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Do Fundo do Mar e da Memória: Recordações dos Naufrágios Navais
Brasileiros na Segunda Guerra Mundial Resumo
A maior parte dos
trabalhos existentes sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial (1942-45) jamais prestou o devido reconhecimento ao papel
desempenhado por sua Marinha de Guerra no conflito. Consequentemente,
muito pouco se sabe sobre as atividades e sacrifícios de seus
marinheiros ao longo daqueles anos. Foi indubitavelmente no mar que o
país sofreu o maior número de baixas: pelo menos 35 navios e mais de
1.400 vidas. Deste total, a Marinha de Guerra perdeu três belonaves,
além de 486 homens. Este artigo, de caráter revisional e
micro-historiográfico, consiste muito menos numa exaltação da
instituição naval ou da guerra do que numa leitura crítica de
episódios negligenciados da nossa história recente e vivenciados por
brasileiros anônimos que se depararam com a morte. Passados sessenta
anos, eleger como objeto de estudo três polêmicos naufrágios sofridos
pelo Brasil no maior conflito armado da história significa mais que uma
simples análise factual; representa um viés pelo qual é possível
melhor compreender as relações a bordo, os perigos, os medos, as
tensões, a fadiga mental e física e as limitações materiais de um
cotidiano que teve como pano de fundo um contexto internacional marcado
por disputas militares, políticas e ideológicas.
INTRODUÇÃO
A maior parte das publicações existentes sobre
a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1942-45) sempre
procurou minimizar a importância do papel desempenhado por suas
Marinhas de Guerra e Mercante no conflito. Talvez as águas pátrias,
enquanto palco de guerra, nunca tenham despertado nos pesquisadores o
mesmo fascínio exercido pelo teatro europeu, onde lutaram os
legendários "pracinhas" da Força Expedicionária Brasileira
(FEB) e o seleto grupo de aviadores da Força Aérea Brasileira (FAB).
Independentemente dos fatores que motivaram tal situação, a realidade
é que a maioria dos brasileiros muito pouco sabe sobre as atividades e
sacrifícios dos nossos marinheiros durante um embate que se estendeu
por mais de quatro anos, sob as mais adversas condições. O quadro
sugere uma grande contradição, na medida em que alguns números são
levantados. Cruzando-se os dados fornecidos pelas mais variadas fontes,
não há um consenso estatístico; porém, foi indubitavelmente no mar
que o país sofreu o maior número de baixas: pelo menos 35 navios e
mais de 1.400 vidas, entre março de 1941 e julho de 1945. Deste total,
a Marinha de Guerra perdeu três belonaves, além de 486 militares. É
justamente sobre estes últimos eventos que este artigo se debruça.
A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial apresenta
inúmeras facetas. Este texto não se deterá a analisar o contexto
político do governo Vargas, o cenário italiano – palco de grande
parte de nossas ações militares –, ou a presença no país das redes
de espionagem e informação naqueles anos. Tampouco se dedicará a
tratar as minúcias da atuação da Marinha ao longo do embate.
Definitivamente, não é isso o que se almeja. Em relação a esses
pontos, existem obras de fôlego que podem perfeitamente saciar a sede
de informações do leitor 1. Meu principal objetivo é retratar um
período particular da história do Brasil através da releitura de
eventos pouco conhecidos que tiveram como protagonistas algumas poucas
centenas de anônimos marinheiros brasileiros.
Em geral, os naufrágios navais brasileiros na
Segunda Guerra aparecem apenas como um capítulo de poucas linhas
perdido no final das obras que abordam a participação da Marinha no
conflito 2. Artigos assinados sobre o assunto e publicados em revistas
especializadas, por sua vez, se aprofundam em maior grau na questão,
porém circulam em meios bastante restritos, não estando amplamente
acessíveis ao grande público. Além disso, salvo raras exceções,
praticamente tudo o que foi escrito sobre estes naufrágios partiu de
fontes oficiais, obedecendo às premissas da historiografia tradicional 3.
A história tradicional tende a ser factual. Satisfaz-se em transmitir
informações, pouco analisando ou discutindo aquilo o que apresenta. É
assim que ela sempre foi e certamente continuará a ser construída.
Esta prática é preocupante, na medida em que alguns aspectos são
retransmitidos sem jamais serem revistos ou ampliados. Daí a
importância cotidiana de se reelaborar a história, pela qual nutro
grande simpatia; uma história que se comprometa com as minúcias e não
permita que partes de um todo caiam no ostracismo; uma história que
não se resuma à apresentação de fatos, o que é inegavelmente
importante, mas que também esteja comprometida em analisar os mesmos;
enfim, uma história que não almeje alcançar uma suposta verdade, o
que a torna sempre desafiadora para quem a estuda.
