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O Márcia
Localizado entre a Ilha
de Pau a Pino e a enseada de Palmas na Ilha Grande, se encontra o
naufrágio do Márcia, que afundou devido ao mau tempo em 1953.
Apesar de constar na carta náutica da
região, este naufrágio não é visitado por operadoras de mergulho ou
mergulhadores em geral.
Assíduo mergulhador de
naufrágio e atento à detalhes, Carlos Bersan foi o primeiro a me falar
sobre a existência deste navio e sua vontade de explorá-lo.
Sabendo das dificuldades e
necessidades práticas que uma busca como esta demanda, aguardamos cerca de
dois anos até que tivéssemos à nossa disposição uma lancha rápida com
uma eco sonda de primeira geração.
A embarcação utilizada foi
a lancha rápida do Bersan, uma utility boat de 22 pés com motor de 100 HP
que se mostrou ideal para a empreitada, devido a sua velocidade e facilidade
de manobras.
Definimos como ponto de
partida as coordenadas apresentadas na carta náutica, que se mostraram com
uma quota de erro bastante aceitável.
Fazendo o uso da sonda e do
GPS, e cerca de uma hora e meia de procura, fizemos nossa primeira descida,
que atingiu a profundidade de 18 metros mas se mostrou infrutífera.
A leitura de uma tela de
sonar exige prática e atenção, pois as informações apresentadas na tela
podem nos confundir.
Decidido a encontrar o navio,
o Bersan iniciou uma nova varredura e num novo ponto me ordenou que fosse
jogada a bóia de marcação.
Passado algumas horas desde o
início das buscas e preparando para mergulharmos novamente, o mau tempo
resolveu dar o "ar da graça", nos avisando que a nossa caçada
estava por acabar.
Zé Luís iniciou o mergulho
que localizou os destroços a 17 metros de profundidade. Logo me juntei a
ele e após uma rápida visualização e fixação de nossa âncora,
emergimos para dar a boa notícia e iniciarmos o mergulho em grupo.
A visibilidade era cerca de
um metro e a água, fria. O navio tem casco de aço e está apoiado em um
dos bordos, o qual não foi possível identificar. Pela extensão do navio
pudemos observar vários buracos no casco e a impressão que tivemos é que
o Márcia não é um navio pequeno.
Talvez em condições de
mergulho mais favoráveis, estes buracos no casco possam oferecer pontos
de penetração. É possível ver vários restos de redes de pesca, que
cobram dos visitantes do Márcia uma dose extra de atenção.
Agradecimentos aos
participantes José Luiz, Marcos Alvaredo, Fernando Sacola e Bersan.
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