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A estranha
carga do Navio do Breu
Para os que visitam o Navio
do Breu em Paraty, vê espalhadas por toda a extensão do navio,
centenas de garrafas verdes e retangulares com os escritos "João
da Silva Silveira, Chim Pharm, Pelotas, Rio Grande do Sul", é fato
comum.
Infelizmente, por muito
tempo, a identidade do navio e de sua carga tem sido um mistério. Até
mesmo os barris de breu, que deram nome ao navio, intrigam alguns
visitantes, que acreditam que eles sejam de cimento.
Um grande passo foi
dado em direção da descoberta da identidade deste navio e sua
história: O conteúdo das garrafas foi identificado !
João da Silva
Silveira, que era filho bastardo do filósofo alemão Friedrich
Nietzche, presidia uma seita neo-Nietzschiana, que também era
conhecida como a Igreja Universal da Nogueira, Salsa, Caroba &
Guáiaco e mundialmente chamada de Guaiacum Sanctum Universalis.
Esta seita, tinha
como principal cerimônia transcedental, a ingestão diária de
altas doses de um elixir depurativo do sangue, que mesclado com
doses igualmente altas de credulidade e desapego material, prometia
a cura de todos os males degenerativos da humanidade.
No fim do século 19, a
sífilis era a principal ameaça a integridade do Super Homem que a
seita desejava formar e contra este mal todas as armas eram de grande
valia.
Entre as práticas
esotéricas desta seita, constava a "Contemplação do Vazio",
que era conhecida como a disciplina dos sentidos visando nada sentir.
O ritual era feito da
seguinte maneira: Construía-se porões individuais, cavados seis metros
abaixo da superfície. As paredes pintadas em um tom de preto intenso.
Permaneciam nestes templos seis semanas a fio, na ausência absoluta de
luz e som, ingerindo tão somente o famoso elixir. Com o passar dos
dias, pela ação química do guáiaco, as papilas degustativas
adormeciam.
Um escurecimento súbito
da vista era previsível a partir do sétimo dia. Entre os súditos mais
fervorosos, era recomendada a fricção constante, por todas as partes
do corpo, de um bálsamo preparado a base de codeína, com a finalidade
de amortecer a sensibilidade táctil.
Este era o uso do
conteúdo das famosas garrafas do Navio do Breu. Após mais de cem anos,
as garrafas continuam criando efeitos semelhantes nos que as encontram.
Uns
"viajavam" bebendo o conteúdo, outros tentando descobrir
o que tinha dentro !
A descoberta desta
história traz à tona alguns dos sentimentos que são reservados aos
mergulhadores de naufrágio: A emoção da descoberta e o contato
com uma época há muito esquecida...
Mais pesquisas estão
em andamento para que o Navio
do Breu receba novamente sua denominação original.
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