Como em qualquer trabalho de pesquisa, me deparei com
certos desafios. A história dos soçobros em questão só pôde ser
escrita a partir dos relatos dos marinheiros sobreviventes; a partir da
oralidade, a qual muitos vêem com reservas. Os depoimentos presentes
nas fontes bibliográficas e primárias têm, obviamente, sua
importância. No entanto, é inquestionável que as entrevistas
realizadas pelo próprio autor assumem um papel preponderante em uma
pesquisa deste gênero. A partir delas pode-se elaborar questionamentos
que outros não elaboraram; perceber comportamentos que outros não
perceberam. São eles, os depoimentos que coletamos diretamente, os que
mais nos instigam. Com o já reduzido grupo de sobreviventes minguando,
empreendi uma verdadeira corrida contra o tempo, a fim de que inúmeras
informações não fossem definitivamente perdidas. Não pude ouvir a
todos, é verdade. Tive o privilégio de estar com alguns em Salvador
– incluindo meu avô, ponto de partida para este trabalho – e no Rio
de Janeiro. Com outros, residentes em outras localidades, mantive
contato telefônico ou eletrônico. Daqueles já falecidos ou
impossibilitados de estar comigo, obtive depoimentos escritos ou cópias
de suas memórias.
Não posso deixar de citar aqui outro desafio não
menos relevante: decifrar o significado de alguns termos estranhos aos
nossos ouvidos. Para compreender de forma mais clara os episódios,
precisei dominar minimamente o vocabulário naval. Apesar de minha
ascendência familiar, não tenho formação na área e somente com a
ajuda de publicações específicas e de colaboradores do meio me foi
possível acessar o jargão deste mundo tão recluso. Relacionado a
isso, penso que o escritor não deve escrever para si. Ele é, antes de
tudo, um facilitador; alguém que deseja ser compreendido. Proponho
criar algo agradável não só aos militares, como também aos civis que
se interessam pela temática mas que nunca tiveram a oportunidade de ler
sobre esses episódios. Assim, procuro tornar minhas linhas mais
accessíveis tendo, no entanto, como preocupação maior, não me
expressar de forma inadequada. Sempre que possível, utilizarei
sinônimos conhecidos. Em outras oportunidades serei obrigado a
empregar, com o auxílio das notas, termos bastante específicos.
Por fim, faço uma justificativa. O envolvimento das nossas Forças
Armadas em diversos momentos da história deste país sempre levou
alguns setores formadores de opinião, inclusive dentro do próprio meio
acadêmico, a pregar irrevogavelmente idéias e posicionamentos
antimilitaristas. Não gostaria de me alongar nesta questão. Apelo
apenas para que se enxergue o sentido da minha pesquisa. Ela representa
muito menos uma apologia institucional do que uma leitura do cotidiano
de homens que, em virtude de circunstâncias especiais, estiveram frente
a frente com a morte. Ligado a isso, alguns seguramente me questionarão
o fato de não incluir em meus estudos, ao lado das perdas navais, os
nossos naufrágios mercantes, em maior quantidade e não menos
trágicos. Primeiramente, reitero as razões sentimentais que me levaram
a iniciar minha pesquisa. Em segundo lugar, saliento a complexidade em
se estudar um número maior de naufrágios. Em se tratando de um
marinheiro de primeira viagem, creio que a minha decisão tenha sido
coerente e equilibrada. Por fim, sobre os soçobros dos mercantes existe
uma bibliografia mais extensa, sinal de que foram mais explorados ao
longo dos últimos sessenta anos.
ASPECTOS DE UMA TRILOGIA
O torpedeamento do auxiliar Vital de Oliveira 4
A primeira perda da Marinha na Segunda Guerra Mundial
foi o navio-auxiliar Vital de Oliveira, torpedeado pelo submarino
alemão U-861 há aproximadamente 25 milhas náuticas do cabo de São
Tomé, litoral fluminense, a 19 de julho de 1944, ocasionando 100
mortes. Apesar de pertencer à Marinha de Guerra e estar dotado de
artilharia leve, o Vital de Oliveira não passava de um navio de cargas
e passageiros. Construído na Inglaterra, em 1910, foi batizado com o
nome de Itaúba e integrado à Companhia Nacional de Navegação
Costeira. Somente seria incorporado à Armada em dezembro de 1932. Era
semelhante aos seus dois irmãos, também adquiridos na época: o
Calheiros da Graça, perdido em Natal, em setembro de 1936, e o José
Bonifácio.
O Vital, como era carinhosamente chamado, já era um
veterano em 1944. Ainda queimava carvão numa época em que o óleo já
se apresentava como o combustível do momento. Durante a guerra, fazia
parte da Força Naval do Sul. Seguindo sua rotina, em julho daquele ano
iniciou mais uma comissão partindo do porto de Natal, trazendo alguns
militares licenciados e doentes em direção ao Rio de Janeiro, seu
destino final. No navio, 245 homens, sendo que 120 formavam sua
guarnição. Havia feito escalas em Cabedelo, Recife, Salvador e, por
último, Vitória, aonde chegou no dia 18, trazendo como escolta o
caça-submarino Javari. Após receber carregamento de madeira, suspendeu
5 às 9h da manhã seguinte para cumprir o último trecho da sua
derradeira viagem.
