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Do Galeão
ao Buenos Aires
Uma das marcas registradas do
mergulho na cidade do Rio de Janeiro é o naufrágio do Paquete Alemão
Buenos Aires que chocou-se com a Ilha Rasa em 1890. Apesar de desmantelado, ainda
há muito para se ver do navio e a prova disto é a legião fiel de
mergulhadores que o Buenos Aires vem acumulando durante anos.
O navio encontra-se na
profundidade de doze à quarenta metros e seu perfil de mergulho agrada aos
mergulhadores recreativos e técnicos. Há poucos anos, começou a
ser comentada a existência de um outro naufrágio próximo ao Buenos Aires
chamado popularmente de "Galeão".
O Galeão recebeu este nome
porque no local foram encontrados vários artefatos antigos que parecem
pertencer à época que este tipo de navio existiu. Apesar de ser uma área
enorme, com a profundidade variando entre vinte e dois e trinta metros, não
existe o corpo de um naufrágio.
Com o tempo, foram
encontradas no "Galeão", peças de épocas diferentes, ossos e
cartuchos. A presença de itens pertencentes à navios à vapor e outros
utensílios do final do século dezenove levantam a suspeita de que o
"Galeão" seja em parte restos do Buenos Aires, que se encontra à
cerca de quatrocentos metros da laje. As condições de mar no local e os
trabalhos de demolição realizados no Buenos Aires na década de sessenta
reforçam esta teoria.
Há relatos de batalhas
navais próximas ao Rio de Janeiro, alguns dizem que o Corsário Fournier
perdeu um navio próximo à ilha Rasa e existe o registro do naufrágio do
Iate brasileiro Ferreira Primeiro que acidentou-se nesta mesma área em
1869. Infelizmente, não é
possível confirmar a relação destes fatos ao "Galeão". A "área chamada de
Galeão" é um mistério a ser desvendado.
No início de 2001, escutei
uma proposta de mergulho tentadora e imperdível: Realizar um mergulho de
ligação entre o "Galeão" e o Buenos Aires.
Esta idéia sensacional veio
de meu amigo e colaborador do Brasil Mergulho.com, Paulo
Tessarollo. O Tessa - como é conhecido - juntamente com nossos amigos
Lelis e Clarice, estavam realizando há algum tempo, com sucesso, este
mergulho.
A profundidade do mergulho de
vinte e dois a trinta metros, a distância de cerca de 450 metros entre o
ponto de origem e chegada, a presença de correntes marinhas e água fria
significavam uma probabilidade de erro muito grande para uma navegação
submarina. A solução foi cabear o
trajeto, utilizando uma carretilha com 500 metros de cabo, chumbadas de
pesca e marcações GPS.
Há muito ansiosos por ver e
participar deste mergulho que denominamos de "A TRAVESSIA", eu e Clécio
Mayrink nos juntamos ao Tessa, Lélis e Clarice em Janeiro de 2002 para
realizarmos esta operação.
Chegando à ilha Rasa, à
bordo do Trawler "É Verdade", nos posicionamos na marca GPS do
Buenos Aires, onde jogamos a primeira bóia de marcação lastreada e
começamos a descarregar a carretilha em direção ao "Galeão".
Para evitar que o cabo bóie,
são fixados à ele chumbadas de pesca para que o mesmo fique no fundo.
Chegando à marcação do Galeão, uma nova bóia com lastro é jogada e se inicia a equipagem para o
mergulho.
Começamos a
"Travessia" no sentido Galeão – Buenos Aires. O Buenos Aires
por ter um perfil multi-nível é a melhor opção como ponto final desta
operação.
Durante a travessia, é
possível visualizar diversos itens, muitos deles enterrados. Após cerca de quarenta
minutos de mergulho e muita expectativa, atinge-se o Buenos Aires e a fase
final da nossa viagem, aproveitando a diminuição gradual da profundidade e
a beleza que só um naufrágio como o Buenos Aires pode oferecer.
Devido às características
deste mergulho como: Tempo de fundo, profundidade, presença de correntes e
água fria, a "Travessia Galeão – Buenos Aires" deve ser
realizada por mergulhadores técnicos com certificação mínima de Nitrox
Avançado.
O uso de misturas gasosas é
recomendado e a probabilidade de descompressão à deriva é grande.
Considere estes fatores e BOM MERGULHO !
Meus parabéns aos criadores
deste mergulho: Paulo Tessarollo, Eduardo
Davidovich, Lélis J e Clarice Couto
pela iniciativa, companheirismo e simpatia.
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