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A história dos Liberty
Ships / Operação Elihu B. Washburne
Até meados da década de 30, os navios
mercantes não diferiam muito de seus antecessores da época da 1ª Guerra
Mundial, mas com o Ato de Marinha Mercante de 1936, o governo
norte-americano criou a Comissão Marítima de Marinha Mercante, iniciando uma
política de renovação de sua frota mercante. Dentro desse conceito,
pretendia-se construir navios de bandeira americana com a maior variedade de
tipos, melhores equipamentos, condições de segurança e etc. Os primeiros
resultados vieram vieram nos novos navios da classe C 2, que tiveram 20
unidades construídas, sendo sua primeira unidade, o Donald McKay, lançado ao
mar em 22 de abril de 1939.
Com o aumento da tensão política
na Europa e o inicio da 2ª Guerra Mundial em 1939, culminando com a
estratégia alemã de guerra submarina contra a frota aliada de navios
mercantes, foi enviada uma comissão naval inglesa, em 1940, aos Estados
Unidos para se encontrar com o Contra Almirante Emory Scott Land, (presidente
da Comissão Marítima de Marinha Mercante dos EUA) e com diversos proprietários
de estaleiros, a fim de acertarem a construção de um projeto inglês de
navio cargueiro a curto prazo, a classe Ocean. Ao mesmo tempo em que contribuíriam
para acelerar o processo de renovação da Marinha Mercante Americana, que no
inicio de 1941 possuía 1422 navios registrados sob bandeira americana, sendo
que 92% já tinham mais de 20 anos de serviço, a maioria desses navios ainda
nem eram capazes de desenvolver mais de 11 nós (velocidade mínima
operacional necessária para navios mercantes em época de guerra). Baseado
nesses dados, a Comissão Marítima de Marinha Mercante ordenou a construção
de 200 navios de varias classes, em especial a classe C2 americana, para reforçar
a frota mercante. Mas, com a súbita entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra
Mundial em setembro 1941, os navios de bandeira norte americana se
transformaram em alvo preferencial dos torpedos alemães.
O crescente e
aparentemente inevitável aumento das perdas de navios mercantes americanos e
aliados, tornou o Ato de Marinha Mercante de 1936 rapidamente impraticável,
uma vez que ele havia sido planejado para ser executado em tempos de paz. não
prevendo a reposição das perdas causadas pelos ataques inimigos.
A partir desse momento, novos
projetos de construção foram apresentados, de modo a encontrar um meio termo
para a construção de navios em massa que fossem ao mesmo tempo baratos,
relativamente modernos e de construção rápida. Após várias propostas
apresentadas pelos engenheiros de diversos estaleiros, decidiu-se pela própria
classe Ocean, já que o contrato inicial previa a utilização desse projeto
pelos americanos. Apesar de aceita, a decisão gerou muita controvérsia sobre
a possibilidade de ser a classe Ocean construída em massa, pois alguns
engenheiros alegavam que o casco era complexo demais. Coube ao Almirante Land
a decisão final: os projetos da classe Ocean seriam copiados, melhorados e
adaptados para os padrões americanos de construção naval. Esses trabalhos
foram encabeçados pelo engenheiro naval Willian Francis Gibbs. Os planos
adaptados deram origem ou design da classe Liberty.
Não havia ilusões quanto a finalidade desses navios, eles seriam
feitos para a guerra e poderiam ser sacrificados em caso de necessidade.
Em relatórios da Comissão Marítima ao Congresso Nacional Americano,
os Liberty's foram descritos como "navios de cinco anos de vida
útil", que se caso sobrevivessem aos riscos da guerra poderiam ter
suas vidas estendidas, e como o próprio Almirante Land disse em 1943:
"Eles (os Liberty) são um produto para uso na guerra, podem
carregar tanques, caças, caminhões, tropas, munições, enfim qualquer
tipo de carga e se forem afundados, terão servido ao seu
propósito".