O alvorecer daquele 19 de julho de 1944 na costa
capixaba apresentava tempo magnífico e mar espelhado. O Vital
prosseguia em marcha lenta, com as máquinas deslocando suas 1.400
toneladas abaixo dos 10 nós. Às 19h50, avistava-se pelo través do
navio, há cerca de 25 milhas, o facho de luz rotativo do Farol de São
Tomé, já na costa fluminense. Chegariam ao Rio em breve; provavelmente
na manhã seguinte. O encarregado de navegação, tenente Osmar Alonso,
confirma as excelentes condições do tempo, à noite, porém ressalva
uma condição preocupante:
Era uma noite escura, limpa, estrelas brilhantes,
mar tranquilo [...]. Contudo, a visibilidade na superfície não
era muito boa, não sendo possível distinguir o Javari a vante,
[...], ouvindo-se apenas de quando em vez o zunido dos seus motores,
Por volta das 22h, o capitão-tenente João Luiz de Castro e Silva,
chefe de máquinas e imediato 6 interino, veio ao passadiço fazer uma
inspeção após o "silêncio" e perguntou-nos se não
ouvíramos som de motores pela alheta de boreste 7. Como ninguém nada
ouvira, e tendo sido comentado que aquela área era muito navegada
por pequenas embarcações a motor, os vigias foram alertados e o
assunto encerrado. 8
Até hoje este assombro persegue os sobreviventes do
Vital de Oliveira. O então marinheiro de 2ª classe Washington Trindade
acha "que não se tratava do "Javari". Sabe-se que, em
certo momento, por razões até hoje obscuras, ele se afastou demais do
Vital". 9 Seria aquele barulho a manifestação de um predador
realizando um reconhecimento da área e assediando sua presa antes de
atacá-la ? Àquela altura, o sinaleiro havia, de fato, perdido contato
visual com o caça. Às 23h55, quando o cabo de São Tomé já havia
ficado pára trás, o silêncio cedeu espaço a uma forte explosão que
produziu na água um clarão rosado. O estampido foi ensurdecedor e o
choque violento. As máquinas pararam quase que simultaneamente. O navio
perdeu velocidade. Aos ouvidos mais experientes, aquele estrondo era
inconfundível: o Vital estava "morrendo" lentamente após ser
penetrado na popa por um torpedo. O velho navio partira-se ao meio. Sua
frágil couraça não ofereceu resistência e a água o invadia
rapidamente. As guarnições dos dois pequenos canhões de 47mm nada
puderam fazer contra o inimigo invisível. À exceção do pessoal em
serviço, a maioria dos tripulantes e passageiros foi surpreendida
quando estava recolhida em seus camarotes. Sem balsas, que não foram
arriadas a tempo, os sobreviventes seriam recolhidos apenas na manhã
seguinte pelo próprio Javari e outras embarcações, alertados por uma
aeronave militar dos EUA.
As cenas nesta altura eram comoventes: uns
choravam, outros gritavam e alguns mesmo cantarolavam. [...]. O
recolhimento começou a ser feito. [...]. No interior do barco todos
se confraternizavam, deixando transparecer tristeza na proporção
que iam sabendo quais os companheiros que ficaram para sempre
naquele local [...]. No dia seguinte, 21 de julho, aportávamos na
ilha das Cobras, Rio de Janeiro. Estávamos seminus, felizmente
salvos [...]. 10
A questão mais polêmica em relação ao soçobro do
Vital está, sem dúvida, relacionada à falha do serviço de escolta.
Onde estaria seu guardião no momento em que mais se precisava dele? O
comandante do Javari, tenente Durval Pereira Garcia, sofreu pesadas
críticas por ter perdido seu protegido de vista. Alguns o classificaram
como negligente e germanófilo. Segundo a versão oficial, a escolta
insuficiente e a inexistência de cobertura aérea no trecho
compreendido entre o Cabo de São Tomé e Cabo Frio foram fatais para o
desastre. Para muitos, a justificativa nunca convenceu. O comandante
Alonso, por exemplo, por muitos anos tentou, em vão, ter acesso a
documentos do inquérito que investigou as causas do naufrágio do
Vital, como o relatório do tenente Pereira Garcia, arquivados no
Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro.
O soçobro da corveta Camaquã
11
Os cinco navios-mineiros classe Carioca foram construídos no final
dos anos 30. 12 Pela primeira vez, construíamos vasos de guerra tão
modernos. Não foram preparados para cobrir longas distâncias, é
verdade. Enquanto navios-mineiros, raramente teriam a necessidade de
ultrapassar a barra da Baía de Guanabara. A partir de 1940, quando das
primeiras hostilidades germânicas no Atlântico Sul, tomou-se medidas
preventivas, dentre elas a de se fortalecer nosso poderio naval. Neste
contexto, os navios-mineiros sofreram algumas breves modificações,
sendo posteriormente classificados como corvetas anti-submarinas. Mesmo
antes das reformas, os navios demonstravam considerável inquietação,
balançando excessivamente no sentido lateral e atingindo inclinações
de até 45 graus. "Eles navegavam; de fato navegavam, mas tinham
uma estabilidade muito precária [...] eram chamados de
"cambalhota", pois jogavam uma barbaridade". 13
Aparentemente, a questão não chegava a preocupar. No entanto,
cumprindo novos papeis, estes "nervosos" navios passariam a
enfrentar cotidianamente o mar aberto em serviços de patrulhamento e
escolta a comboios.
Consequentemente, suas tripulações teriam que
aprender a conviver com a ultra-exposição de sua maior
vulnerabilidade: a instabilidade. Para bem navegar, recomenda-se que um
navio esteja bem lastreado. No caso das corvetas classe C, a
recomendação cedia lugar ao mandamento.
