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FFM (Full Face Mask) e seu uso com rebreathers de circuito fechado
I) Introdução
O mergulho com rebreathers de circuito fechado
envolve certos riscos, muitos deles relacionados com a mudança
constante da mescla de gases inspirada pelo mergulhador. Há uma faixa
normóxica em que a vida humana é sustentada. Fora dela, ou seja,
abaixo de 0.16 PpO2 ou acima de 1.6 PpO2, o usuário do equipamento
fica exposto à hipoxemia ou à intoxicação do SNC pelo oxigênio,
condições que podem levar ao apagamento, relaxamento da musculatura,
perda da válvula de respiração (DSV ou BOV) e morte em decorrência
do afogamento.
Fora isso, os equipamentos de circuito fechado
trazem uma nova dimensão para o mergulho SCUBA. Eles viabilizam
mergulhos muito longos e explorações a lugares que antes eram quase
inacessíveis com o tradicional circuito aberto. Mas essas
explorações cobram o seu preço, pois a fisiologia humana não se
modifica com a atualização do equipamento. Assim, cada vez mais
mergulhadores dispostos a mergulhos extremos de profundidade e tempo
extrapolam os limites considerados seguros de exposição do SNC a
elevadas pressões parciais de O2, trazendo novamente riscos
associados à intoxicação, afogamento e morte. A extrapolação
desses limites, apesar de não ser recomendada, muitas vezes é a
única forma de ser alcançar o objetivo, fazendo-se então
necessário adotar outros procedimentos de segurança para minimizar
os riscos, como a adoção de habitats secos na fase rasa da
descompressão, gas breaks, consumo de anti-oxidantes, adoção de
safety divers monitorando os mergulhadores de fundo ou ainda o uso de
FFMs pela equipe.
O uso das FFMs (Full Face Mask) associada aos
rebreathers vem assim trazer mais segurança para a execução do
mergulho de circuito fechado recreativo ou técnico, protegendo o
mergulhador contra um possível afogamento, seja em decorrência de
uma condição de hipoxemia ou hiperóxia da mescla inspirada por
falha de operação ou do equipamento; seja também em face da
execução de mergulhos extremos de tempo e profundidade, os quais
submetem o SNC do mergulhador a elevadas doses de O2.
II) Vantagens e desvantagens do uso de uma FFM
(Full Face Mask)
O uso das FFM com rebreathers apresenta as
seguintes vantagens:
a) proteção contra o afogamento em decorrência
da perda da válvula de respiração (DSV ou BOV) nos casos de
apagamento em razão de intoxicação do SNC ou hipoxemia, já que
mesmo estando o mergulhador inconsciente, a máscara permanece vedada
no seu rosto, assim como a válvula de respiração (DSV ou BOV), que
não se alaga nesses cenários;
b) proteção contra o frio intenso e
presença de agentes contaminantes ou seres marinhos urticantes, já
que grande parte do rosto do mergulhador não fica em contato com a
água;
c) conforto em mergulhos extremamente longos ou em locais com
grande correnteza, pois não há fadiga muscular na região da
mandíbula com o uso da DSV ou BOV, já que o peso de todo o conjunto
é distribuído e suportado pelas tiras de fixação da máscara;
d)
possibilidade de instalação de sistema de fonia para comunicação
entre mergulhadores ou com a superfície, trazendo mais segurança e
flexibilidade operacional para a execução de certos mergulhos;
e)
maior proteção contra o ingresso de água no loop de respiração do
rebreather através da válvula de respiração (loose lips); f)
facilita o resgate de um mergulhador acometido de doença
descompressiva vestibular em razão de troca de gases e contradifusão
isobárica (altamente recomendável em se tratando de execução do
BMX – Benthic Mix Switching); g) permite ao mergulhador acometido de
doença descompressiva executar procedimento de IWR (recompressão na
água) imediatamente, sem uso de equipamento adicional, em locais onde
não há câmara hiperbárica disponível ou o seu acesso é
dificultado; h) instalada em conjunto com uma BOV (Bail Out Valve),
facilita o procedimento de saída do circuito fechado e passagem para
o aberto, no caso de uma pane total do rebreather.
Já com relação às desvantagens, podemos citar:
a) aumento da complexidade, carga de tarefas e pontos de falha em todo
o sistema; b) as máscaras são feitas em tamanho único e podem não
se adaptar bem ao rosto do mergulhador; c) requer treinamento
adicional e constante, em nome da segurança; d) alto custo do
sistema, pois além da máscara, normalmente há necessidade de
aquisição de engates rápidos de alto fluxo (QD), BOV (bail out
valve) ou DSV (dive surface valve) dedicadas, reguladores com P-port
ou adaptadores, entre outros equipamentos.
III) Modelos mais conhecidos de FFM existentes no
mercado
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a) AGA
A máscara AGA Interspiro é vendida como uma
solução de segurança no rebreather DCSC, fabricado para operações
militares de desminagem, bem como para o uso em mergulho comercial em
OC, em conjunto com o regulador Divator Mk II e III. É muito usada
também com os rebreathers Mk 15 e 16 em operações militares.
Tem sido usada também para mergulho recreativo e técnico com rebreathers, através da adaptação fornecida pela
empresa Divematics, com opção para a instalação de DSV ou BOV para
grande parte dos rebreathers existentes no mercado civil.
Um ponto fraco dessa máscara é que não há bocal
interno e assim há possibilidade do mergulhador reinalar CO2 se a
oral nasal da máscara não estiver bem ajustada.
