| O Turismo de Aventura e o Mergulho em Naufrágios
Inserindo o Contexto Histórico e Preservando nosso Patrimônio Cultural
Submerso
A palavra aventura – do latim "o que há por vir"
– remete - nos ao desafio, a um certo risco controlado, capaz de
proporcionar a sensação de prazer, liberdade, desenvolvimento e
superação pessoal, que varia de acordo com a expectativa de cada pessoa
e com o nível de dificuldade de cada atividade.
O Turismo de Aventura é hoje um importante segmento de mercado do
setor turístico cujo atrativo principal é a prática de atividades de
aventura de caráter recreativo.
Entendido como subproduto do Ecoturismo, o segmento possui
características e consistência mercadológica próprias e,
consequentemente, seu crescimento vem adquirindo um novo enfoque de
ofertas e possibilidades.
O segmento de Turismo de Aventura contempla, em sua prática,
comportamentos e atitudes que possam evitar e minimizar possíveis
incidentes e acidentes, bem como impactos negativos ao ambiente,
ressaltando o respeito e a valorização das comunidades receptoras.
O mergulho insere-se no contexto de Turismo de Aventura.
Segundo Carvalho "define-se como naufrágios os destroços de
navios, submarinos, aviões e até mesmo carros..."
Ainda citando o mesmo autor... "Os naufrágios despertam em todos
os mergulhadores uma sensação de mistério e excitamento, sendo um dos
locais preferidos quer para pesquisas quer para lazer."
Conceitos básicos de segurança jamais podem ser deixados de lado,
para não transformar o turismo de aventura, e também o mergulho em
naufrágios, em risco em potencial.
Desta forma, além de estar treinado adequadamente para a prática e
usar equipamentos com configuração específica, pesquisas em documentos
históricos fazem – se necessárias para se ter conhecimento do local
onde se mergulha.
Por isso cursos específicos foram desenvolvidos para formar este
mergulhador especialista, o mergulhador de naufrágios.
Pouca gente sabe, mas o litoral brasileiro está repleto de
naufrágios. São inúmeras embarcações afundadas e podemos dizer com
toda certeza que entre todos os que soçobraram em nossas águas
territoriais, mais de 100 navios são visitados constantemente por
mergulhadores. São navios desmantelados,
semi – inteiros ou inteiros atraindo cada vez mais apaixonados pela
atividade.
O mergulho em naufrágios está permeado pela arqueologia e a
história. Para Castro (2005), se fosse possível enxergar todo o fundo do
nosso mar, "o que veríamos seria um imenso e atemporal cemitério
formado por dez mil embarcações das mais variadas origens e bandeiras, a
maioria delas guardando inúmeras relíquias, úmidas lembranças de
importante valor histórico e cultural."
O pesquisador do Espaço Cultural da Marinha Brasileira do Rio de
Janeiro complementa que um sem número de embarcações afundadas
permanecem desconhecidas, aguardando apenas serem descobertas.
Apenas 1% das embarcações foram encontradas. "E, destas, somente
11 foram devidamente pesquisadas e registradas em todo o país"
afirma Castro (2005).
A preocupação atual de todos os especialistas é a preservação
desse nosso Patrimônio Cultural Submerso. Arqueólogos
afirmam que peças arqueológicas em si mesmas nada significam.
Segundo Lima ( 2005)..."o que lhes confere significado é o
contexto em que são encontradas. Ao serem removidas por pessoas
despreparadas, são eliminadas todas as possibilidades de estudo e de
produção de conhecimento sobre o passado".
Um Pouco da História do Brasil Colônia
Para Ferrari, "uma grande concentração de embarcações
submersas é diretamente proporcional à importância histórica das
regiões e ao tempo que durou esta importância".
No Brasil Colônia, não eram poucas as causas para um naufrágio.
Podemos enumerar como agente causal a imprudência dos pilotos, o
desconhecimento de referências para uma navegação costeira segura, os
constantes incêndios, o ataque de corsários e, sobretudo, o poder
destrutivo das tempestades.
Há também que se considerar o aspecto tecnológico da arquitetura
naval da época. Sabe-se que raramente as embarcações resistiam a mais
que duas viagens para as Índias, perdendo-se parte delas já no primeiro
retorno.
Como exemplo, podemos citar que em 1593, a nau São Cristóvão, pouco
depois de sair de Portugal foi a pique única e exclusivamente por uso de
madeiramento verde em sua construção.
De qualquer forma, vale à pena relembrar a nossa história e
imaginar que entre tantas navegações costeiras que aconteceram, quantas
embarcações foram a pique.