O comboio JT-18 14 partiu do cais norte da ilha das
Cobras por volta das 8h30 da manhã do dia 18 de julho de 1944. Eram
responsáveis pela escolta dos mercantes os caça-submarinos Jutaí e
Graúna, além da corveta Camaquã, capitânia do comboio. Nela estavam
117 militares. O mar naqueles dias não chegava a ser tempestuoso,
apesar da presença de grandes vagas e da baixa visibilidade. Uma fina
chuva e persistente caía, não chegando a incomodar. Nestas
condições, apenas três dias se passaram até a chegada ao Recife. Às
9h da manhã o comboio atingiu o ponto de encontro com os navios
estadunidenses que seguiriam para Trinidad. Concluída a rendição e
transferência da escolta, nossos vasos tomaram o rumo oeste, em
direção ao porto. De repente, há 12 milhas do destino, uma sucessão
de três grandes ondas atingiram a Camaquã. As duas primeiras fizeram
com que ela adernasse perigosamente, levando o navio a reduzir sua
velocidade e recuperar momentaneamente o equilíbrio. No entanto, o
terceiro vagalhão da sequência foi fatal. O navio adernou para
boreste, emborcando em seguida. Eram 9h30, aproximadamente. O então
tenente Castro e Silva passava os minutos finais de viagem descansando
quando da sequência de impactos:
Saí pela porta e vi [...] o navio fazendo uma
curva fechada [...] e inclinando, a água subiu no convés, chegou
no canhão e a medida em que ele foi virando, eu subi a amurada e
fui subindo pela quilha. Quando ele acabou de virar, eu estava em
cima de quilha. [...] tinha uma outra pessoa que eu não conhecia,
porque eu era passageiro. Era um sargento que não sabia nadar. O
coitado morreu. [...] Ouvi um grito de socorro. Tinha um camarada se
afogando. Nadei na direção do sujeito. Cheguei perto. O náufrago
se agarra na pessoa e você tem que tomar cuidado, senão vão os
dois. Ele já tava muito mal, afundando; segurei-o um pouquinho,
vinha uma onda enorme e eu tentava ficar na superfície. Foi quando
percebi que ele já tava morto. Larguei o sujeito e ele afundou na
minha frente. 15
Não houve tempo de arriar balsas ou baleeiras. Como
não houve explosão que gerasse a destruição do navio, poucos
destroços flutuavam. De "cabeça" para baixo, a água foi
penetrando lentamente pelos seus orifícios. Muitos homens foram
afogados pelo mar grosso. Os que se ferem numa situação dessas, mesmo
que apenas levemente, estão duplamente condenados. Primeiramente,
perdem a mobilidade necessária para nadar. Em segundo lugar, uma vez na
água, atraem com seu sangue o faro dos tubarões. Em pânico, raramente
sobrevivem. O comandante Raul Barreto, então marinheiro de 2ª classe,
testemunhou a ação destes predadores e reconhece que o hábito de
nadar desde criança o ajudou, bem como a três companheiros salvos por
ele:
No momento em que o navio virou, não estava de
serviço; descansava em meu camarote. Acordei assustado, segurei uma
cadeira que acabou me ajudando a vir à tona. Ajudei uns três
colegas que estavam se afogando. Vi alguns sendo devorados por
tubarões. [...] após a Guerra, quando me viam [...], eles vinham
me agradecer. Até hoje guardo a convicção de que quem os salvou
foi Deus, não eu. Ele apenas me utilizou como um instrumento de Sua
vontade. 16
Não se pode deixar de fazer uma referência ao tenente Antônio
Bernardes, responsável pelo armamento do navio. No instante do emborco,
algumas bombas estavam nos paióis enquanto outras se encontravam
montadas nos seus sistemas de lançamento. A explosão de uma bomba de
profundidade gera uma onda de choque de impacto impressionante. No caso
da Camaquã, o tenente Bernardes ativava as bombas apenas quando ao
sinal de "postos de combate". Por sorte, os sistemas
de segurança de toas funcionaram perfeitamente,
poupando os marinheiros que estavam na superfície. Infelizmente a
ação de Bernardes não salvou a vida de todos. A maioria dos que
estavam nas caldeiras, por exemplo, permaneceu presa no bolsão de ar
que se formou no interior do navio. Provavelmente ficaram no escuro
total, com a parada dos geradores. Esses homens jamais conseguiram
escapar. Agonizaram por estimados 15 ou 20 minutos, tempo em que a
corveta permaneceu na superfície, antes de afundarem com seu navio.
Eu fico assistindo a esses filmes de naufrágios
e fico pensando nos que ficam presos. Eu não fiquei preso, mas
senti que muita gente ficou. [...] Deve ter sido uma agonia. Muito
embora não tenha acontecido comigo, eu senti perfeitamente esse
problema. [...] Quando era jovem, não acontecia nada, mas quando
fui ficando mais velho, comecei a ter sonhos. Tive que tomar
remédios, antidepressivos. Hoje está tudo bem. 17
Por sorte, os náufragos foram logo avistados pelos
caças e resgatados em poucos minutos. Mais rápido, o Jutaí chegou em
menos de meia hora. Até então não sabia ao certo o que se passava.
