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Vapores de rodas de Pernambuco - Um
mergulho nos primórdios da navegação à vapor
Nomes como "Vapor
Bahia", "Pirapama",
"Vapor de Baixo"
e "Vapor dos 48"
são bem conhecidos pelos mergulhadores brasileiros. Localizados no
estado de Pernambuco, eles possuem algo mais além de serem pontos de
mergulho espetaculares, com muita vida, excelente visibilidade e água
quente.
Todos esses navios possuem o mesmo tipo de
propulsão. Seus motores eram movidos à vapor e suas máquinas
movimentavam grandes rodas de pás localizadas em ambos os bordos e que
transformavam a força gerada em suas casas de máquinas em movimento.
A cidade de Recife, ponto natural de saída para quem
desejar atingir esses naufrágios, é considerada um dos poucos pontos
de mergulho no mundo onde é possível mergulhar em tantos navios deste
tipo, nos transportando aos primórdios da época da navegação à
vapor.
A era da navegação à vapor teve seu início ao
final do século XVIII e o primeiro navio deste tipo que cruzou o oceano
Atlântico foi o "Savannah" em 1819. Este navio à vela foi
equipado com rodas de pás e levou 29 dias para cumprir sua tarefa. O
uso de dois tipos de propulsão, velas e motores, nos primeiros navios
à vapor se fazia por ainda considerarem esses motores pouco
confiáveis, sem falar na dificuldade de se conseguir carvão para
alimentar as caldeiras.
Com o tempo, os navios foram adotando as rodas de
pás e o grande representante deste meio de propulsão foi o navio
britânico "Great Western", com 210 metros de comprimento que
foi lançado ao mar em 1858. Podia acomodar 4.000 passageiros e até os
dias de hoje é considerado uma das maravilhas da construção naval.
As rodas de pás funcionavam relativamente bem quando
o mar estava calmo, porém, as coisas mudavam se o mar ficasse
encarpelado. Dispostas à meia nau em ambos os lados, as rodas saíam da
água quando o navio jogava com o balanço das ondas, tornando a
propulsão ineficaz e gerando dificuldade em realizar manobras.
O
fim da era dos navios movidos a rodas de pás iniciou-se em 1845 quando
foi instalado em um navio de guerra britânico o primeiro hélice. O
nome desse navio era "HMS Rattler".
Para demonstrar a superioridade do hélice, foi
realizado, também em 1845, um "cabo- de-guerra" entre o
"HMS Rattler" e um navio movido à rodas de pás, o "HMS
Alecto". Embora ambos tivessem motores de igual potência, o
"Rattler" rebocou o seu adversário com facilidade
consolidando o uso do hélice como o ideal para navios.
A partir de Recife, você pode visitar facilmente os
naufrágios do "Vapor de Baixo" e "Pirapama". O
"Vapor de Baixo" é um navio sem identificação até o
momento. Suas rodas de pás, ainda em seu lugar de origem, são
facilmente observadas. Dentro delas, cardumes inteiros de peixes fizeram
sua moradia. O "Pirapama" já não mostra suas rodas, porém,
é ainda possível ver o eixo por onde elas se conectavam.
O "Vapor Bahia", localizado em Ponta de
Pedras, é famoso por ser frequentado por tubarões lixas, de diversos
tamanhos. Atualmente, só possui uma de suas rodas mas como no
"Vapor de Baixo", cardumes fizeram dos restos da estrutura das
pás, suas moradias. Outra atração deste belíssimo naufrágio é a
proa. Ainda em pé, ela exibe, em cada um dos bordos, uma belíssima
âncora Almirantado ainda pendurada pelo olhal.
De volta à Recife, temos o "Vapor dos 48"
localizado a 2 horas e 30 minutos de navegação e a 48 metros de
profundidade. Esse navio, antes exclusivo dos mergulhadores técnicos,
passou a receber mergulhadores com certificação Trimix Recreativo.
Também possui apenas uma das rodas em pé, sendo esta, a maior de todas
da área. A identificação deste navio ainda é um mistério. Se você
ainda não visitou esses naufrágios, não deixe de conhecê-los, pois
além de mergulhos sensacionais, você irá realizar uma viagem aos
primórdios da navegação à vapor.
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Foto: Edísio Rocha - Aquáticos
Foto: Guilherme
Silvestre
Foto: Carlos
Montechi
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