todos voltaram a navegar nas águas belíssimas do rio Xingú e seus afluentes.
Estava selada uma grande amizade mútua com os povos da floresta e se abria
um campo ainda inexplorado naquela região. Para não perder o contato com
aqueles povos, e aquela floresta, iniciei um trabalho de comercialização justa
de artesanatos, pois isso custeia minhas viagens e posso estar sempre em contato
e dando apoio, com meus conhecimentos e também com minha profissão as populações
que visito, e através de meus retornos constantes as áreas indígenas e após
inúmeros mergulhos na região, começei a perceber que havia algo fora do seu
lugar de origem... E algo muito grave...
Há uma grande presença de lixo, como pilhas, latas, plásticos, restos de
utensílios médicos, dentre outros, jogados no fundo dos rios. A grande
quantidade já afeta o ecossistema daquela região preservada.
Em conversas com lideranças, alertei para o fato e isso os deixou muito
preocupados, e não tinham idéia do mal que uma simples pilha pode trazer (que
naquela região significa algo como: comunicação com o mundo exterior, ou a
luz da lanterna ou então do aparelho médico que salva vidas) e também de
outros lixos que estavam contribuindo com o aumento da poluição dos rios
locais.
Culturalmente, a ligação desses povos com os rios é muito forte, tanto que
inúmeras vezes assisti a rituais antes de entrar nas águas, já que estaria
visitando áreas sagradas. Juntamente com as comunidades e lideranças,
decidimos que era chegada a hora de ações emergenciais e começamos a buscar
apoio e ao mesmo tempo, em outras aldeias.
Renovando os rios
Foram eram recolhidas diversas pilhas, e por parte de educadores indígenas e
agentes de saúde, iniciou-se um ciclo de reuniões em torno deste assunto grave
No ano de 2004 consegui capital necessário para o início dessas ações em
conjunto com as comunidades, e em minha ultima expedição, conseguimos retirar
do Parque indígena do Xingú, 40 sacos com pilhas, que foram recolhidas pelos
agentes indígenas de saneamento.
Foram mais de 20 mergulhos para retirada de lixo, ao mesmo tempo em que as ações
de educação ambiental eram realizadas com as crianças e agentes responsáveis.
Retornando a cidade, definimos diversas ações que eram necessárias para a
limpeza do parque, principalmente, devido ao do lixo que se encontra no fundo do
rio.
Buscando um patrocínio e a preservação
Com o apoio das lideranças, buscamos agora o apoio financeiro necessário
para a limpeza, mostrando a toda a sociedade que é possível limpar o planeta,
salvando-o de nossos rejeitos, e exigir das indústrias, um pouco mais de
compromisso com o meio ambiente, e assim deixar para que as gerações futuras sigam
o exemplo.
Aqueles que se interessarem pelo projeto, podem entrar em contato comigo
através dos telefones (11) 4413-4554 ou (11) 8104 7637. Se preferir, também
pelo e-mail: babudiver@hotmail.com.
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