Por pouco não abre fogo contra a corveta emborcada, confundindo-a com
um submarino inimigo. 18
A Camaquã operava no limite do seu raio de ação,
que era pequeno. Como já visto, foi construída para determinadas
funções e, em seguida, adaptada a pesados serviços. Além disso, nas
escoltas e patrulhas, precisava variar constantemente sua rota e
velocidade, a fim de varrer uma maior área. Essas variações
acarretavam num maior consumo de combustível. Os tanques, vazios,
precisavam ser lastrados a fim de manter a estabilidade e navegabilidade
do navio. Apesar das instruções vigentes determinarem a lastração,
esta recomendação não era seguida, como nos elucida Pedro Ferreira
Moreira, então guarda-marinha e também náufrago da Camaquã:
A determinação realmente existia, porém não
era rigorosamente seguida. Aportando, tínhamos que escoar a água
salgada dos tanques. Depois, alguns marinheiros desciam e enxugavam
os tanques, antes de enchê-los de óleo outra vez. Era uma
atividade muito demorada e penosa. Qualquer contaminação do
combustível costumava apagar os maçaricos das caldeiras.
19
Para muitos dos que se encontravam na corveta naquele
dia, no entanto, as condições dos tanques e de equilíbrio eram
satisfatórias, atribuindo o soçobro apenas à ação do mar. A
questão é discutível. Após a análise das fontes, analiso o
afundamento da Camaquã como decorrência de uma lamentável
combinação de mau tempo, infortúnio, falha técnica e, possivelmente,
humana. Creio que somente a ação conjunta destes fatores foi capaz de
ocasionar o soçobro.
A explosão e o naufrágio do cruzador Bahia
O terceiro e mais trágico naufrágio, o do cruzador
Bahia, na região equatorial do Atlântico, a 4 de julho de 1945,
entraria para a história não só como o maior naufrágio da Marinha do
Brasil na Segunda Guerra Mundial, como o mais trágico já registrado
pela Força em toda a sua existência.
O Bahia era, na primeira metade da década de 40, um dos últimos de
sua classe ainda em atividade. Cruzador ligeiro do tipo Scout, foi
construído na Inglaterra pela casa Armstrong. Ao lado do seu irmão
gêmeo, o Rio Grande do Sul, tratava-se à época do mais veloz do
mundo. Em 1910, ano de sua incorporação, foi um dos navios tomados por
João Cândido, durante a chamada Revolta da Chibata. Oito anos mais
tarde, compôs a comissão de frente da Divisão Naval de Operações de
Guerra (DNOG) durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a Revolução
Constitucionalista de 1932, realizou o bloqueio ao porto de Santos. Como
se observa, a história deste navio se confunde com a própria história
da Marinha e do Brasil na primeira metade do século XX.
A rendição alemã, a 8 de maio de 1945, não
significou a pacificação imediata do Atlântico. Para a Marinha de
Guerra, enquanto antigas tarefas se extinguiam, outras eram criadas.
Dentre elas, uma aparentemente simples, mas na verdade exaustiva:
orientar e proteger a travessia dos aviões-transporte estadunidenses
que traziam tropas de volta à América através, dentre outras, da
ponte aérea Dacar-Natal. Pontos imaginários denominados
"estações", afastadas entre si em cerca de 400 milhas, foram
criadas ao longo da rota. Nela, os navios permaneceriam postados,
ficando responsáveis pela navegação aérea e contagem dos vôos
através de meios radiofônicos e visuais. Caso alguma aeronave acusasse
problemas técnicos, o navio prontamente se deslocaria em seu socorro.
Quatro estações ficariam sob a responsabilidade da nossa Marinha,
incluindo a de número 13, localizada sobre o paralelo zero. Doze
belonaves deveriam se revezar na missão, permanecendo em alto mar por
períodos que variavam entre 10 e 16 dias.
Nos últimos dias de junho, o Bahia realizava os
últimos preparativos antes de zarpar de Recife em direção à
estação 13, onde renderia o contratorpedeiro de escolta Bauru.
Finalmente num sábado chuvoso, dia 30, o navio desatracou. Dos 372
militares a bordo, quatro eram marinheiros estadunidenses responsáveis
pelo contato com as aeronaves. No dia 3 de julho, após navegar 500
milhas em 50 horas, o cruzador atingiu a estação. Na manhã seguinte,
foram tomadas as últimas providências para o início de um exercício
de tiro de superfície a curta distância, com as metralhadoras
antiaéreas Oerlinkon, de 20 mm. Às 9h, o navio parou momentaneamente a
fim de ser lançado ao mar um alvo flutuante. Dentro de poucos instantes
o exercício teria início. Dez minutos mais tarde, a guarnição do
Bahia foi surpreendida por disparos repentinos e estranhos de uma das
metralhadoras. O então tenente Lúcio Torres Dias lembra-se do
ocorrido:
Lá pelo quinto ou sexto disparo uma tremenda
explosão na popa sacudiu violentamente o navio. [...] A rajada de
metralhadora havia atingido acidentalmente as bombas de profundidade
localizadas que estavam sob o tombadilho. [...] As máquinas
pararam. [...] Estava no camarim da máquina. Tentei chegar na área
do ocorrido. Havia muita fumaça. A popa estava completamente
destruída. [...] Vi muitos corpos dilacerados e marinheiros feridos
gemendo de dor e se rastejando. 20
Aproximadamente 100 militares morreram
instantaneamente, atingidos pela onde de choque e por estilhaços. A
maioria deles se encontrava na popa, local da explosão. Devido à
severa e rápida inclinação, as lanchas e baleeiras não puderam ser
arriadas; somente a maioria das balsas. A essa altura, o Bahia já
estava em posição vertical, com a proa virada para cima, formando com
a superfície do mar um ângulo de 90 graus. A agonia do cruzador não
durou mais que cinco minutos. Assim, de forma incompreensível e sob o
olhar de homens assustados, o primeiro capítulo da tragédia do Bahia
chegava ao fim. Um segundo, muito mais dramático, estava apenas
começando.