Seu sistema de propulsão era o mais simples possível, para poder
disponibilizar recursos para sistemas de propulsão para navios mais
importantes, e apesar dessa limitação, os Liberty possuíam velocidade
e raio de ação suficiente para acompanharem os comboios que cortavam o
Atlântico levando os suprimentos vitais para a Europa. Popularmente,
dizia-se que se um Liberty fizesse uma única viagem com sucesso, o
navio já teria sido pago. Na época, o então presidente
norte-americano Franklin D. Roosevelt apelidou os Liberty como
"Patinhos Feios", ou também eram conhecidos mais popularmente
nas docas americanas como "Vacas".
O primeiro dos "Patinhos Feios" a ser construído
foi o Patrick Henry, pelo estaleiro Bethlehem Fairfield Shipyard Inc. de
Baltimore/MD, sendo lançado ao mar em 27/09/1941 e entregue em 30/12/1941,
estabelecendo um novo recorde no tempo de construção para navios de sua
tonelagem. Devido às necessidades impostas pela guerra, os esforços de
construção eram cada vez mais intensificados, levando a uma sistemática
quebra de recordes. O ápice veio com o Robert E. Peary construído pelos
estaleiros Oregon Shipbuilding Corporation de Portland / Oregon, que teve sua
quilha batida a 00:00 hs do dia 08/11/1942, sendo lançado ao mar em
12/11/1942, apenas 4 dias e 15:30hs após iniciada a construção, o
acabamento e as provas de mar levaram mais 3 dias e meio e finalmente no dia
15/11/1942, ou seja pouco mais de 8 dias após o batimento da quilha, o Robert
E. Peary deixava o estaleiro para seu porto de carregamento pare em seguida
iniciar a sua primeira viagem para a Europa, sem sombra de dúvida, um recorde
que provavelmente vai demorar muito para ser quebrado.
No total, as encomendas da classe Liberty chegaram a 3140
unidades, porém até o final da guerra somente 2710 haviam sido completados,
em cinco diferentes versões, sendo que o restante da encomenda foi cancelada,
mesmo assim a classe Liberty tornou-se a maior classe de navios já
construída na história (outro recorde ainda não batido). O último Liberty
a ser construído foi o Albert M. Boe, entregue em 30/10/1945. O custo de
construção de um Liberty durante a guerra variou entre U$ 1.543.000,00 e
2.099.000,00.
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Em sua nomenclatura a Comissão
Marítima
de Marinha Mercante os designou EC2-S-C1,
sendo: |
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E
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Emergeny (Emergência) |
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C
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Cargo (Cargueiro) |
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2
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Numer of Identification of
Size
(Número de identificação do tamanho do navio) |
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C1
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The Particular Design of The
Vessel (A classe do Navio) |
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Os
Libertys carregavam 10.865 tons de carga, capacidade equivalente a 300 vagões
ferroviários, ou 2.840 jeeps, ou 440 carros blindados leves, ou 230 milhões
de cartuchos de fuzil, mas não raramente seus imediatos encontravam espaços
no plano de carga e embarcavam além da linha de flutuação dos navios, que
se faziam ao mar completamente abarrotados.