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b) Drager Panorama
É a máscara mais usada atualmente pelos
mergulhadores civis de rebreathers. Fabricada pela empresa alemã
Drager, possui bom campo de visão, alta qualidade de materiais
empregados, possibilidade de instalação de fonia da OTS e ainda
conexão, ao mesmo tempo, de duas fontes de gás (CC e OC).
Ela é vendida numa versão para circuito aberto,
equipada com oro nasal, e ainda numa versão especial para circuito
fechado, com bocal interno que permite a respiração na máscara
mesmo estando totalmente alagada, prevenindo também a reinalação
de CO2. Há ainda kits de proteção do visor para a realização de
solda subaquática e uma versão para operações militares especiais,
com a adoção do dispositivo de alerta de baixa pressão no cilindro,
chamado de Woodpecker, que vibra quando a pressão do cilindro está
baixa (usado em sistemas militares CCRO2, como o Drager LAR V).
Uma das desvantagens da Drager Panorama é a adoção do sistema
P-port proprietário para as conexões na máscara. Apesar de ser
largamente usado no meio dos mergulhadores de rebreathers, esse
sistema, por ser incompatível com os bocais padrão dos sistemas de
OC, requer adaptações para ajustar todo o sistema às necessidades
de troca das fontes de gás do mergulho técnico.
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Foto: Manual Drager

Foto: Keidy Beranger

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| c) KMB 48
Essa máscara é fabricada nos EUA pela Kirby Morgan e tem sido
usada com sucesso nos rebreathers Inspiration, Ouroborus, Megalodon e
Drager Dolphin. A grande vantagem dessa máscara é que a conexão com
o rebreather se dá através de um Pod destacável, chamado de NATO
POD (NATO significa OTAN – Organização do Tratado do Atlântico
Norte), que infelizmente só é distribuído para o mercado militar.
O seu campo de visão é considerado equivalente a
de um meia máscara tradicional e o sistema de Pod destacável permite
a saída do circuito em OC bail out através do uso de reguladores
padrões, o que deixa o sistema muito mais flexível e menos custoso.
Um dos poucos inconvenientes desse sistema é que
uma vez em OC bail out, o mergulhador perde a facilidade da fonia.
Isso pode ser contornado com o uso de um outro Pod com fonia conectado
ao segundo estágio do cilindro de bail out, mas o transporte de outro
Pod por cilindro de bail out, por ser volumoso, pode trazer diversos
inconvenientes.
A fabricante do equipamento não pretende vender o
NATO Pod para o mercado civil e o Gabinete de Segurança de
Exportação dos EUA considera o equipamento como na "lista de
munições internacionais", restringindo a sua comercialização
para o âmbito militar. Mesmo assim, alguns mergulhadores tem obtido
sucesso na aquisição desses equipamentos no mercado de sobras
militares ou então realizado adaptações nos Pods civis de OC para a
instalação nos seus rebreathers.
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IV) Configurações possíveis de uma FFM Drager
Panorama
Configurar uma FFM para uso com um rebreather CCR,
visando a execução de mergulhos técnicos, requer cuidados
adicionais, pois o mergulhador poderá se deparar com vários
cenários envolvendo não só o procedimento de saída do circuito em
OC bail out, mas também troca de gases em OC, receber e doar gás ao
dupla sem FFM, falha total da máscara e contaminação do sistema em
decorrência de coquetel cáustico.
Não há até o momento uma solução única e
infalível. Todas elas possuem as suas virtudes, complexidades e
defeitos. Cabe ao mergulhador técnico de circuito fechado escolher
qual se adapta às suas necessidades de mergulho e se adequa aos
equipamentos que tem ao seu dispor. Mostraremos a seguir algumas
soluções adotadas por alguns experientes mergulhadores de circuito
fechado que usam FFM em suas explorações.
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Mergulhador |
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Ron Micjan
(eCCR Megalodon) |
Mike Gadd
(eCCR Ouroborus) |
Lance Robb
(eCCR Megalodon) |
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Sistema |
a) FFM Drager Panoroma;
b) ISC DSV com P-port;
c) 2o estágio Apeks com P-port;
d) Narked 90 P-port adapter;
e) Em cada cilindro de Bail Out, além dos
reguladores Apeks com P-port, é instalado um segundo estágio
com bocal padrão. |
a) FFM Drager Panorama e DSV com P-port;
b) 2o estágios com adaptador para P-port;
c) Inserção de um bocão padrão em cada
segundo estágio com P-port;
d) manifold de 3 portas, servindo a asa e ao
regulador Apeks P-port conectado à porta secundária de gás da
FFM. O gás provém do cilindro de bail out conectado com um
engate rápido ao manifold. |
a) FFM Drager Panorama e BOV;
b) QD macho com check valve e shut off valve
na conexão com o manifold.
c) QD fêmea em cada cilindro de Bail Out;
d) 2 estágio Apeks com P-port conectado a FFM
para permitir respiração pelo nariz;
e) Uso de manifold, com saídas de gás para
a ADV, asa ou MGB, BOV e 2o estágio Apeks com P-port, sempre
conectado à porta secundária da FFM. |
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Passagem para OC – bail out |
Esse mergulhador adota o procedimento de Open
Loop Flush enquanto recupera o regulador Apeks com P-port para
conectado na portal principal da FFM.
Esse procedimento é feito
porque como o mergulhador não usa uma BOV a passagem para bail
out em OC é mais demorada. |
Em caso de bail out, o mergulhador inicia
procedimento de sanity breaths (respirações de sanidade)
através do nariz, utilizando-se do segundo estágio Apeks
P-port conectado à porta secundária da FFM. Após isso,
recupera o regulador do cilindro de bail out que está adaptado
para P-port e o conecta à porta principal da FFM.
