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História e Naufrágio do Carioca
Charrua portuguesa antiga, de nome LEAL PORTUGUÊSA, apresada pela
Fragata Paraguaçú, em 1823, aos portugueses, por ocasião da retirada
do Almirante Madeira da Bahia.
Primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome de Carioca, seu
nome, rezam as crônicas, vem de um pequeno e sussurrante ribeiro, cujas
nascentes emanam das encostas alcantiladas do Morro do corcovado, e,
depois de um curso serpejante e acidentado, vinha, no tempo antigo,
desaguar por dois braços, na chamada Praia da Aguada dos Marinheiros,
hoje Praia do Flamengo.
Para os índios Tamoios, da tribo Tupi - Guarani que habitava a costa
do Rio de Janeiro e São Paulo, à época dos descobrimentos, era uma
espécie de rio sagrado, cujas águas davam beleza física e voz
melodiosa a todos aqueles que nelas mergulhassem ou delas bebessem. Na
linguagem desses índios, a palavra CARIOCA, significava
"descendente do branco, procedente do europeu, o mestiço de
procedência do branco". Podia, também, significar "a casa
branca do europeu".
Hoje, Carioca serve de alcunha para os nascidos nesta leal, valorosa
e maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
A Corveta Carioca, antiga Charrua portuguesa, era uma embarcação
bem acabada, solidamente construída de teca e devidamente aparelhada,
tinha as seguintes dimensões principais: 818 toneladas de deslocamento
máximo; 123 pés de comprimento; 33 pés de boca; e 23,5 pés de
pontal.
Incorporada à Armada Imperial Nacional, em vista da sentença
proferida pela Auditoria da Marinha, confirmada pelo Conselho Supremo
Militar em 2 de outubro de 1823, foi indenizada pelo Governo Imperial,
ao agente de presas, pela quantia de 15 000R$00 (quinze mil réis),
conforme o Aviso Ministerial de 9 de junho de 1824.
Foi seu primeiro Comandante, em 1823, antes da Mostra de Armamento, o
Segundo - Tenente Antônio da Silva Beltrão.
Sua Mostra de Armamento foi passada em 6 de julho de 1824.
Seu primeiro Comandante foi o Capitão-de-Fragata Mateus Welch.
Depois de passar por modificações e adaptações que permitiram
armá-la convenientemente, tomou o nome de Carioca, em 22 de junho de
1824.
Logo após a passagem da sua Mostra de Armamento, seguiu, a 2 de
agosto para Pernambuco, agora sob o comando do Capitão - Tenente
Antônio Joaquim do Couto, já classificada como Corveta e incorporada
à esquadra de Lord Cochrane, para bloquear as costas das províncias
rebeladas, sob o nome de Confederação do Equador.
De volta ao Rio de Janeiro, lá permaneceu até o levante da
Província Cisplatina, quando zarpou em junho de 1825 para ao sul, em
conserva com a Fragata Imperatriz, escoltando um trem de guerra.
Em 27 de agosto de 1825, depois de regressar ao Rio de Janeiro,
suspendeu para Montevidéu, agora sob o Comando do Capitão - Tenente
Manoel José da Silva.
De volta ao Rio de Janeiro, fez comissão às Províncias do Norte,
de onde regressou em 1º de outubro de 1825, voltando ao norte em
novembro do mesmo ano.
A 8 de fevereiro de 1826, regressou do Ceará para o Rio de Janeiro,
transportando 382 recrutas, dos quais morreram 30 deles na travessia.
Em março do mesmo ano, velejou para Pernambuco, de onde seguiu para
as costas da África, regressando de Cabinda, em Angola, em dezembro de
1826, após 33 dias de viagem.
A 6 de março de 1827, fez-se ao mar para o Rio da Prata, acompanhada
da Escuna Izabel. A 3 de junho de 1827 empenhou-se em combate com navios
argentinos, fazendo parte da 2ª Divisão da Esquadra.
Como Capitânea da 2ª Divisão Naval e arvorando a insígnia do
valoroso João das Botas, encalhou no Rio da Prata, por ocasião do
bloqueio daquele Rio, safando-se em seguida. Prestou excelentes
serviços nas zonas de Ensenada e Rio Salado, perseguindo corsários e
incendiando entrelopos que pretendiam forçar a linha do bloqueio.
A 10 de abril de 1828 perseguiu e auxiliou no apresamento do Brigue -
Escuna inimigo Ocho de Febrero.
Ao final de junho de 1828, já de regresso ao Rio de Janeiro, foi
desarmada a fim de ser reparada adequadamente.
Em 31 de janeiro de 1831, em viagem, ocorreu um levante a bordo,
contra os oficiais, das tropas do Exército que transportava. Na
ocasião, cerca de 40 amotinados foram presos e processados.
Em 7 de setembro de 1832, assumiu o comando o Capitão - Tenente
Manoel Barroso da Silva, futuro Barão do Amazonas, que fez várias
comissões de destaque.
Em março de 1833, o navio foi desarmado, passando a servir como
depósito de escravos negros africanos. Classificada como charrua, fez
várias comissões em 1835, sendo que em 1836 teve a sua artilharia
reduzida para somente 4 canhões.
No período de 1836 a 1840 fez várias comissões ao longo da costa
brasileira, quando parou no Rio de Janeiro para reparos.
Em dezembro de 1842, desfraldando o pavilhão do Chefe Mariath,
seguiu para o Rio da Prata, de onde regressou ao Rio de Janeiro somente
em março de 1844. Possuía, nesta ocasião, 8 canhões de 24º e 24 de
12º, com 247 homens na tripulação.
No anos de 1845 e 1846, o navio esteve em comissões em Pernambuco e
na Bahia. Voltou ao Rio da Prata em outubro de 1851, agora como
Transporte.
Foi vistoriada em 1852 no Arsenal de Marinha da Corte, onde fez obras
que importaram em um custo total de 25 contos de réis.
Em 1854 esteve novamente no Rio da Prata, de onde regressou ao Rio de
Janeiro em 1855.
Em 1859, sob o comando do Capitão - Tenente Miguel Antônio Pestana,
zarpou para Santos. Na altura de Santo Amaro, envolvida por violento
temporal de leste, empenha-se em tremenda luta contra os elementos
desencadeados, que afinal a lançaram contra a costa, naufragando em 13
de abril do mesmo ano.
Salvaram-se apenas 34 pessoas da sua tripulação, que era composta
de 82 tripulantes e 5 passageiros.
Por: Marinha do
Brasil
Centro de Documentação
Histórica da Marinha
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