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Um mergulho a mais de 200m de profundidade no Mar Vermelho
Como qualquer mergulhador, nem bem saímos da água de um mergulho
e já estamos pensando nos próximos...
Depois de muitos mergulhos técnicos nos últimos anos com o
rebreather rEvo CCR, decidimos que era hora de explorar melhor a
capacidade do equipamento em mergulhos extremos.
Para isso, escolhemos o Mar Vermelho como local para nossa semana
de aventuras.
O Mar Vermelho reúne diversas características muito interessantes
aos mergulhadores técnicos. Águas extremamente claras, temperatura
ideal e excelentes operadoras totalmente equipadas para mergulhos com
maior complexidade e com o uso de rebreathers.
A operadora escolhida foi a Orca Dive Club, especificamente a de
Safaga. Eles estão completamente preparados para receber
mergulhadores de rebreathers e ofereceram total apoio ao nosso
projeto.
Reunimos então uma equipe de 20 mergulhadores técnicos e
começamos os preparativos e planejamentos.
Paul Raymaekers (fabricante dos rebreathers rEvo), juntamente com
Marc Crane, gerente de operações de mergulho técnico do Orca Dive
Club Safaga, trabalharam duro por meses para acertarem todos os
detalhes da operação.
O primeiro passo foi conseguir autorização para realizarmos
mergulhos abaixo de 100 metros de profundidade no Egito.
A "Egyptian Chamber of Diving and Watersports" não só
nos deu a permissão, como ofereceu todo apoio a nossa expedição.
Tivemos também o suporte da Hypermed, a câmara hiperbárica de
Hurghada e do Dr. Hossam Nassef, que foi responsável pelas
avaliações dos mergulhadores antes do mergulho e ficou de prontidão
para qualquer imprevisto.
Depois das autorizações obtidas, suporte médico e toda a
estrutura de apoio acertada, o próximo passo foi selecionar o time
que faria parte da expedição.
Integrantes
Nossa equipe foi formada por pessoas de várias nacionalidades, uma
verdadeira Torre de Babel...
Foi um time formado por excelentes mergulhadores, todos muito
experientes em mergulhos com rebreathers e mergulhos técnicos. Só a
convivência com todos já foi uma experiência muito bacana.
Planejamento e organização: Paul Raymaekers, em cooperação
com o Orca Dive Club Safaga, na figura de seu gerente de operações
de mergulho técnico, Marc Crane.
Equipe de mergulho fundo: Paul Raymaekers (Bélgica), Marco
Reis (Brasil), Pim van der Horst (Holanda)
Equipe de apoio profundo 1 (120 m): Joël Gallien (França),
Frank Robert (Bélgica)
Equipe de apoio profundo 2 (60 m): Wim Vermeire (Bélgica), JP
van Mele (Bélgica)
Coordenadores de superfície: Marc Crane, auxiliado por Marc
Thierens (Bélgica), Ahmed Salem (Egito)
Equipe de apoio raso (40 m): Arnaud St Jean (França), Johnny
Sanders (Holanda), Tom Freibote (Alemanha), Stefan Weiss (Alemanha),
Thierry Dedeurwaerder (Suíça).
Equipe de Foto (80 m): Tobias Steger (Alemanha), Birga Weisert
(Alemanha)
Vídeo: Massimo Verde (Itália)
Fotos de superfície e sub (até 40 m): Sebastien Micheloud
(Suíça), Tobias Steger.
Médico Hiperbárico: Dr. Hossam Nassef (Egito)
Mergulhos
A semana começou com alguns mergulhos rasos, na faixa de 15 aos
30m, para completar o treinamento de alguns novos mergulhadores com o
rebreather rEvo e de novos instrutores. Foi ótimo para irmos nos
ambientando com a maravilhosa paisagem submarina do Egito.
No quarto dia começamos os mergulhos pra valer, visitando as
maravilhosas paredes de coral do Mar Vermelho. Ras Abu Soma foi o
local eleito e a profundidade dos mergulhos girou em torno dos 50m,
fazendo um multinível até as últimas paradas de descompressão.
Foi possível realizar dois mergulhos de 1:30h e fotografar e
filmar muito. Foi como mergulhar em "Procurando Nemo"!
O próximo dia foi de naufrágio, que para a alegria geral, fomos
de van até El Gouna, onde embarcamos em direção ao naufrágio
Rosalie Moller, naufragado em 08/10/1941, cuja profundidade máxima
girou em torno dos 50 m (no areião). A média está em torno dos 35
aos 40m no convés principal.
Aproveitamos neste mergulho para acertarmos o trim dos nossos
scooters e cilindros de bailout. Fato interessante... logo que cheguei
ao naufrágio, fui "eleito" por um peixe piloto como alvo !
Acho que ele confundiu o scooter com um peixão e ficou colado nele
o mergulho todo. Depois de dois mergulhos com cerca de duas horas
cada, foi hora de voltarmos a Safaga e prepararmos o próximo dia de
mergulho.
O sexto dia foi uma prévia do nosso mergulho fundo. Reunimos todas
as pessoas envolvidas e fizemos uma simulação em Panorama Reef, com
um mergulho aos 120m. Correu tudo perfeitamente !
Cabos de descida, pessoal de apoio, fotógrafos, filmagem, etc...
Foi possível ter uma prévia do visual que nos esperava. Tiramos um
dia de folga para descansarmos e estarmos 100% para o mergulho final.
O mergulho abaixo dos 200 metros
Finalmente chegou o grande dia da expedição !
