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Estudo comparativo entre 5 tipos de absorventes de CO2
Mergulho com rebreathers tem crescido de forma considerável nos
últimos anos. Certamente motivado pelas vantagens de autonomia,
profundidade, economia de gases, portatilidade, ausência de bolhas, e
sobretudo pela queda do custo do aparelho, muitos mergulhadores
técnicos de circuito aberto tem migrado para os de circuito fechado.
Mergulhos com rebreathers, por muitos, tem sido considerados
perigoso, apesar de não se ter estatísticas precisas neste sentido,
porém com o desenvolvimento de cursos por diversas certificadoras,
padronização das rotinas, aplicação de check lists, e
aprimoramento dos aparelhos, parece ter havido uma tendência de
redução dos incidentes e acidentes.
O rebreather da classe CCRe (Closed Circuit Rebreather eletronic)
atuais mais sofisticados controlam em sistema de alça fechada a PPO2
no interior do circuito, tem computadores de mergulho integrado ao
circuito e monitoram o tempo de cal pela temperatura de reação, mas
muitos ainda não conseguem monitorar a concentração do CO2
no interior do circuito. Apenas o Sentinel da VR Technology faz isto
(fig1)
Entre as intercorrências, a intoxicação pelo CO2 tem
sido um problema relativamente comum e tem como causas freqüentes a
montagem do aparelho de forma errada, esquecimento da colocação do
absorvente, o uso de cal re-utilizada ou esgotada, mergulhos
prolongados, entre outras.
Certamente devido a esta falta de monitoração do CO2,
a impossibilidade de troca do filtro durante o mergulho, a performance
do absorvente é assunto de interesse de muitos
"rebreatheiros".
Este estudo objetiva comparar in vitro a performance entre 5 tipos
de absorventes de CO2.
Metodologia e Material
Foram testadas a Sofnolime® médica, 2.0-5.0mm, Sofnolime®
médica, 1 -2,5mm, fabricadas pela Molecular Products Limited,
Atrasorb® médica (ASMed), Atrasorb® para mergulho (ASMerg),
Atrasorb® para mergulho com grânulos pequenos (ASMergP), fabricado
pela HB do Brasil.
Medida da Capacidade Absortiva do CO2
O experimento consistiu em medir a capacidade absortiva do CO2
"in vitro". Foi desenvolvido um filtro com o volume interno
de 244 cm3 para comportar o absorvente. Um fluxo de 2L/min
de ar contendo 6,8% de CO2 foi passado pelo absorvente
durante 90 min . A jusante do filtro foi instalado o sensor do
capnógrado do Monitor Infinity Vista XL da Dräger (Fig.2).
Dados da capnogradia foram anotados a cada minuto durante 90
minutos.
A performance do absorvente foi quantificada pelo tempo em minutos
desde o início da passagem do fluxo da mistura contendo CO2
até o início captação do CO2 a jusante do filtro.
Adicionalmente foi mensurada a PPCO2 após 90 min de teste, que
também sérvio de parâmetro de performance do absorvente.
Resultados
A PPCO2 da mistura que preparada previamente foi de
52mmHg, que equivale a aproximadamente 6,8%
O resultado mostrou que houve passagem de CO2 pelo
filtro após:
29 min com a ASMed, 32 min com a ASMerg, 72 min com a ASMergP, 64
min com a Sofnolime 2.0-5.0mm e 86 min com a Sofnolime 1 -2,5mm (fig.
4).
Após 90 minutos a medida da PPCO2 a jusante do filtro foi de: 18
mmHg com a ASMed,15 mmHg com a ASMerg, 7 mmHg com a ASMergP, 8 mmHg
com a Sofnolime 2.0-5.0mm, 3 mmHg com a Sofnolime 1 -2,5mm

Mostra A PPCO2 em função do tempo para os 5 diferentes
tipos de absorventes.

O gráfico acima mostra em barras lilás, o tempo em minutos que se percebeu
a presença de CO2 a jusante do filtro contendo o absorvente. Em rosa
a PPCO2 medida a jusante após 90 min de passagem do fluxo da mistura
contendo CO2 pelo filtro.
Conclusões
Há pequena vantagem em usar a ASMed em relação a ASMerg, cerca
de 10% de vantagem. Ambas tem a performance muito inferior a Sofnolime
2 – 5mm. Cerca de 45% e 50% respectivamente do tempo para apresentar
passagem de CO2 em relação a Sofnolime.
A ASMergP mostrou-se superior a Sofnolime, pois obteve 12,5 % a
mais de tempo para apresentar passagem de CO2.
A comparação entre a Sofnolime 1 -2,5 (86min) e a ASMergP (71
min) mostrou uma performance de 21,1% melhor para a Sofnolime.
A comparação entre a Sofnolime 2 -5 (63min) e a Sofnolime 1 -2,5
(86 min) mostrou uma performance de 36,5% melhor para a 1-2,5. A
composição destes dois tipos de absorventes são iguais, segundo o
fabricante. O que diferencia é que o incremento da massa da 1-2,5 é
quase igual ao incremento da performance em relação a 2-5 para um
mesmo volume de absorvente.
O absorvente de melhor performance foi a Sofnolime 1-2,5 que não
é comercializada no Brasil, sendo apenas a 2-5 que quando comparada
com o seu concorrente nacional ASMergP, mostrou-se 12,5% inferior
neste teste.
Este teste da forma como foi feito, não pode ser extrapolado para
a prática do mergulho, pois as condições de uso são bem
diferentes.
A HB do Brasil, fabricante da Atrasorb, vem trabalhando no
desenvolvimento de um absorvente com grãos menores que promete uma
performance melhor que os seus atuais e certamente superior até aos
dos seus concorrentes internacionais.
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