Uma vez
conectado o regulador de OC, passa-se a respirar pela boca. Nas
trocas de gás haverá gás disponível para respiração pelo
nariz através segundo estágio conectado à porta secundária. |
A base desse sistema é o uso de um manifold,
onde irá se conectar o cilindro onboard de diluente e onde há
também uma entrada de gás off board através de um engate
rápido que se liga ao cilindro de bail out.
A pressão
intermediária do regulador do cilindro de diluente é setada
acima do bail out, para que numa situação de normalidade
somente gás diluente seja servido à ADV e MGB se necessário.
Na passagem de CC para OC o mergulhador
aciona a sua BOV e fecha o cilindro de diluente, passando a
respirar apenas do suprimento de gas offboard. Durante o
procedimento de descompressão em OC, a troca de gases é feita
abrindo o cilindro de diluente, respirando pela BOV ou pelo
segundo estágio Apeks com P-port, até que seja feita a
conexão da mistura mais rica no QD do manifold.
Depois de
conectado o engate rápido, é fechado o cilindro de diluente e
passa-se a respirar gás mais rico do cilindro de bail out. |
Procedimento de doar gás em OC
(dupla sem
FFM) |
Usa um segundo estágio com bocal padrão em
cada cilindro de bail out para permitir doar gás para um
mergulhador que não usa FFM e esteja em bail out. |
Usa segundos estágios somente com P-port
adaptados nos cilindros de bail out. Assim, para permitir doar
gás para um mergulhador que não usa FFM e esteja em bail out,
ele adapta um bocal padrão por cima da conexão macho P-port.
Tem a vantagem somente de proteger o O-ring do P-port, mas o
bocal pode se soltar durante o mergulho. |
Usa um segundo estágio com bocal padrão em
cada cilindro de bail out para permitir doar gás para um
mergulhador que não usa FFM e esteja em OC bail out. |
Procedimento de receber gás
em OC – bail
out
(dupla sem FFM) |
Deve retirar a FFM, recuperar a meia-máscara
reserva e assim poder receber gás em OC de um mergulhador que
não esteja com FFM. |
Deve retirar a FFM, recuperar a meia-máscara
reserva e assim poder receber gás em OC de um mergulhador que
não esteja com FFM. |
Colocando-se um QD fêmea em cada cilindro de
bail out do dupla, será possível a troca de cilindros e uso da
BOV servida pelo manifold.
Ainda será possível, caso não haja Qds
disponíveis, retirar a FFM, recuperar a meia-máscara reserva e
assim poder receber gás em OC de um mergulhador que não esteja
com FFM. |
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Falha total da máscara ou
coquetel cáustico
com ou
sem contaminação da FFM |
No caso de coquetel cáustico com contaminação do bocal
interno da FFM, deve-se retirar a FFM, recuperar a meia-máscara
reserva e respirar em OC dos cilindros de bail out.
Em se tratando de coquetel cáustico sem contaminação da
FFM, poderá optar pela permanência na máscara, respirando em
OC Bail Out através dos reguladores com P-port.
Já em se tratando somente de falha total da máscara,
deve-se retirar a FFM, recuperar a meia-máscara reserva e ficar
em CC usando o adaptador P-port da Narked 90. |
No caso de coquetel cáustico com contaminação do bocal
interno da FFM, bem como falha total da FFM, deverá retirar a
FFM, recuperar a meia-máscara reserva e respirar em OC dos
cilindros de bail out, usando para tanto o bocal padrão que é
colocado por cima dos P-port machos.
Em se tratando de coquetel cáustico sem contaminação da
FFM, poderá optar pela permanência na máscara, respirando em
OC Bail Out através dos reguladores com P-port. |
No caso de coquetel cáustico com
contaminação do bocal interno da FFM, deve-se retirar a FFM,
recuperar a meia-máscara reserva e respirar em OC dos cilindros
de bail out.
Já na hipótese de coquetel cáustico sem
contaminação do bocal interno da FFM, será possível manter a
máscara no rosto e respirar através da BOV ou do segundo
estágio Apeks com P-port que está conectado ao manifold.
Já em se tratando de falha total da
máscara, segue o mesmo procedimento da hipótese de coquetel
cáustico com contaminação do bocal interno, uma vez que esse
mergulhador não usa o adaptador P-port da Narked 90 que
permitira continuar em CC mesmo sem a FFM. |
V) Operação com uma FFM Drager Panorama:
procedimentos de emergência e manutenção
Preparação antes do mergulho
a) verificar todas as conexões contra vazamentos, especialmente as
conexões entre os engates rápidos, válvulas de shut off e BOV; b)
testar os engates rápidos fêmeas, verificando se há sujeira ou
problemas nos selos, comprometendo sua capacidade estanque; c)
realizar pelo menos dois testes de pressão negativa na máscara, com
o uso de plugs P-port e regulador com P-port despressurizado. Em
havendo máquina de teste no campo, realizar todos os testes de
pressão indicados no manual do fabricante; d) realizar teste de
funcionalidade dos clipes de nariz, ajustando-os se necessário para
que a manobra de compensação das orelhas possa ser realizada; e)
aplicar produto antiembaçante compatível com as lentes da máscara
e depois lavar a máscara com água. Para a FFM Drager Panorama é
recomendável o uso do produto McNett Sea Gold Anti-Fog Gel. Outros
usam ainda shampoo neutro ou então Rain-X® Anti Fog (produto
automotivo).