Os cerca de 270 homens restantes teriam apenas 17 minúsculas balsas
como meios de salvamento. Quanto aos recursos disponíveis nas pequenas
embarcações, uma grande frustração: a água potável havia sido
contaminada pela salgada. As rações desidratadas também precisavam de
água doce para o seu preparo. A condição dos medicamentos era melhor.
Por outro lado, não havia equipamentos para sinalização. Com as
balsas juntas, procuraram manter o moral elevado e facilitar a sua
localização e resgate. Afinal de contas, era provável que pelo menos
uma das aeronaves que passavam sobre suas cabeças os avistassem. Nestas
primeiras horas pós-naufrágio, apesar da natural angústia e de um
inesperado ataque de um cardume de águas-vivas, a marujada demonstrava
certa calma e equilíbrio. Mesmo enfrentando tamanhas adversidades,
todos conseguiram resistir ao primeiro pôr-do-Sol. A primeira morte só
ocorreria ao escurecer, quando surgiram, também, os primeiros casos de
loucura. Alguns se mostravam violentos. À noite, quando a vigilância
sobre eles relaxava, saiam nadando e se perdiam definitivamente na
escuridão.
Ao raiar do dia 5, os casos de insolação de
multiplicavam. Fazia 24 horas que estavam à deriva no mar. Durante a
noite, as balsas se dispersaram, formando grupos menores. Com o tempo,
continuariam se separando até ficarem totalmente isoladas umas das
outras. Alguns homens tentavam suicidar-se através do estrangulamento.
Outros, demonstrando claros sinais de insanidade, passaram a beber sua
própria urina e também água do mar.
A garganta estava seca. A ânsia de beber algo
era imensa. [...] A sede é imperiosa. [...] A salivação vai
diminuindo. [...] É irônico, sabe. Com tanta água ao redor. [...]
O sal é fatal. Desidrata o organismo. [...] Você não pode se
distrair e deixar que o sal atinja a boca. [...] É realmente uma
das mais duras provas a que o espírito do homem pode ser submetido.
21
Rodeados por tubarões, os homens acharam por bem
não se desfazer imediatamente dos cadáveres que se multiplicavam
assustadoramente. Tinham medo de excitar os bichos. As torturas físicas
e psicológicas geradas pelos ferimentos, insolação, sono, sede e fome
tornavam-se implacáveis. Na manhã do quarto dia após o soçobro, cada
um dos barcos não possuía mais que quatro ou cinco ocupantes. Os que
ainda resistiam, eram verdadeiros mortos-vivos.
De repente, a redenção surge no horizonte: a
fumaça do Balfe, um velho cargueiro inglês a caminho do Brasil com um
carregamento de cimento. Raymond Charles Highms, então um jovem de
apenas 17 anos, era ajudante de cozinha. Como fazia cotidianamente,
descascava sua cota de batatas sentado no convés. Era um domingo claro
e de mar calmo. Entretido em sua atividade, o rapaz passa a escutar
gritos estranhos; indecifráveis. Achando se tratar de aves marinhas,
abaixa a cabeça e retoma seu trabalho. Mas o barulho era insistente e
cada vez mais audível.
Foi então que me levantei e olhei sobre a borda
do navio. Vi o que não esperava. A cerca de 200 metros de
distância, [...] estava um homem sobre uma balsa agitando
freneticamente uma peça de roupa e gritando. O som que eu ouvia era
como se fosse "cuckoodulo". Mais tarde vim saber que a
palavra socorro, quando gritada a certa distância, pode-se
assemelhar àquilo que eu, homem de língua inglesa, estava ouvindo.
Imediatamente, agitei meus braços, dando a entender que ele tinha
sido avistado. 22
O homem que acenava era o marinheiro José Ribamar
Pereira. Na balsa, além dele, restavam apenas mais dois colegas
moribundos. O rumo do navio é imediatamente alterado. Os tubarões que
rodeavam a balsa são mortos pelos ingleses. Muito debilitados, os
homens precisam ser carregados. Nas horas seguintes, o Balfe encontraria
mais seis balsas e 30 sobreviventes, sendo cinco deles agonizantes.
Infelizmente não resistiram e seus corpos foram sepultados no mar. Com
a chegada da notícia à capital pernambucana, uma força-tarefa foi
imediatamente despachada para o local. Ao todo, das dez derradeiras
balsas foram recolhidos, apenas, onze militares com vida. Destes, três
faleceram a caminho do Recife.
As assustadoras estatísticas refletem com fidedignidade toda a
agonia da guarnição do Bahia nas duas etapas do seu martírio: o
soçobro e a espera. Mas o que, de fato, levou o navio à repentinamente
desaparecer naquela ensolarada manhã equatorial ? Existe um fato que é
indiscutível e consensual: o navio afundou após forte explosão
ocorrida na popa. A partir daí, e até os dias de hoje, a certeza cede
espaço às dúvidas e aos questionamentos. A princípio, algumas
hipóteses sobre as causas do soçobro foram lançadas: primeiramente,
acreditou-se que o cruzador houvesse se chocado contra uma mina perdida,
fato improvável. Outros sugeriram que a explosão tivesse partido dos
paióis de munição do Bahia. Esta hipótese também foi logo
abandonada, já que os mesmos se localizavam em outro ponto do navio. A
terceira possibilidade até hoje mexe com o imaginário das pessoas.
