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Ecoturismo X Esportes praticados na natureza
Segundo o "Aurélio":
Turismo - Viagem ou excursão feita por prazer, a locais que despertam o
interesse.
Turístico - Destinado a turismo ou turistas, ou relativo a eles.
Esporte - O conjunto de exercícios físicos praticados com método,
individualmente ou em equipe.
Esportivo - Que é dado à prática do esporte.
Fica clara a diferença existente entre o turista e o esportista:
Um turista em visita à cidade de São Paulo, poderá ir até o Parque do
Ibirapuera e provavelmente gostará de ter a companhia de um guia, que lhe conte
as particularidades daquele local, quem foi o responsável pelo projeto, a que
se destinam os espaços e construções. Provavelmente este turista não volte
mais ao parque, e se o fizer, provavelmente será com finalidade diferente de um
"tour".
O esportista que frequenta o parque poderá ir lá duas ou três vezes por
semana para praticar seu esporte (corrida, ciclismo, basquete, etc.), ele não
precisa de um guia, mas poderá precisar dos serviços de um treinador.
Muito antes de existirem quadras e academias, o homem já vinha praticando
atividades esportivas na natureza e hoje em dia estas atividades são chamadas
de esportes de aventura. O turismo também tem sua versão praticada na
natureza, o ecoturismo. Não podemos confundir as duas atividades, apesar de que
em alguns momentos pode ficar difícil para o desavisado diferenciá-las. Vamos
tentar separa-las através de exemplos:
- Rafting - descida de rios e corredeiras utilizando-se botes infláveis,
remos e demais equipamentos de segurança. É um esporte, existem
federações e campeonatos, porém em certo momento começou a ser oferecido
como opção de programa ao ecoturista. Então como diferenciar o ecoturista
do esportista ?
O ecoturista não tem pré-requisito além de sua
disposição, pode ser que ele nunca tenha ouvido falar antes em rafting,
mas comprou o programa e agora está lá, recebe um briefing dos
guias/instrutores e é conduzido por eles, tendo que se preocupar apenas em
segurar bem nas cordas laterais. E, depois de se divertir, é provável que nunca mais apareça naquele rio. O esportista de
rafting fez curso para aprender a tocar o bote e tudo o mais que se precisa
saber para praticar a modalidade. A atividade faz parte de sua vida e com
sua equipe visita com frequência os mesmos lugares de treino para
aprimorar suas habilidades de forma autônoma e independente.
- Espeleologia vertical X rapel – O rapel nunca foi um esporte em si, mas
parte de esportes verticais como escalada, canioning e espeleologia
vertical. O ecoturista pode comprar um programa de visita a cavernas que
tenha como opcional um rapel. Como no exemplo anterior o turista não tem
pré-requisito, recebe um briefing e dois guias fazem o resto, ficando um em
cima para "montar" o cidadão e outro em baixo, para puxar a corda
e frear uma descida muito rápida, No final do rapel, o turista sai andando
da caverna. Por outro lado, a espeleologia vertical esportiva habilita o
cavernista e sua equipe, através de cursos e treinamentos, a visitar de
forma autônoma e independente abismos, cavernas verticais onde a única
forma de sair é subindo as cordas por onde se desceu.
Este tipo de analogia pode ser feito com grande parte dos esportes praticados
na natureza, mas seguramente isto não acontece no mergulho em cavernas. Não
existe a possibilidade de um ecoturista comprar um opcional "mergulho em
cavernas".
Uma pessoa que queira fazer um mergulho autônomo em uma
caverna, no primeiro nível (Cavern) no mínimo teve que fazer um curso básico
de mergulho autônomo com 17 horas/aula prático/teóricas, 4 mergulhos de
treinamento em águas abertas e realizar pelo menos 10 mergulhos OW, fora os
mergulhos de treinamento (algumas certificadoras exigem ou aconselham um curso
Advanced OW , que inclui mais 14 horas/aula e mais 5 mergulhos de treinamento).
Com este pré-requisito o candidato poderá participar do curso Cavern, que
prevê pelo menos dois dias de aulas prático/teóricas além de 4 mergulhos de
treinamento, alguns realizados em águas abertas outros no limite do
treinamento, que é 40 m lineares da superfície, respeitando-se o limite de
profundidade de 21 m, restrições proibidas neste nível, considerações de
equipamento etc.
Os temas tratados nos cursos de mergulho em cavernas incluem
tópicos como Formação de cavernas, Preservação do meio ambiente, Relações
com proprietários de terras, Parques públicos e privados, Análise de
acidentes e muitos outros. Como todos sabem, cada nível acima vai exigir mais
teoria/prática e mergulhos de treinamento.
Resumindo:
Ecoturismo: Modalidade de turismo praticada na natureza que não exige
pré-requisito, além da disposição do participante. Exige a presença de
guias especializados. Os cenários nesta atividade são visitados na grande
maioria das vezes por ecoturistas diferentes.
Esporte praticado na natureza: O praticante tem que, obrigatoriamente, participar de cursos preparatórios, onde são tratados
temas como características do ambiente e sua preservação, equipamentos,
técnicas, procedimentos gerais, segurança, procedimentos de emergência, além
de treinamento prévio em ambiente controlado, sob supervisão de um ou mais
instrutores credenciados na atividade. Apesar dos praticantes almejarem lugares
novos para praticar, estão sempre voltando aos seus locais habituais de treino,
determinado cenário visitado pelos mesmos esportistas.
Então não existe, no ambiente de cavernas, ecoturismo com mergulho ?
Em ambientes cavernícolas "sob teto" não existe "descubra o
mergulho em cavernas", o que existe, e aí sim pode ser encarado como
ecoturismo, é a flutuação ou snorkeling, praticados em lagos e rios com
espaço aéreo acima da linha da água, atividade na qual o turista não utiliza
equipamento "scuba", apenas máscara e respirador de mergulho, mais um
colete salva-vidas que o impede de submergir, sendo ainda guiado por um ou mais
monitores locais.
Jose Barroco Tuta
Drica Castro
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