Colocação correta da máscara
A colocação da máscara Drager Panorama no rosto deve seguir
alguns passos para o seu correto ajuste e conforto durante o mergulho:
a) em primeiro lugar será necessário colocar a FFM sobre a cabeça e
posicioná-la com o queixo no fundo da máscara; b) após isso,
deve-se colocar o bocal interno na boca de modo que fique
confortável. Para esse ajuste, recomenda-se colocar um dos dedos
dentro do P-port principal e empurrar a máscara contra o rosto; c)
enquanto se pressiona a máscara contra o rosto e com o bocal interno
alojado confortavelmente na boca, se deve apertar firmemente as duas
tiras de fixação inferiores com a outra mão livre; d) ajustar
gentilmente as duas correias do meio da FFM, sem no entanto
apertá-las como se fez com as inferiores; e) finalmente, ajusta-se a
correia superior, podendo deixar uma folga. Caso contrário a máscara
irá se deslocar para cima e ficar fora de posição, deixando-a
desconfortável durante o mergulho. Sempre deve-se tomar o cuidado de
evitar que fios de cabelo ou partes do capuz se alojem entre os
selantes da máscara e o rosto do mergulhador, pois isso irá provocar
vazamentos.
Foto: Manual Drager

Procedimentos de emergência
a) Hipoxemia:
Ocorre quando a pressão parcial de oxigênio no
lopp de respiração é insuficiente para manter a vida (PpO2 abaixo
de 0,16) e pode se dar em função de uma falha de operação do
rebreather (manter a torneira do cilindro de oxigênio que alimenta a
solenóide fechada) ou então em decorrência de uma pane do
equipamento (solenóide travou fechada, normalmente por oxidação de
seus componentes internos).
O apagamento em decorrência da hipoxemia é muito
perigoso, pois normalmente não apresenta sinais prévios. Mas no caso
de uso de uma FFM a grande vantagem é que o mergulhador não irá se
afogar e poderá continuar respirando, facilitando em muito o seu
resgate. O dupla do mergulhar que está equipado com a FFM deverá,
nesses casos, realizar um flush de diluente no sistema e monitorar a
PpO2 no loop de respiração, aguardando o mesmo recobrar a
consciência. Caso haja sinais de parada cárdio respiratória, deverá
realizar o resgate do mergulhador até a superfície, tomando o
cuidado de pressionar o plexo peitoral do mergulhador, para deixar as
vias aéreas livres, bem assim abrir a válvula de alívio de
sobrepressão dos contra-pulmões do rebreather e controlar a
expansão de gases na roupa seca e asa, evitando-se assim uma subida
descontrolada.
b) Intoxicação do Sistema Nervoso Central (SNC)
pelo oxigênio (efeito Paul Bert)
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A intoxicação do SNC pelo oxigênio poderá
ocorrer por falha de operação (injeção manual de O2 além do
necessário, descida para nível mais profundo durante a descompressão,
entre outras), por falha do equipamento (solenóide travou aberta ou
leitura errada de células de oxigênio limitadas pela corrente, etc)
ou ainda em razão da execução de mergulhos extremos de tempo e
profundidade, onde há sujeição do mergulhador a elevadas doses de
pressão parcial de O2 no tempo. A suscetibilidade individual à
intoxicação pode variar de indivíduo para indivíduo e com relação
a uma mesma pessoa, de um dia para outro. Os estudos comprovam que
sintomas prévios à convulsão podem aparecer ou não, sendo uma das
grandes causas de fatalidades no mergulho técnico.
Uma convulsão decorrente de intoxicação do SNC
pelo O2 pode apresentar três fases: a) fase tônica, que se
caracteriza por um período de rigidez corporal que pode durar até 01
(um) minuto. Nessa fase é perigoso levar o mergulhador acidentado até
a superfície, pois a rigidez dos músculos respiratórios e da glote
podem fechar o fluxo de gás em expansão, levando o acidentado a uma
SHP (síndrome de hiperdistensão pulmonar); b) fase clônica, durante
a qual a vítima sofre convulsões verdadeiras e as vias aéreas ficam
normalmente liberadas. Somente após essa fase poderá o mergulhador
ser trazido à superfície; c) fase pós-ictal, na qual a vítima
descansa e continua respirando. Dependendo do caso, o mergulhador
poderá acordar desorientado ou ficar inconsciente. E outras convulsões
podem se seguir a essas.
A grande vantagem da FFM durante uma convulsão é
que o mergulhador não se afogará, pois não haverá perda da máscara
durante as fases tônico-clônica. Assim, o loop do rebreather não irá
se alagar e o mergulhador poderá continuar respirando, com as vias aéreas
desimpedidas, o que facilita sobremaneira o seu resgate. Na hipótese
da vítima recobrar a consciência na fase pós ictal, o uso da FFM em
conjunto com um segundo estágio que permita a respiração pelo
nariz, como ocorre na Drager Panorama, poderá possibilitar até o
auto-resgate do mergulhador, pois nesse caso, ao recobrar a consciência
e respirar, estará injetando nos seus pulmões, automaticamente e sem
interferência do dupla, gás fresco e com menor PpO2.