Apesar da rendição alemã, alguns submarinos permaneceram navegando
pelo Atlântico. Fossem eles desavisados ou desertores, os U-boats
desgarrados permaneceram, por algum tempo, relativamente supridos,
municiados e dispostos a pôr a pique qualquer navio que cruzasse seu
caminho. Quando se tomou conhecimento da perda do cruzador, a hipótese
do seu torpedeamento ganhou, naturalmente, forte sustentação.
Noticiou-se nos dias posteriores ao soçobro que um destes submarinos, o
U-530, que se entregara em Mar del Plata, Argentina, no início de
julho, encontrava-se supostamente na mesma área do Bahia alguns dias
antes. Nunca se provou nada contra sua guarnição. A versão do
torpedeamento nunca foi totalmente descartada. O comandante Roberto
Cândido, por exemplo, publicou artigo no qual aborda o assunto.
23
Oficialmente, o soçobro do cruzador Bahia não teve
nenhuma causa externa. O navio foi a pique pela explosão de bombas de
profundidade de 300 libras localizadas em sua popa. Elas teriam sido
acidentalmente atingidas por uma rajada de poucos tiros disparada pela
metralhadora antiaérea de número 7, instalada na linha mediana do
navio, bem próxima ao local da explosão. Segundo o que foi apurado,
estava sendo preparada para o exercício, quando começou a disparar de
forma súbita e descontrolada. Estava guarnecida no momento dos tiros.
No entanto, jamais foi possível identificar os homens responsáveis por
ela. Provavelmente houve uma combinação de falha técnica e humana.
Nunca se saberá. O que se sabe é que das 372 almas a bordo, apenas 36
foram salvas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todos os três naufrágios sofridos pela Marinha
do Brasil na Segunda Guerra Mundial ocorreram em circunstancias que dão
margem a questionamentos. Afinal, estava ela capacitada para operar
adequadamente durante o conflito ? Em que medida as possíveis falhas
técnicas e humanas foram responsáveis pelos ocorridos ? Seria correto
e ético se apontar culpados ? Creio que se existem culpados, a própria
morte tratou de anistiá-los. Não é objetivo deste trabalho tentar
encontrá-los. No esforço de guerra, homens e equipamentos são
amplamente exigidos por longos períodos. Dessa forma, as
vulnerabilidades humanas e materiais tornam-se frequentes. Na verdade,
durante toda a guerra, episódios similares aos dos nossos naufrágios
ocorreram nas melhores Armadas do mundo.
Não restam dúvidas de que nossa Marinha participou
do conflito sem dispor dos melhores meios humanos e materiais. No
entanto, apesar das adversidades e deficiências, detectadas
principalmente antes da ajuda dos EUA, seus homens atuaram
ininterruptamente, conseguindo cumprir o papel que lhes coube da forma
mais digna e profissional. Não se pode perder de vista que essas
inegáveis dificuldades são reflexos diretos do nosso processo de
formação histórica; não podem ser dissociadas da nossa condição
política e econômica dos anos 30 e 40 do século XX.
Além das centenas de perdas humanas sofridas nos
naufrágios, é importante lembrar que a Marinha do Brasil teve, ainda,
mais 23 militares mortos em outros episódios ocorridos durante a
guerra. A maioria guarnecia armamentos especialmente instalados em
navios mercantes afundados pelo inimigo. Os demais foram vítimas de
acidentes ocorridos a bordo, frutos do já comentado esforço de guerra.
Esses anônimos, da mesma forma, não devem ser esquecidos pela
História.
Por fim, é interessante observar como em situações
extremas a hierarquia militar se desfaz como um castelo de areia. Unidos
apenas pelo puro instinto de sobrevivência, oficiais e praças são
reduzidos à mesma condição. O que os fazem homens não são suas
patentes. No fundo, todos eles não passam de seres humanos mortais,
cheios de medos, traumas, incertezas, angústias e virtudes.
Transparecem alegria e tristeza, lucidez e lapsos, dureza e emotividade,
resignação e saudade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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19 de julho de 1944). Revista Marítima Brasileira. Rio de
Janeiro, t.2, p. 17-35, abr/maio/jun 1994.
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combate, 1942-1945.
Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1995.
CÂNDIDO, R. G. O naufrágio do cruzador Bahia e a hipótese de seu
torpedeamento. Revista Marítima Brasileira. Rio de Janeiro, t.4,
p. 73-89, out/nov/dez 1993.
CASTRO E SILVA, R. A corveta Camaquã e eu. In: RCN. Rio de
Janeiro: Clube Naval, 1994.
DIAS, L T. O trágico fim do Bahia: Alguns aspectos pouco divulgados.
Revista Marítima Brasileira. Rio de Janeiro, t.2, p. 65-81,
abr/maio/jun 1998.
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Janeiro: BIBLIEX, 1968.
FALCÃO, J. O Brasil e a II Guerra: testemunho de um soldado
convocado. Brasília: UnB, 1999.
