Artigos: O Bellucia
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O Bellucia

John Bell iniciou sua companhia de navegação em 1878 na cidade inglesa de Ayr, com apenas um navio. Em 1888 mudou-se para a cidade de Glasgow e sua empresa foi renomeada como Bell Bro´s & McLelland e o "Bellucia" foi o primeiro navio feito para a nova companhia.

Construído em 1888 pelo estaleiro D & W Henderson,também localizado em Glasgow, o "Bellucia" tinha cem metros de comprimento e deslocava 2715 toneladas. Foi motorizado com um motor de tripla expansão e duas enormes caldeiras principais.

A rota principal da Bell Bro´s & McLelland era Hamburgo / Antuérpia para o Mediterrâneo e portos diversos no Mar Negro. Os maiores navios da companhia, como o "Bellucia," eram empregados em rotas para a Índia, Extremo Oriente e portos da América do Sul.

Durante uma viagem entre Santos e Nova Orleans, o "Bellucia" naufragou próximo à Ilha Rasa em Guarapari, no dia quinze de Fevereiro de 1903. O navio tinha em seus porões carga variada, incluindo café e maquinaria diversa.

O "Bellucia" é o naufrágio mais conhecido e visitado de Guarapari. O mergulho é feito em duas partes pois o navio se partiu em dois. A proa e a popa, que se distanciam cerca de cem metros uma da outra.

A popa ainda mantém muito de sua integridade e é a parte mais procurada do navio. É possível ver o hélice, leme, casa de máquinas e bem mais na frente uma grande caldeira principal e uma caldeira auxiliar ao lado. A profundidade gina na faixa de 27 metros e há muita vida marinha no local.

Já na proa, menos visitada mas igualmente interessante, podemos ver uma âncora Almirantado, a proa em si, ainda está em bom estado e lá estão os cabeços de amarração, guinchos, pau de carga e porões. Um pouco mais a frente fica o que restou da cabine do navio com os locais onde ficavam as portas e escotilhas ainda bem visíveis.

Continuando o mergulho, alguns tijolos refratários precedem a segunda caldeira principal do navio. O "Bellucia" possui as maiores caldeiras que já pude ver em um naufrágio !   São imperdíveis.

A presença de caldeiras em ambas as partes do naufrágio, nos leva a crer que a sala das caldeiras foi onde o navio se partiu.

Normalmente há uma forte corrente marinha no local, e o ideal é tentar mergulhar no "estofo" da maré,  quando esta corrente fica mais fraca. Ao mergulhar no "Bellucia", não se esqueça de levar acessórios de sinalização visual (Salsicha Sub) e sonora (Dive Alert).

Inspirados por um mergulho de ligação entre naufrágios que realizamos em Janeiro deste ano no Rio de Janeiro (Veja a matéria Travessia Galeão – Buenos Aires), tentaremos realizar no próximo verão, um mergulho de ligação entre a proa e a popa do "Bellucia".

Este mergulho contará com a participação de mergulhadores técnicos nível Nitrox Avançado e terá cobertura do Brasil Mergulho.com  Aguardem !

Agradecimento ao Júlio Yaber e a operadora Atlantes pelo excelente serviço prestado.

 

Foto: Bellarden imão gêmeo do Bellucia
Cedido por: Rodrigo Coluccini

Fotos: Clécio Mayrink

Cabine de Comando


Hélice do navio


Rodrigo Coluccini, Nascido em Belo Horizonte, mergulha desde 1988. Formou-se como instrutor PDIC em 1992. Mergulhador Técnico pela IANTD e seu hobby principal é mergulhar em naufrágios. Realiza diversos estudos e pesquisas sobre naufrágios da costa brasileira e de diversas partes do mundo.

Se tornou o pioneiro na divulgação em larga escala de informações e imagens de naufrágios do Brasil, através da disponibilização de dados sobre naufrágios e o lançamento do Deco Stop Vídeo, parte integrante da Revista Deco Stop, onde é editor, e co-autor do Manual de Naufrágios da PDIC.

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