Verificado o ataque convulsivo, o dupla ou o safety
diver do mergulhador equipado com a FFM deverá realizar um flush de gás
diluente no sistema e monitorar a PpO2 no loop de respiração,
aguardando o mesmo recobrar a consciência. Caso haja sinais de parada
cárdio respiratória, deverá realizar o resgate do mergulhador até a
superfície, o que somente poderá ser feito após a fase clônica,
tomando o cuidado de pressionar o plexo peitoral do mergulhador, para
deixar as vias aéreas livres, bem assim abrir a válvula de alívio
de sobrepressão dos contra-pulmões do rebreather e controlar a
expansão de gases na roupa seca e asa, evitando-se assim uma subida
descontrolada.
Em mergulhos extremos de profundidade e tempo, é
de boa praxe que o mergulhador sempre se mantenha preso ao cabo de
descompressão, o que pode ser feito com a ajuda de seu jon line, bem
como seja sempre acompanhado nas fases rasas da descompressão por um
safety diver. Isso poderá facilitar em muito o resgate do acidentado.
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O mergulhador britânico Mike Gadd preparado com uma FFM KMB 48
para a execução de um mergulho extremo na caverna Sra Keow na
Tailândia.
Fonte: Rebreather World
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c) Coquetel cáustico com ou sem contaminação do
bocal interno da FFM e falha total do rebreather
O coquetel cáustico se forma pelo contato da água
com o material absorvente de CO2 (Cal Sodada) no caso de alagamento do
circuito. Como o produto resultante é extremamente maléfico para o
mergulhador, podendo até impossibilitar a sua respiração, a medida
de ação imediata mais adequada é o abandono do circuito através de
OC Bail Out.
Nesse cenário, poderá haver ou não
contaminação cáustica do bocal interno da FFM ou de outras partes
internas. Havendo contaminação da FFM não há outra solução
senão a remoção imediata da máscara. Para tanto, deverá o
mergulhador se valer de sua meia-máscara reserva para poder continuar
o seu mergulho em OC bail out. Já na hipótese de ausência de
contaminação da FFM, o mergulhador poderá optar por continuar com a
máscara, respirando em OC Bail out através de sua BOV ou outro
segundo estágio com P-port conectado à FFM.
Da mesma forma, em ocorrendo falha total do
rebreather, como a perda de todos os seus eletrônicos de
monitoração de PpO2 ou CO2 Breakthrough, deverá o mergulhador sair
do circuito em OC Bail Out, podendo optar por continuar com a sua FFM,
respirando em OC Bail out através da BOV ou outro segundo estágio
com P-port conectado à máscara.
d) Procedimentos de doar e receber gás.
Lançamento de marcador de superfície
O mergulhador com uma FFM deverá tomar o cuidado
de disponibilizar em seus tanques de Bail Out um segundo estágio com
bocal padrão para ser ofertado ao seu dupla caso ele necessite de
gás. Em alguns sistemas, entretanto, mergulhadores optam por usar
apenas um único segundo estágio com P-port. Mas nesse caso, apesar
de ser possível respirar numa emergência de um segundo estágio com
P-port, é de todo conveniente, seguro e mais confortável, que seja
colocado ao menos um bocal padrão fixado sobre o macho do P-port,
afim de facilitar essa manobra. Essa recomendação também se
justifica para proteger o o-ring do P-port.
De todo modo, já há disponível no mercado uma
solução mais rápida, segura e prática para converter on the fly um
regulador P-port para uso com bocal padrão, através de um adaptador
fornecido pela Narked 90. O uso desse equipamento é extremamente
recomendável, até porque permite ele a continuidade do uso do CCR em
caso de falha total da FFM.
O recebimento de gás do dupla poderá ser
executado através da instalação de engates rápidos em seus
cilindros de Bail Out ou então mediante a disponibilização de
reguladores com P-port adaptados. A terceira alternativa será o
abandono da FFM, recuperação da meia máscara reserva e respiração
em OC desses cilindros.
O lançamento de marcador de superfície poderá
ser executado com facilidade através de um modelo com célula fechada
e insulflador que permita a conexão de mangueiras de colete, como o
fornecido pela Halcyon. Assim, não será preciso retirar a máscara
ou usar um segundo estágio para lançar o marcador, facilitando em
muito a manobra.
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e) Falha Total da FFM
Apesar de pouco provável, poderá ocorrer. Em se tratando somente
de falha total da máscara, deve-se retirar a FFM e recuperar a
meia-máscara reserva. Poderá o mergulhador continuar em CC se
estiver usando o adaptador P-port da Narked 90. Caso contrário, a
única saída será ir para OC Bail out, respirando de seus tanques de
Bail Out através de reguladores com bocal padrão ou então com
P-port, mas que estejam com um bocal padrão fixado sobre o macho do
P-port.
Na retirada da FFM do rosto, deverá o mergulhador
tomar o cuidado de fechar as válvulas de shut off conectadas à BOV
ou ao 2o estágio Apeks com P-port conectado à porta
secundária da Drager Panorama, evitando-se assim que entrem em free
flow. Recomenda-se também que o mergulhador carregue consigo um
mosquetão double dog para a clipagem e transporte lateral da FFM
após a sua retirada.
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Foto: Manual Drager Panorama

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f) Desalagamento da FFM
A manobra de desalagamento da FFM Drager Panorama
é muito fácil de ser executada, bastando expelir gás pelo nariz com
a cabeça em posição vertical e para cima, que a água será expulsa
através da válvula de exaustão posicionada na parte de baixo da
máscara. Em todo modo, como possui bocal interno, será possível ao
mergulhador permanecer respirando em CC enquanto executa a manobra,
pois essa FFM permite a respiração mesmo totalmente alagada.