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Rio de Janeiro: SDGM, 1985. v.5, t.2
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Mundial.
Rio de Janeiro: Capemi, 1982.
SEITENFUS, R. O Brasil Vai à Guerra: o processo de
envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Barueri: Manole,
2003.
SOUZA, O. M. de. O "Vital de Oliveira". A Marinha em
Revista. Rio de Janeiro, nº 156, p. 20-22, jul/ago 1960.
TOTA, A. P. O Imperialismo Sedutor: a americanização do
Brasil na época da Segunda Guerra. São Paulo: Cia. Das Letras, 2000.
ENTREVISTAS
BARRETO, R. C. Raul Coelho Barreto: depoimento [fev. 2005].
Entrevistador: Raul B. Neto. Salvador/ BA. 1 fita mini-K7. Entrevista
concedida ao Projeto Flores ao Mar.
CASTRO E SILVA, R. Raul de Castro e Silva: depoimento [jul.
2004]. Entrevistador: Raul B. Neto. Rio de Janeiro/ RJ. 1 fita mini-K7.
Entrevista concedida ao Projeto Flores ao Mar.
DIAS, L. T. Lúcio Torres Dias: depoimento [ago. 2004].
Entrevistador: Raul B. Neto. Rio de Janeiro/ RJ. 1 fita mini-K7.
Entrevista concedida ao Projeto Flores ao Mar.
MOREIRA, P. F. Pedro Ferreira Moreira: depoimento [jul. 2004].
Entrevistador: Raul B. Neto. Rio de Janeiro/ RJ. 1 fita mini-K7.
Entrevista concedida ao Projeto Flores ao Mar.
TRINDADE, W. Washington Trindade: depoimento [fev. 2004].
Entrevistador Raul B. Neto. Salvador/ BA. 1 fita mini-K7. Entrevista
concedida ao Projeto Flores ao Mar.
1 - Dentre elas, SEITENFUS, R. O Brasil Vai à Guerra: o processo
de envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Barueri: Manole,
2003.
FALCÃO, J. O Brasil e a Segunda Guerra: testemunho de um soldado convocado. Brasília: UnB, 1999.
TOTA, A. P. O Imperialismo Sedutor: a americanização do Brasil na
época da Segunda Guerra. São Paulo: Cia. Das Letras, 2000.
2 - Indico, dentre outros, SALDANHA DA GAMA, A. O. A Marinha do
Brasil na Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Capemi, 1982.
MARTINS H. L.; SALDANHA DA GAMA, A. O. História Naval Brasileira.
Rio de Janeiro: SDGM, 1985. v.5, t.2. DUARTE, P. de Q. Dias de Guerra
no Atlântico Sul. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1968.
3 - Uma das exceções, por exemplo, é BONALUME NETO, R. A Nossa
Segunda Guerra: Os brasileiros em combate, 1942-1945. Rio de
Janeiro: Expressão e Cultura, 1995. O autor é jornalista da Folha
de S. Paulo.
4 - Segundo navio a ostentar o nome em
homenagem a Manoel Antônio Vital de Oliveira, capitão-de-fragata,
morto em combate durante o bombardeio de Curupaití, a 2 de fevereiro de
1867.
5 - Levantou âncoras; desatracou, partiu.
6 - Na hierarquia de comando de um navio, aquele que está apenas
abaixo do comandante.
7 - Boreste ou estibordo, lado direito de uma embarcação. Bombordo,
lado esquerdo.
8 -ALONSO, 1994, p. 18.
9 - Washington Trindade, em depoimento
concedido ao autor.
10 - SOUZA, 1960, p. 22.
11 - Terceiro navio a ostentar este nome na Marinha do Brasil em
homenagem ao rio homônimo do Rio Grande do Sul.
12 - Pela ordem de construção, Carioca, Cananéia, Camocim, Cabedelo,
Caravelas e Camaquã.
13 - Raul de Castro e Silva, em depoimento concedido ao autor.
14 - Os comboios eram identificados por
duas letras e um número. O JT-18 foi o décimo oitavo comboio realizado
entre o Rio de Janeiro (J) e Trinidad (T).
15 - Raul de Castro e Silva, em depoimento concedido ao autor.
16 - Raul Coelho Barreto, em depoimento concedido ao autor.
17 - Raul de Castro e Silva, em
depoimento concedido ao autor.
18 - Posteriormente, os próprios tripulantes do caça-submarino Jutaí,
conforme relatado em CASTRO E SILVA, R. "A corveta Camaquã
e eu". In: RCN. Rio de Janeiro: Clube Naval, 1994,
confessaram que a péssima visibilidade não permitiu, a principio, a
identificação do grande objeto que estava à frente. Por precaução,
tomaram seus postos de combate. Somente com a aproximação, foi
possível descobrir se tratar da Camaquã.
19 - Pedro Ferreira Moreira, em depoimento concedido ao autor.
20 - Lúcio Torres Dias, em depoimento concedido ao autor.
21 - Lúcio Torres Dias, em depoimento
concedido ao autor.
22 - Depoimento de Raymond Charles Highms em DIAS, 1998, p. 75-6.
23 - CÂNDIDO, R. G. O naufrágio do cruzador Bahia e a
hipótese de seu torpedeamento. Revista Marítima Brasileira. Rio de
Janeiro, t.4, p. 73-89, out/nov/dez 1993.
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