Apesar de serem navios construídos para
fins emergenciais, os Libertys incorporaram várias
inovações em seu projeto, e que passaram a fazer parte dos
projetos de quase todas as classes de navios mercantes do pós
guerra, tais como:
- Otimização do espaço para acomodação de cargas no
convés, com a eliminação das "quebras" de espaços;
- Convés de aço, ao invés dos de madeira usados na
classe Ocean;
- Escadas de acesso direto aos porões de carga, não sendo
necessário abrir os tampões do tween deck, para acessá-los;
- Desenvolvimento de seu contra leme, aumentando sua
capacidade de manobra e diminuindo os custos de construção em 40% em
relação aos navios da classe Ocean;
- Superestrutura com sistemas de ventilação e
aquecimento;
- Instalação de ecobatímetros), piloto automático e
modernos equipamentos de rádio comunicação;
- Passadiço coberto e aquecido, ao contrário da grande
maioria dos navios da época, que possuíam passadiços abertos ou nos
tijupás, pois na mentalidade dos armadores da época o oficial de quarto e o
marinheiro de serviço poderiam adormecer devido ao conforto de passadiços
protegidos das condições climáticas;
- Acomodações para a tripulação na superestrutura,
diferente das outras classes, aonde a maioria da tripulação ficava alojada
nos castelos de proa e popa, sendo obrigada a atravessar o convés para as
refeições e para render serviço, independentemente das condições do tempo
e do mar;
- Camarotes individuais para os oficiais providos de água
corrente em pias, a guarnição era acomodada em camarotes para 4 marinheiros,
o navio ainda possuía chuveiros, um verdadeiro luxo para a época. Tanto os
oficiais, os suboficiais e as praças possuíam seus próprios refeitórios
providos de refrigeradores;
- Os alojamentos dos artilheiros ficavam na popa, em
camarotes para 6 ou 8 militares, com exceção de um camarote, que por
segurança ficavam na superestrutura, no caso da popa ser atingida, não se
perder todos os artilheiros de uma só vez;
- Extrema facilidade de operação da praça de maquinas
por parte dos maquinistas, que com o mínimo de treinamento podiam operá-las
facilmente.
Os Liberty foram as mulas de carga da 2ª Guerra Mundial, era muito
difícil não se ver um desses navios embarcando ou descarregando nos
maiores portos livres do mundo, dos 2.710 navios construídos 240 foram
perdidos, por afundamento, encalhes, incêndios ou acidentes. Os navios
remanescentes, cerca de 910, foram vendidos ou cedidos a armadores ao
redor do mundo, sendo que 3 deles serviram sob bandeira brasileira, o
resto foi vendido para desmonte logo ao final das hostilidades.
Liberty Ships naufragados no Brasil / Operação Elihu
B. Washburne
Pelo que se sabe, quatro Liberty
Ships afundaram no Brasil:
- Maringá, afundado em 16 de junho de
1969 na posição 11' 30" S / 37' 15" W,
quando em viagem e completamente carregado de sal do
porto de Areia Branca-RN para o porto de Santos-SP;
- Willian Gaston em 23/04/1944 na costa
sul do Brasil, o Marcus Whitiman em 08/11/1942 no GPS
5º 40' S / 32º 41' W afundado pelo submarino italiano
Da Vinci;
- Richard Caswell, afundado pelo
submarino U-513
no GPS 28º 10' S / 46º 30 W;
E o Elihu
B. Washburne torpedeado pelo submarino
alemão U-513 em 3 de julho de 1943, sendo
batizado com o nome de um
congressista americano (1816-1887).
O Mergulho
Este
ano, uma equipe de mergulhadores técnicos organizou uma operação com
destino ao um naufrágio conhecido como sendo o Elihu B.
Washburne, mais precisamente na costa
de São Paulo, entre a Laje de Santos e a
Ilha de
Alcatrazes, nas proximidades da cidade de Santos-SP, mais
há um detalhe importante a ser mencionado.
Até hoje não há uma certeza se
realmente este naufrágio seria realmente o Elihu B.
Washburne, tese esta levantada em virtude de terem sido
encontrados por um grupo de mergulhadores, alguns cartuchos de munição anti-aérea
normalmente utilizadas nas metralhadoras dos Liberty
Ships e uma metralhadora
anti-aérea em um outro naufrágio denominado Campos,
levrando a crer, que os nomes estariam trocados.
A preparação
A base da
equipe foi montada em Santos, acordando as 5h da manhã para tomar o café e ir para
o cais montar os equipamentos.
Participaram da operação o
Johnny, Sérgio Lobo, Lelis Couto,
Paulo Tessarollo (Tessa), Daniel Romio, Boaz Teixeira, Dino
Aragão, Eduardo Davidovich (Doc) como equipe de mergulho, e
como Staff Clécio Mayrink, Luizão da ATM
Diver e Luiz Augusto.
