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Bússolas – Que modelo posso comprar para usar no meu país ?

Este é um assunto que raramente escutamos alguém comentar nos fóruns de mergulho e nos cursos em geral. Muito provavelmente pelo desconhecimento.

Como todos sabemos, a bússola foi inventada pelos chineses e é composta por uma agulha ou indicador magnético suspenso na horizontal pelo centro de gravidade, indicando a direção dos pólos.

No mergulho, é um equipamento muito utilizado por mergulhadores avançados e preocupados com as direções a serem tomadas embaixo d’água.

Até aí tudo bem, todo mundo já sabe, mas um ponto em que muito provavelmente ninguém observa, é se realmente o modelo desejado é apropriado para a área em que a mesma estará sendo utilizada.

 

Planeta Terra x Campos Magnéticos

As diferentes zonas de magnetismo do nosso planeta se dão em função da geologia da Terra. Os metais não estão "distribuídos" organizadamente ou homogeneamente no leito da Terra. Isso faz com que diferentes áreas geográficas tenham uma concentração de metais diferentes de outras áreas.

Tais diferenças entre metais em diferentes áreas, fazem com que as linhas de magnetismo corram não exatamente "organizadas" pelo planeta, gerando desvios onde a concentração de metais ferrosos for "anormal" ou diferente do padrão. Resumindo... um campo magnético é a influência de cargas elétricas em movimento.

Isso origina áreas onde o magnetismo, o "norte da agulha", seja um pouco diferente das outras áreas. Ou seja, a bússola indicaria uma direção diferente ou "errada" como sendo o norte magnético. Por esse motivo, foram definidas áreas com o "norte" específico. São chamadas de Zonas Magnéticas do Planeta.

Quando uma bússola é fabricada, ela recebe uma calibragem, ou digamos, uma forma diferenciada durante a sua construção, para atuar corretamente perante uma determinada área sob a incidência X de um campo magnético.

No português claro... os cientistas dividiram nosso planeta em cinco diferentes áreas sob os efeitos magnéticos que incidem diretamente em nós, e se você adquire uma bússola fabricada para atuar em uma área 1 ou 2, por exemplo, ela não irá trabalhar corretamente nas áreas 4 ou 5.

Não é incomum encontrarmos mergulhadores com equipamentos adquiridos no exterior cuja bússola está quase sempre com seu indicador arredondado interno virado de lado ou prendendo durante o movimento do mergulhador embaixo d'água. Infelizmente não há solução para isso, à não ser é claro, usá-la na área para qual foi fabricada.

Por esta razão, a Suunto, fabricantes de equipamentos de mergulho da Finlândia, criou um projeto onde passou a ser possível fabricar bússolas de forma que consigam atuar corretamente nas cinco zonas magnéticas. Não sei dizer se os demais fabricantes já produzem suas bússolas com este sistema, mas devemos ficar em alerta quanto ao detalhe acima na hora da compra de um equipamento desses.

O Brasil está na área três (3) e a bússola para funcionar de forma correta, deverá ter a capacidade de atuação neste área.

 

Bússola apresentando desnível

 


Bússola apresentando desnível

 


Delimitação de áreas



Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS, sendo uma das referências do mergulho no Brasil.

Foi um dos primeiros Dive Masters formados pela PADI no Brasil (1990). É mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998, foi consultor técnico sobre mergulho no Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, relacionando todo o histórico dos esportes no Brasil, e consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU / UNESCO. É juiz internacional AIDA e integrou a expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008.

Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 25 países, atuando em reportagens para revistas e TV's. Com a experiência adquirida ao longo dos anos, criou a empresa Brasil Mergulho Produções, destinadas a produção de imagens náuticas e subaquáticas.

Foi o responsável pela integração de sistemas tributários entre a Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de Janeiro e a Receita Federal, além de ter sido um dos responsáveis pelo SINTEGRA, para troca de informações fiscais entre Estados.

 



Veja também:

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