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Mergulhando nos naufrágios do Ceará
Fortaleza, 7 de outubro de 2005, 8h da noite. Todos estão
reunidos na casa de um companheiro de mergulho fazendo os últimos preparativos
para a viagem de 150 km até a cidade litorânea de Fortim-CE.
Para mim, mergulhar em um naufrágio onde nunca
havia mergulhado antes, não me deixa apenas entusiasmado, simplesmente tira meu
sono de tanta ansiedade.
Chegamos à pousada em Fortim, e fomos após o jantar, nos recolhemos para repousar algumas horas antes de madrugarmos. O
horário de saída era um fator crucial para a operação, pois o barco alugado
saía da barra de um rio e para isso precisávamos pegar o estofo da maré.
Depois de subirmos o ferro, uma hora de navegação até o
primeiro naufrágio. Por sorte o vento, que era intenso, deu uma trégua esta
manhã. Após uma hora relativamente tranquila de navegação, chegamos ao
primeiro naufrágio, o Cisne
Branco.
Na popa dele havia uma bóia deixada pelos pescadores locais,
usei-a como referência. Chegando aos 15 metros de profundidade, com visibilidade
entre 7 e 10 metros, iniciei a exploração, onde puder perceber a existência
de diversos tipos de peixes habitando o local.
Quanto ao estado em que se encontra o Cisne Branco, ele está praticamente
todo enterrado, principalmente seu bombordo. Na popa, pode-se
distinguir claramente a hélice e o motor onde habitam várias moréias e algumas
lagostas.
Seguindo por estibordo passando por um manzua, artefato utilizado para
a pesca da lagosta recentemente abandonado, chega-se à proa onde podem ser
encontrados algumas correntes e caixotes de metal. Ao redor, várias pontas de
metal repletas de corais emergem da areia, denunciando uma riqueza enterrada.
Com 35 minutos de fundo retornamos à superfície, onde todos já nos aguardavam
para que fôssemos ao segundo ponto de mergulho do dia.
Mergulho no Macau
Segundo os pescadores, o Macau possuía mais ou menos 100 metros de comprimento
e estava sendo rebocado para reparos quando se incendiou e naufragou, onde nos
últimos instantes na superfície, uma grande onda o pegou por estibordo e o virou,
permanecendo assim até hoje. Somente a meia nau há uma rachadura que permite
uma breve penetração.
I niciado o mergulho pela popa do naufrágio, a visibilidade girava em
torno dos 15 metros, permitidno uma boa visualização de seus lemes no começo da
descida. Chegando ao fundo, 17 metros, comecei contornando a chata por bombordo.
Alguns buracos possibilitam a visualização de seu interior, onde percebemos
uma fauna marinha muito rica. Depois de uma passada pela proa, já a estibordo e
por uma rachadura vertical à meia nau, dei de cara com quatro tubarões lixa
alinhados lado a lado, de dois a três metros de comprimento.
Também à estibordo, um pouco mais próximo da popa, há uma outra rachadura horizontal de
uns 30 metros de comprimento onde se pode entrar e percorrê-lo sem comprometer
a segurança, e um pouco mais à frente, em um outro buraco, esbarramos um mero de uns
30 Kg olhando para nós com uma indiferença, e logo partiu para outro cômodo de sua
moradia cheia de lagostas, que chegam à enfeitar o ambiente
Quando chegamos à superfície, o mestre da embarcação já
se preparava para partir, pois necesitava da luz do dia para entrar na barra do
rio. Após a partida, para a aflição de alguns, um imprevisto com o motor nos
deixou à deriva durante uma hora, o que necessitou de um pouco mais de
atenção na entrada da barra.
Posteriormente já em terra, depois de mais dos imprevistos chegamos à
pousada para um banho, excelente refeição, e pegar a estrada para
Fortaleza.
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