O dia ia clareando,
equipamentos sendo montados lentamente e colocados no
barco da ATM Diver. Todo o planejamento foi realizado na noite
anterior, prevendo as paradas descompressivas e todos os
procedimentos necessários. Saímos em
direção ao naufrágio e navegando as 50 milhas (93 Km) em
3:30h com um mar bem tranquilo, passando por uma forte chuva
que nos trouxe dois arco-íris no céu parcialmente nublado.
A equipe do Wreck
Expedition Team - WET, fez uma entrevista com Johnny, como
segue abaixo:
WET:
Johnny, qual é a profundidade local e quanto vocês pegaram
de visibilidade ?
Johnny:
O naufrágio está
entre 44 e 66m de profundidade e pegamos uma visibilidade de 30m até os 50m de profundidade, caindo para os 3m no fundo.
Quando foi encontrado o naufrágio,
houve uma certa confusão na identificação, inicialmente
pensou-se ser o Campos. Por quê ? Não
haviam sido encontradas referências do nome no casco ?
Ao que me consta, ele foi
achado em meados de 1997 por pescadores que perderam sua redes
enroscadas nele. O primeiro a mergulhar nele foi o Gilberto
Menezes (Gil), depois disso o Sérgio Lobo fez alguns mergulhos
junto com Afonso, João Paulo, Maurício Andrade, Gustavo
Salum e o Akira. Ele ainda não está identificado, assim como o
Campos
também não foi. Ainda não se achou nada que realmente
confirmasse qual é qual.
Trata-se de um
Liberty Ship, uma estrutura muito grande. Deve ter sido
difícil mapeá-lo, desenhar e explorar a estrutura. Isso já foi
concluído ou ainda está na fase de reconhecimento ?
Com relação a mapeamento, eu
não fiz nenhum e não sei se há alguma equipe fazendo. Sei que
é um barco muito grande, pois com 30 min de fundo acho que não
fiz 1/5 dele. Pode-se dizer que ainda o estamos
descobrindo.
Foi identificada
alguma peça do navio ?
Foi encontrada
uma garrafa de vidro e estamos tentando identificá-la.
Como se
encontravam as estruturas e alguma delas oferecia perigo ?
Não que
tenhamos visto. A área em que mergulhamos, está com partes
inteiras, mas ele está semi-desmantelado.
Outro ponto importante
Segundo Eduardo Davidovich
(Doc), foram vistas durante o mergulho, chapas de casco rebitadas, e não soldadas como um Liberty Ship é
construído. Sendo assim, mais uma prova de que este
naufrágio pode não ser o Elihu B. Washburne, mas sim, o
cargueiro Campos.
Créditos e agradecimentos:

Esta operadora é uma boa
opção para uma operação no local, devido as dificuldades e
exigências que esta operação requer para ser realizada. A
equipe é profissional e a embarcação está preparada
para mergulho à grande distância.
Wreck
Expedition Team - WET - Gentilmente cederam a entrevista.
Site
Navios Mercantes Brasileiros - Especialmente ao
Marcelo Lopes -
www.naviosmercantesbrasileiros.hpg.ig.com.br
Aos mergulhadores: Paulo
Tessarollo pelas fotos-sub e ao Eduardo Davidovich (Doc) pelas
informações dadas a este artigo.
Fontes de
Consulta: Stewart, I.G. Liberty Ships in
Peace Time
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Um Liberty Ship em ação

O congressista

Eduardo Davidovich
(Doc)

Alcatrazes
Fotos: Clécio Mayrink
 Preparação as 5h da manhã
 Chuvas em alto mar
 Boaz Teixeira e Daniel retornando após uma longa descompressão
 Equipe de apoio aos Deco Markers
 Clécio, Johnny, Dino, Tessa, Boaz e
Luiz

Sérgio Lobo, Boaz Teixeira e Doc
Fotos sub: Paulo Tessarollo

 João Paulo Franco (Johnny)
 Sérgio Lobo
 Parada descompressiva
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