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Destino infeliz do Vapor Dom
Afonso
A fragata à vapor Dom Afonso, navio de casco misto, foi construída
no estaleiro Thomas Royden e Co, Liverpool, Inglaterra, com planos
derivados do navio inglês HMS Fury; sua construção foi fiscalizada
pelo Almirante John Pascoe Grenfell, então Cônsul do Brasil.
Recebeu batismo em 25 de março de 1847, tendo o nome Dom Afonso em
homenagem ao príncipe herdeiro, filho do Imperador Dom Pedro II e de D.
Tereza Cristina Maria, nascido em 1845 e morto em 11 de junho de 1847.
Apresentava as seguintes características: comprimento de 190 pés
(60m), boca de 31 pés (9,45m), pontal de 20 pés (6, l0m), deslocamento
de 900 toneladas e calado de 12 pés (3,66m). Possuía caixa de rodas,
desenvolvendo suas máquinas 300 HP. Foi artilhado com dois obuses do
sistema inglês de calibre 68 ou de oito polegadas, com nove pés de
comprimento e quatro colubrinas (peças longas) de calibre 32. Era
aparelhado à escuna e largava pano. A tripulação oscilava entre 190
(em tempo de paz) e 240 homens (em tempo de guerra).
O casco, construído com madeira de 1ª qualidade, teve a carena
forrada de cobre grosso e as cavernas, de carvalho, revestidas de bronze
e cobre. As quatro caldeiras foram confeccionadas em chapas de ferro e
colocadas de popa a proa (Firma Benjamin Hick e Filho, de Bolton). Havia
ainda uma figura de proa, colocada na parte superior e externa da
roda-de-proa, "abaixo do mastro gurupés, ... escultura em madeira
pintada de branco, representando um anjo de fisionomia infantil...".
Considerado pela Marinha do Brasil na época, como o primeiro navio a
vapor propriamente dito, a fragata Dom Afonso podia navegar
simultaneamente a vapor e a vela, usando suas caixas laterais e
mastreção de escuna. Exigia tripulação menos numerosa, tendo
segurança tanto na falta de ventos ou de carvão, apesar do consumo
excessivo deste combustível.
Seu primeiro comandante, nomeado em 2 de novembro de 1847, foi o
então Capitão de Fragata Joaquim Marques Lisboa, futuro Marques de
Tamandaré e Patrono da Marinha do Brasil. Tal honraria, a de receber o
comando de um do navios mais modernos à época, já denotava o
reconhecimento da administração naval para com o oficial que ao longo
da História Naval Brasileira representaria o modelo a ser seguido por
todos que abraçassem a carreira marinheira.
Em 24 de agosto de 1848, tendo suspendido do porto de Liverpool para
realizar as últimas experiências de máquinas, antes da viagem para o
Brasil, o vapor Dom Afonso realizou o salvamento do navio inglês Ocean
Monarch, que, presa de incêndio, estava em chamas nas costas de
Lancastershíre. Na ocasião, encontravam-se a bordo do referido vapor
brasileiro a princesa D. Francisca e seu marido, o Duque e Duquesa de
Aumale, o Ministro Plenipotenciário do Brasil em Londres e o Chefe de
Esquadra John Pascoe Grenfell, com sua família. E todos presenciaram o
denodo da tripulação do Dom Afonso que, comandada pelo CF Joaquim
Marques Lisboa, salvou grande número de passageiros e tripulantes
(163), apesar de inúmeras dificuldades.
Em 1° de fevereiro de 1849, ancorado no porto de Recife, participou
da repressão aos revolucionários praieiros, sendo grande parte de sua
tripulação usada no auxílio a derrota dos rebeldes que marchavam
sobre a cidade.
Em 05 de maio de 1849, comandado ainda pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra
Joaquim Marques Lisboa (havia sido promovido em 14 de março), prestou
socorro a nau de guerra portuguesa Vasco da Gama, que, devido a forte
temporal, se encontrava desmastreada fora da barra do Rio de Janeiro,
correndo grande perigo; sendo posteriormente rebocado para o porto.
Em 6 de junho de 1849, assumiu o comando do vapor, o
Capitão-de-Mar-e-Guerra Jesuíno Lamego Costa (futuro Almirante,
Senador e Barão de Laguna), que, em 15 de dezembro de 1851, forçou
vitoriosamente o Passo de Toneleros, tendo feito demonstração de
força em frente a cidade de Buenos Aires (17/01/1852).
Seguiu para o Maranhão em 20 de setembro de 1852 sob novo comando -
Capitão-Tenente José Antônio de Siqueira, com escalas na Bahia e
Pernambuco para limpeza de casco e reparos, lá chegando em 04 de
novembro.
No dia 10 de janeiro de 1853, o vapor Dom Afonso naufragou em
Massambaba, entre a Ponta do Francês e a Ponta da Salina, a noroeste de
Cabo Frio.
Executava, na ocasião, operação de repressão ao tráfico
clandestino de escravos, quando foi acometido por forte temporal, tendo
morrido no desastre o 2° Tenente Antônio Francisco Araújo, e duas
praças da guarnição. Na sentença proferida pelo Conselho Militar de
Justiça (Circular Ministerial n° 52 de 07I1853), o comandante do
navio, CT José Antônio de Siqueira , foi condenado a um ano de
prisão, sendo privado de todo e qualquer comando por mais de dois anos.
Os primeiros tenentes Cândido de Lemos e Antônio Manuel Fernandes ,
oficiais de quarto quando do sinistro, receberam a pena de um ano de
prisão a bordo dos navios de guerra, sendo depois privados de qualquer
comando até mesmo de quarto , pelo tempo de um ano.
Por: Marinha do
Brasil
Centro de Documentação
Histórica da Marinha
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