Alguns mergulhadores encontram dificuldade na
manobra de expulsão da água pela válvula de exaustão em razão da
calibração de sua mola, realizando alguns modificações nesse
sentido, através do corte de partes da mola. De todo modo, essas
modificações não são autorizadas pelo fabricante.
g) Doença Descompressiva e recompressão na água
(IWR)
Uma das vantagens em se mergulhar com a FFM e
rebreather está na possibilidade de execução do procedimento de
recompressão na água caso o mergulhador apresente sintomas de
doença descompressiva e não tenha acesso facilitado a uma câmara
hiperbárica, situação muito comum no mergulho técnico, que é
realizado muitas das vezes em locais remotos.
A decisão pela execução de um procedimento de
recompressão na água passa pela análise de várias questões, tais
como: a) impossibilidade ou grande dificuldade de acesso a uma câmara
hiperbárica; b) presença de safety diver treinado no procedimento e
que possa auxiliar o mergulhador acidentado; c) disponibilidade de
gás oxigênio, nitrox ou ar para a recompressão; d) severidade ou
não dos sintomas; e) condições ambientais e de tempo favoráveis;
f) presença de equipamentos adequados, entre eles uma FFM.
Um mergulhador já equipado com o seu rebreather em
conjunto com uma FFM poderá dar início imediato ao tratamento, não
necessitando sequer subir na embarcação, que dependendo da gravidade
dos sintomas e do tipo de embarcação usada, já poderá ser um
grande desafio. A presença de fonia na FFM e uma estação fixa na
embarcação também poderá ser de grande valia para que a
recompressão seja bem executada, pois permite a comunicação on the
fly com a equipe de superfície, que poderá interromper o
procedimento se as condições indicarem que essa é a melhor medida.
Há vários métodos conhecidos de execução da recompressão na
água. O primeiro é o método australiano, onde o acidentado deverá
descer até os 9,14 metros (30 pés) de profundidade e respirar
oxigênio puro por 30 a 90 minutos, dependendo da severidade dos
sintomas apresentados, seguindo após uma ascenção bem lenta até a
superfície (0.3 metros\4 minutos). Já na superfície, deverá
alternar períodos de 1(uma) hora de respiração de oxigênio puro e
ar até completar 12 horas.

O segundo método é o havaiano, que nada mais é
do que uma derivação do primeiro, com o acréscimo de paradas
profundas respirando ar até uma profundidade de 50 metros. Esse
período é conhecido como "air-spike" e objetiva a
diminuição das bolhas, a volta da circulação e resolução dos
sintomas. Assim, por esse método, deverá o acidentado iniciar o
procedimento descendo até uma profundidade em que os sintomas
diminuam acrescentada de 9,14 metros (30 pés) respirando ar,
permanecendo nessa profundidade por 10 minutos (essa profundidade não
pode ser superior a 50 metros ou 165 pés).
Após esse período, o
mergulhador deverá ascender até a profundidade de 9,14 metros (30
pés) em 10 minutos. Na profundidade de 9,14 metros, deverá passar a
respirar oxigênio puro. Serão feitas avaliações após 50, 80, 110,
130 e 150 minutos após o início do tratamento. Caso os sintomas
desapareçam numa dessas avaliações, poderá o mergulhador retornar
a superfície respirando oxigênio, numa velocidade de subida de 0,91
ou 3 pés / minuto. Na superfície deverá permanecer respirando
oxigênio por 30 minutos.

O terceiro é o método de Clipperton, desenvolvido
para uso em uma expedição científica ao Atol de Clipperton, a 1300
km da costa mexicana. Há duas versões do método, cada um delas
adequada aos equipamentos disponíveis nessa expedição. Uma das
versões prevê o uso de rebreather, pois se base no conceito de Po2
constante. Isso não significa que seja o único a ser indicado para
uso com rebreathers, pois os outros também podem ser adaptados,
bastando-se operar o equipamento em modo CCRO2.
As duas versões do método de Clipperton começam com a
respiração na superfície de oxigênio puro por 10 minutos. Pela
versão que prevê o uso de rebreathers, após esse período de
respiração de oxigênio na superfície, deve-se descer até a
profundidade de 30 metros e permanecer usando o set point de 1,4 PpO2
por mais 10 minutos. Após isso, deverá ascender até a profundidade
de 9 metros em 20 minutos, mantendo a PpO2 de 1,4. Chegando nessa
profundidade, deverá operar o rebreather em modo CCRO2, de modo que a
PpO2 seja de 1,9 ATA (equivalente a respirar O2 puro nessa
profundidade), por mais 40 minutos. Ao final de 80 minutos do início
do tratamento, o acidentado ascenderá à superfície na velocidade de
1 metro/minuto. Recomenda-se ainda que o mergulhador fique 360 minutos
respirando O2 na superfície e que lhe sejam administrados líquidos
pela via intravenosa.

