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Minha primeira caixa estanque – A água não entra mesmo ?
Essa é a dúvida que todo mergulhador acaba tendo ao comprar uma caixa
estanque e pensando em usá-la pela primeira vez. Afinal, sabemos que nenhum
equipamento eletrônico irá aguentar qualquer inundação que venha ocorrer.
Conversando no fórum Dive-Net,
algumas pessoas comentavam sobre a possibilidade de realização de um teste da
caixa estanque antes de utilizá-la com a câmera.
Alguns acham bobagem, outros como eu, acreditam que um teste prévio seja de
grande valia, afinal de contas, já presenciei uma caixa estanque importada e de
um fabricante reconhecido no mercado, permitir a entrada de água logo no
primeiro mergulho de um amigo meu. Nesse caso, não houve falha dele durante o
fechamento da caixa, pois além de eu mesmo ter acompanhado o processo de
montagem da câmera na caixa, ele é um profissional do ramo.
Outro detalhe importante, é que as caixas estanques, principalmente os
modelos fabricados em plástico e em larga produção pela Sony e Canon, são
testadas por amostragem e não uma à uma como seria o ideal, e a possibilidade
de um erro durante a fabricação destas é possível passar e chegar a ser
vendida aos fotógrafos.
De fato, descer com uma caixa estanque vazia como um teste, pode ajudar na
segurança de sua câmera e não custa nada fazer isso.
Uma das vantagens desse simples teste, é além de verificar se há ou não
vazamentos, isso possibilitará observação por onde a água irá entrar caso
haja um vazamento, e facilitará uma manutenção para a correção do problema
em si.
Aberturas
A entrada de água sempre irá ocorrer em locais onde há um
anel com características de borracha (o-ring),
que é o item mais importante a caixa, pois ele será o responsável pela
vedação da mesma.
A coloração mais encontrada dos o-ring´s é o preto, no entanto,
encontramos no mercado o-ring´s nas cores branca, azulada, verde, vermelho e
laranja, diferenciando no tipo de material fabricado, destino e necessidade.
Um o-ring mal colocado pela falta de atenção e/ou paciência do
mergulhador, pode ser "um tiro no pé" na primeira imersão. Portando,
o mergulhador deve estar muito atento na colocação do o-ring na caixa antes de
ir para o mergulho e realizar o procedimento em local seguro e com bastante
paciência.
Testando a caixa
O melhor teste é aquele feito em uma câmara hiperbárica. Infelizmente não
encontramos isso em qualquer esquina, e hoje no Brasil, isso só poderia ser
feito em alguns centros de manutenção que possuam pequenas câmaras de testes
de equipamentos ou durante um mergulho "seco" em uma câmera
hiperbárica propriamente dita. A segunda possibilidade é praticamente
descartada por não ser viável.
Quanto a primeira hipótese, esta sim é mais fácil para aqueles que estejam
em uma cidade como Rio de Janeiro e São Paulo.
Se você não tem muita alternativa, o mais interessante a ser feito, é
realmente descer com a câmera em mãos durante um mergulho, mas sem a câmera
em seu interior.
Um detalhe importante, é não ir além da profundidade recomendada pelo
fabricante. De forma errada, muitos acreditam que se a profundidade máxima
operacional (PMO) que o equipamento for de X metros, o teste deverá ser feito
à 10m à mais.
Descer com a caixa a uma profundidade superior a recomendada, poderá
danificar (trincar) a caixa estanque, ampliando ainda mais a chances de um
alagamento do compartimento estanque e/ou não servirá como um exemplo de teste
do compartimento.
Atuação do o-ring
Aqueles que têm interesse em obter mais detalhes, recomendo a leitura sobre
o funcionamento dos o-ring,
publicado em forma de artigo aqui no Brasil Mergulho.