Estávamos todos ansiosos para cair na água, mas ao mesmo tempo
confiantes e relaxados, depois da semana excelente que tivemos e tudo
correndo conforme o planejamento.
Para o mergulho, utilizamos os seguintes equipamentos e gases:
Paul: rEvo III standard, híbrido Marco: rEvo II standard, híbrido
Pim: rEvo III mini, mecânico.
Gases Inboard Tx 5/75 e O2. Para ajustes da PPO a partir dos 100m,
utilizamos Tx 10/70 (S80) offboard e além disso eu tinha um S40 com
O2 , para qualquer eventualidade.
Cada um de nós carregou 3 cilindros de bailout, com Tx 5/75, 10/70
(conectado como offboard) e 15/50.
Os gases de bailout restantes (Tx 20/30, EAN 50 e EAN 80 e O2)
seriam trazidos pela equipe de apoio e trocados nas profundidades
adequadas.
Plano de Mergulho
A idéia era atingir a marca de 210m e a partir desta profundidade
iniciarmos uma subida, fazendo um multinível e aproveitando o visual
das paredes de Panorama Reef.
Nosso tempo planejado de mergulho era de 280 minutos, mas decidimos
utilizar o perfil mais conservador dentre os que tínhamos a
disposição (tabelas ou os dois computadores Shearwater que
estávamos utilizando, um integrado ao rEvo e um em modo de PO
constante).
Iniciamos o mergulho utilizando um cabo de descida preparado e com
marcações a cada 10m.
Paul e eu descemos utilizando scooters e Pim preferiu descer pelo
cabo, sem scooter. A nossa velocidade de descida foi 20 m/min, para
tentar diminuir ao máximo os tempos das paradas de descompressão.
Aos 50, 100 e 150m, fizemos uma rápida parada para conferirmos se
todos estavam OK e conferir os tempos.
Aos 180m tínhamos um "estacionamento" para nossos
scooters. Como a profundidade operacional máxima dos equipamentos era
de 180m, decidimos não arriscar e clipamos os mesmos no cabo e
seguimos nadando até a profundidade máxima planejada. Isso serviu
também para nossa última checagem antes de atingirmos o fundo.
Quando chegamos finalmente ao final do cabo, na marca de 210
metros, percebemos uma pequena diferença entre a marca no cabo e
nossos computadores, que marcavam 212 metros. Após nossa checagem de
segurança e aproveitarmos por alguns instantes o visual do fundo,
iniciamos nossa subida. O mais impressionante foi perceber que a 212
metros de profundidade a luminosidade natural ainda existia e curtimos
a subida observando o paredão bem a nossa frente, e sem a necessidade
das lanternas.
Subimos até os 180m de profundidade e recuperamos os scooters.
O esforço para nos acompanhar de scooters foi muito grande e o Pim
neste momento já estava com a respiração curta e um pouco ofegante.
Ele então decidiu passar para o circuito aberto, até se recuperar e
dai voltou ao circuito fechado, para completar o restante da deco de
maneira mais eficiente.
Encontrarmos nossa equipe de apoio profundo, a cerca de 120m.
Dos 120 até os 60m, seguimos todos juntos, nós carregando os
bailouts de fundo e a equipe de apoio com os bailouts intermediários.
Aos 60m a parede já não era mais quase visível e então utilizamos
um cabo de conexão que nos levou até um segundo cabo de subida, mais
próximo a parede. Neste momento nos encontramos também com nossa
equipe de apoio profundo 2.
A partir dos 60m, passamos a nos hidratar para melhorar nossa
descompressão.
Quando chegamos aos 40m, fomos recebidos pelos mergulhadores de
apoio raso, que trouxeram nossos bailout rasos (Tx 20/30 e EAN50) e
levaram para a superfície nossos 3 cilindros de gases de fundo. Com
tudo sob controle, decidimos explorar melhor o paredão e começamos a
percorrer o mesmo lateralmente, nos deslocar para novos pontos na
parede, enquanto cumpríamos nossas paradas.
Já aos 20m, uma nova equipe de apoio raso nos encontrou para
retirar mais um cilindro.
Com isso, completamos nosso mergulho com apenas um S80 de EAN50
(mais o S40 de O2 que continuava carregando).
A quantidade de vida que encontramos, desde o fundo até a
superfície foi incrível. Peixes borboleta, budiões, cirurgiões,
garoupas e outros de todas as cores e formas. Peixes leão aos montes
e a incrível "Cidade das Anêmonas". A parede é
literalmente coberta por anêmonas com seus peixes palhaços e
donzelas.
Após um pouco mais de 4hs de mergulho, decidimos iniciar nossa
volta ao cabo de apoio raso, onde tínhamos um cabo nos conectando
até o barco principal e a estação de descompressão, que contava
com mais cilindros de bailout e onde foi possível liberar de toda a
"tralha" extra e completar nossa deco mais livremente.
Durante essa etapa final da descompressão, fomos visitados por
todos os mergulhadores que estavam à bordo e por um par de
sailfishes.
Após 294 minutos, todos os computadores já tinham liberado nossa
subida e saímos da água, um pouco cansados, mas felizes por termos
tido a sorte de aproveitar as maravilhas do mergulho profundo no Mar
Vermelho.
E como qualquer mergulhador, nem bem saímos da água e começamos
a pensar nas nossas próximas aventuras...
Marco utilizou os seguintes equipamentos durante os mergulhos:
rEvo, Apeks, Whites e Deep Outdoors, distribuídos pela Mar
Mergulho.
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