O quarto método é o proposto por Richard Pyle e
usado em suas explorações científicas em locais remotos, sendo uma
derivação do método havaiano. Nele se deve seguir os seguintes
passos:
a) administrar oxigênio a 100% ao mergulhador na
superfície pelo tempo de 10 minutos e avaliar a progressão dos
sintomas. Caso os sintomas persistam após esses 10 minutos na
superfície, deve-se dar início ao procedimento de recompressão,
devendo o mergulhador ser levado até a profundidade de 7.5 metros (25
pés) e respirar oxigênio por mais 10 minutos;
b) caso os sintomas desapareçam após esses 10
minutos a 7,5 metros, deverá o mergulhador permanecer nessa
profundidade, respirando oxigênio, por 90 minutos, intercalando 5
minutos em EAN ou ar a cada 20 minutos de respiração no oxigênio;
c) mas caso os sintomas não desapareçam,
persistirem ou aumentarem após os 10 minutos a 7,5 metros no
oxigênio, o mergulhador deverá trocar a mistura respiratória para
EAN e descer até a profundidade de 15 metros (50 pés) e permanecer
por 02 (dois) minutos, com o objetivo de avaliar os sintomas. Caso
eles desapareçam, deverá o mergulhador permanecer por 08 (oito)
minutos nessa profundidade e depois ascender a 1,5 metros / minuto para
a profundidade de 7.5 metros para respirar oxigênio, por 90 minutos,
intercalando 5 minutos em EAN ou ar a cada 20 minutos de respiração
no oxigênio;
d) mas caso os sintomas não desapareçam nos 02
(dois) minutos a 15 metros, deverá o mergulhador descer mais 7,5
metros, chegando a profundidade de 22.5 metros, afim de cumprir o
passo anterior, ou seja, permanecer mais 02 minutos para avaliar a
persistência ou não dos sintomas. Caso eles persistam, deverá
descer incrementos de 7,5 metros e repetir a manobra, até que alcance
a profundidade máxima de 38 metros (125 pés). Após 10 minutos nessa
profundidade máxima de "air-spike", deverá o mergulhador
ascender até 7,5 metros, respeitando as velocidades de subida de 3
metros / minuto abaixo de 22.5 metros e 1.5 metros / minuto acima de 22.5
metros;
e) uma vez na profundidade de 7,5 metros, o
acidentado deverá trocar a mistura para oxigênio e respirar por 90
minutos, intercalando 5 minutos em EAN ou ar a cada 20 minutos de
respiração no oxigênio;
f) após 90 minutos de respiração de oxigênio a
7,5 metros, com períodos intercalados de 5 minutos de EAN para 20
minutos de oxigênio, se os sintomas desaparecerem, o mergulhador deve
retornar para a superfície, respeitando a velocidade de subida de 0.3
metros / minuto, devendo continuar respirando oxigênio na superfície
até que seja evacuado para socorro médico, sofra sintomas de
intoxicação pulmonar ou se chegue ao prazo de 03 (três) horas;
g) mas se os sintomas persistirem após 90 minutos de respiração
de oxigênio a 7,5 metros, com períodos intercalados de 5 minutos de
EAN para 20 minutos de oxigênio, deverá ser mantido esse ciclo até
que a evacuação médica chegue, ou o mergulhador sofra intoxicação
pulmonar, ou o suprimento de oxigênio acabe, as condições
ambientais ou do mergulhador se alterem, ou ainda os sintomas
desapareçam, ocasião em que haverá a ascenção até a superfície,
respeitando a velocidade de subida de 0.3 metros / minuto.

O último método conhecido é o adotado pela US
Navy, que desenvolveu duas tabelas distintas de tratamento, aplicadas
conforme a severidade dos sintomas (tipo I ou II). Nelas segue-se
praticamente o método australiano, com o uso de oxigênio 100% sem
air breaks, acrescentando-se paradas aos 3 e 6 metros e após
respiração de oxigênio na superfície por 180 minutos.

Apesar de ser contra indicada quando presentes as
condições de tratamento em câmara hiperbárica, a recompressão na
água é mais um instrumento que o mergulhador de rebreather equipado
com FFM tem ao seu dispor para lidar de forma imediata contra a
doença descompressiva. O seu uso em locais remotos pode salvar uma
vida.
Manutenção da FFM pós mergulho
A manutenção de uma FFM Drager Panorama é muito
facilitada e deverá se resumir apenas:
a) lavar o conjunto com água
doce morna após cada mergulho;
b) não há necessidade de aplicação
de produtos desinfectantes caso o destino seja a reutilização pelo
mesmo mergulhador. Caso haja necessidade de desinfecção,
recomenda-se o uso do produto Incidur, fabricado pela empresa Ecolab
Deustchland GmbH, seguindo-se as recomendações desse fabricante;
c)
não é permitido esfregar o interior do visor quando estiver limpando
ou desinfectando a máscara, bem como não é permitido secá-la numa
temperatura superior a 40 graus Celsius. Em ambos os casos poderá
danificar a camada protetora do visor, tornando-a ineficaz; d) não se
deve usar solventes para limpar a máscara, como álcool e acetona;
d)
após a limpeza, a máscara deverá ser secada e guardada em local
fresco e seco, tomando-se o cuidado de não permitir que as tiras de
fixação toquem na parte interna do visor, pois poderá manchá-lo;
e) a FFM deverá ser inspecionada em uma oficina credenciada uma vez
ao ano ou a cada seis meses, na hipótese de execução de mais de 150
mergulhos ao ano;
f) recomenda-se a inspeção periódica da válvula
de exalação contra sujeira ou danos, substituindo-a se necessário;
g) a cada 20 ou 30 mergulhos recomenda-se também a lubrificação dos
o-rings dos plugs P-port com graxa de silicone;
h) a cada dois anos de
uso devem ser substituídos os o-rings dos clipes de nariz e a
válvula de exaustão.