No que diz respeito as pequenas caixas estanques de câmeras fotográficas,
conforme descemos e alcançamos maiores profundidades com o equipamento em
mãos, os o-ring´s se deformam, preenchendo os espaços entre a tampa e o corpo
da caixa. Isso ocorre em função da pressão no interior da caixa ser inferior
a pressão externa, e os o-ring´s são literalmente puxados para o interior da
caixa, tapado todos os espaços onde contenham a passagem de ar, impedindo
assim, a entrada de água por esses sulcos.
Se alguém disser que a maior probabilidade de entrada de água é na
superfície e antes de afundarmos, não estará falando bobagem, pois como a
pressão interna e externa estão iguais ou quase, os o-ring´s não puxados e
não exercem o impedimento da entrada da água. Enquanto o mergulhador estiver
na superfície, o que irá definitivamente evitar a entrada de água no interior
da caixa, é a pressão de tensão do sistema de travas sob os o-ring´s. Se
não houvesse essa pressão, a água iria entrar.
Logo, quanto mais tempo o mergulhador ficar na superfície e caso o sistema
de travas da tampa traseira estiver com problemas ou com a regulagem irregular,
a possibilidade de entrada de água existe sim.
Após os 10m de profundidade, se o sistema de travas poderia até ser solto,
pois a própria variação de pressão interna X externa faria o trabalho de
vedação da caixa, justamente por "sugar" a tampa traseira da caixa
estanque.
Procedimentos sugeridos
- Feche a caixa estanque observando o(s) o-ring(s), verificando se estão
exatamente no local correto. Algumas vezes ao colocarmos o-ring e tentar
fechar a caixa, ele sai do seu posicionamento correto e ideal.
- Você pode inserir um pedaço de papel higiênico no interior da caixa, para
facilitar a visualização embaixo d´água, quanta a possível entrada de
água na caixa estanque durante a imersão.
- Segundo nosso colaborador, Maurício Ávila, que além de mergulhador é
também, fotógrafo sub, o uso de bastonetes denominados Moisture Muncher,
fabricados pela Sealife, são a melhor opção para a detecção de umidade e
entrada de água no interior das caixas estanques.
Ao usar esse bastonete azulado no interior da caixa estanque, com a menor
entrada de umidade ou água no interior da caixa, esse bastonete irá mudar de
cor, avisando de forma visual ao mergulhador ainda durante a imersão, que
umidade e/ou água está de alguma forma entrando na caixa, possibilitando um
retorno do mergulhador à superfície para a remoção imediata da câmera da
água, salvando assim, o equipamento da inundação.
- Antes de fechar a caixa estanque, observe se não há resíduos, pó, grão
de areia ou até pequenos chumaços de pêlo no local onde o(s) o-ring(s)
ficam. Um pequeno pedaço de pêlo pode ser o suficiente para a inundação. E
acreditem... isso ocorre mesmo, como já ocorreu comigo anos atrás.
- Após o fechamento da caixa, observe se o o-ring principal da porta está
esmagado e bem imprensado. Não devem haver bolhas ou pequenos pontos entre o
o-ring e a porta de fechamento da caixa.
- Ao descer com a caixa, fique atento durante os primeiros metros da descida,
observando a possível entrada de água e o local onde isso ocorre.
- Retornando do mergulho e se a caixa está realmente seca, já é um
indicativo de que está tudo ok.
O que não fazer
- Jamais amarre sua caixa em um cabo e a desça ao fundo. Além da
possibilidade de você acabar perdendo a caixa, você poderá arranhá-la.
Dependendo do local, você poderá inclusive inutilizá-la. Já imaginou
causar um arranhão exatamente na lente de sua caixa estanque ?
- Descer e trazê-la à tona não é a mesma coisa que mergulhar com ela,
pois daria o tempo ideal para a imersão de teste.
- Descê-la pelo cabo também não permitirá à você, verificar por onde
ocorre o vazamento.
Agradecimentos especiais ao Maurício Ávila e demais amigos pelas trocas de
informações.
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Fotos: Júlio Motta






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