VI) Equipamentos adicionais recomendados
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a) BOV – Bail Out Valve
O uso de uma BOV (Bail Out Valve) em conjunto com a
FFM facilita em muito a saída do sistema de circuito fechado para OC
Bail Out, podendo salvar uma vida em situações de stress, pois a
passagem para OC se dá apenas pela simples atuação em uma manopla
situada na parte da frente da válvula. Uma vez acionada a manopla,
passa-se a respirar em OC de um segundo estágio integrado. Há
diversos fabricantes de BOV no mercado, entre os quais podemos citar a
Golem Gear, Tecme, Divematics, ISC, Kiss, Rebreather Lab, JJCCR.
Na aquisição de uma BOV será necessário verificar a sua
compatibilidade com o sistema de fixação nas mangueiras corrugadas
do rebreather (Clamped ou Threaded), bem como a sua compatibilidade
com a própria FFM (P-port ou não). Deve-se também pesquisar sobre a
resistência respiratória do conjunto, que é de vital importância
para evitar a retenção de CO2 quando se respira em OC através da
válvula.
Há alguns modelos no mercado, como a Golem Gear
Vario, que possuem grande flexibilidade operacional, podendo ser
desmontadas e transformadas em minutos numa DSV, com ou sem conexão
para P-port, permitindo também a inversão do fluxo de gás das flap
valves (válvulas direcionais). Cabe ao usuário realizar uma pesquisa
antes da aquisição, tendo em vista as suas necessidades.
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b) Fonia OTS
O sistema de fonia da OTS permite a conversação entre
mergulhadores e entre eles e a superfície. A maior parte das
máscaras disponíveis é compatível com o sistema. A adoção de um
estação de superfície na embarcação pode ser de extrema valia em
mergulhos de busca-resgate e exploratórios.
Estação de superfície e mergulhador militar com FFM AGA,
fonia OTS e rebreather Mk 16. Na extremidade direita uma FFM
Drager Panorama sendo preparada para receber o sistema de fonia
da OTS. |

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c) Narked 90 P-port Adapter
Esse dispositivo é de extrema valia para uso com a FFM Drager
Panorama. Através dele, nos cenários de coquetel cáustico sem
contaminação da FFM e falha total da máscara, será possível
retirá-la, recuperar a meia-máscara reserva e continuar o mergulho
em circuito fechado.
Além disso, poderá ele ser fixado no regulador Apeks com P-port com o fim de doar gás ao dupla em OC ou mesmo
respirar através desse regulador em OC Bail Out.
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d) Engates rápidos (QDs)
Os engates rápidos de baixa pressão são de grande valia para a
conexão de fontes de gás off board no sistema de respiração da FFM
(BOV, DSV ou regulador com P-port), permitindo a troca de gases na
descompressão em OC.
Os mais utilizados pelos mergulhador de rebreather
são o Swagelock QC 06 e os fornecidos pela OmniSwivel International.
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e) Manifolds
Alguns mergulhadores optam por utilizar em seu sistema manifolds de
baixa pressão para a distribuição do gás entre a BOV, 2o estágio
com P-port, asa, ADV e MGB.
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f) Regulador Apeks com encaixe P-port
Permitem o uso de uma segunda fonte de gás conectada em conjunto
com a DSV ou BOV do rebreather na FFM Drager Panorama. Podem ser
usados ainda nos cilindros de bail out. Alguns mergulhadores optam por
deixá-los conectados permanentemente na FFM, permitindo assim a adição
de gás diluente no loop e a realização de respirações de sanidade
através do nariz.
Alguns mergulhadores alegam que a adoção desse regulador
conectado à porta secundária da Drager Panorama poderá permitir o
auto-resgate do mergulhador caso ele seja vitimado por um ataque
convulsivo em razão da intoxicação do SNC pelo oxigênio e na fase
pós-ictal recubra a sua consciência.
Para permitir o uso desse regulador por um dupla sem FFM, será
possível fixar sobre o macho do P-port um bocal padrão. Essa medida
é positiva também em razão da proteção que o bocal proporciona ao
o-ring do P-port.
g) HUD stalk estendido para o rebreather Megalodon
Usando uma FFM normalmente a posição das
válvulas de respiração (DSV ou BOV) ficam mais recuadas e numa
posição mais baixa em relação ao campo visual do mergulhador.
Assim, a visualização do HUD (Head Up Display) do rebreather, que é
fixado entre as corrugadas e a DSV\BOV, fica prejudicado.
Para resolver essa questão, a Innerspace Systems
já fornece um suporte do HUD (Hud stalk) estendido para o uso do
rebreather Megalodon em conjunto com a FFM Drager Panorama. O correto
posicionamento do conjunto fornece uma visualização perfeita do HUD,
sendo altamente recomendável a sua aquisição.
h) Válvulas inline shutoff
As válvulas de shutoff devem ser adicionadas à
admissão de gás da BOV e do 2o estágio com P-port
conectado a entrada de gás secundária da FFM. Elas tem a função de
permitir a interrupção do fluxo de gás em caso de free flow da
válvula de demanda do segundo estágio.
O seu uso em conjunto com as fontes de gás
conectadas à FFM é quase que obrigatório, pois havendo necessidade
de remoção da máscara, elas devem ser fechadas e assim não haver
free flow. Caso contrário, todo o gás conectados a essas fontes pode
ser perdido rapidamente.
VIII) Conclusão
A adoção de um sistema de FFM no rebreather pode
apresentar mais vantagens do que desvantagens. Após a seleção
correta dos equipamentos a serem usados e de um bom treinamento, o
sistema funciona a contento, protegendo o mergulhador contra vários
riscos inerentes ao mergulho CCR, além de ser extremamente
confortável. Para a execução de mergulhos extremos de tempo e
profundidade torna-se um item indispensável para minimizar os riscos
desse tipo de imersão.
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