A história nos ensina que logo após a chegada de Cristóvão Colombo
à América, em 1492, os portugueses e os espanhóis começaram a discutir
a posse das terras. Para resolver a questão, decidiram assinar um
documento que recebeu o nome de Tratado de Tordesilhas. Assinado em 1494,
estabelecia uma linha de limite, um meridiano imaginário situado a 370
léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, na costa da África. As terras
que ficavam a leste eram de Portugal e as que ficavam a oeste pertenciam
à Espanha.
Consideremos que não há como duvidar que nesse período pré–colonial
recebemos, além dos portugueses e espanhóis, a visita de holandeses,
franceses e ingleses, que ficaram fora do Tratado de Tordesilhas.
Durante os trinta anos após a chegada dos portugueses, fomos
continuamente saqueados e o pau- brasil contrabandeado para Europa. Mas os
registros deste período são escassos e poucas informações possuímos a
respeito dos naufrágios.
Talvez a informação mais antiga de naufrágio no litoral brasileiro
seja da época da descoberta de Fernando de Noronha em 1503, atribuída ao
navegador Américo Vespúcio durante a segunda expedição exploratória
às costas brasileiras.
Em decorrência da descoberta, em 1504, o arquipélago foi doado
a Fernão de Loronha, que havia financiado a expedição. Foi a primeira
Capitania Hereditária do Brasil, porém jamais conhecida e muito menos
ocupada pelo seu donatário.
A descoberta, foi comunicada em uma carta, a LETTERA, logo após o
naufrágio da nau capitania da expedição, a principal embarcação das
seis que compunham a expedição.
Reza a lenda que a mesma colidiu no cabeço da Sapata, o mesmo que
provocou muitos anos depois, o afundamento da corveta V – 17.
Em tese, este seria o primeiro naufrágio em águas brasileiras, fato
muito discutido ainda entre os pesquisadores de renome.
Em 1530, Dom João III enviou ao Brasil a expedição de Martim Afonso
de Sousa, cujos principais objetivos eram verificar a existência de
metais preciosos, explorar e patrulhar o litoral e estabelecer os
fundamentos da colonização do Brasil.
Martim Afonso possuía plenos poderes para nomear autoridades e
distribuir terras às pessoas que quisessem permanecer aqui para
desempenhar essa missão.
A sua expedição percorreu quase todo o litoral brasileiro. De
Pernambuco, ele enviou dois barcos para explorar o litoral norte;
organizou expedições rumo ao sertão, partindo de Cabo Frio e de
Cananéia; chegou até a foz do rio da Prata e depois retornou ao litoral
paulista, onde fundou a vila de São Vicente em 1532.
Ali organizaram-se alguns povoados e neles iniciou-se o plantio da cana
e foram construídos os primeiros engenhos da colônia. Começava assim a
colonização efetiva do Brasil, apoiada na produção de açúcar para o
mercado externo.
Após a expedição comandada por Martin Afonso de Souza e a divisão
da colônia em Capitanias Hereditárias, várias outras embarcações
também costearam nosso litoral, principalmente em torno de São Vicente e
Pernambuco, as únicas a apresentarem resultados satisfatórios. O sucesso
delas deveu-se ao êxito da cultura canavieira e da criação de gado. As
outras capitanias enfrentaram vários problemas e não progrediram.
Após a tentativa fracassada das capitanias hereditárias, a coroa
portuguesa estabeleceu o Governo-Geral, cuja capital foi Salvador. Se
pensarmos que no período das grandes navegações, o caminho para o
Oriente dava-se contornando a África, relembremos que no retorno, as
correntes marítimas empurravam as embarcações à vela para a costa do
Nordeste do Brasil. Também por este motivo, Salvador tornou- se o
principal porto da Colônia.
Tomé de Souza foi escolhido por Dom João III para ser o primeiro
governador-geral do Brasil.
Chegou em 29 de março de 1549, acompanhado por mais de novecentas
pessoas, entre soldados, colonos a degredados.
O governador trazia ainda material para iniciar a construção da
primeira cidade, além de algumas cabeças de gado. Estes foram os
principais fatos de sua administração:
- Início das atividades dos jesuítas no Brasil. O primeiro grupo de
missionários jesuítas chegou com o governador e era chefiado pelo
padre Manuel da Nóbrega.
- Fundação de Salvador, a primeira capital do Brasil, em 1549.
- Criação do primeiro bispado brasileiro.
- Visita às capitanias do sul, onde o governador considerou
aprovada a fundação da vila de Santo André da Borda do Campo, feita
anos antes por Martim Afonso de Souza, e proibiu que os missionários
se instalassem no sertão (medida que se revelou inútil). As duas
atitudes do governador relacionavam-se com o fato de a capitania de
São Vicente ser considerada um ponto estratégico por sua proximidade
com as terras espanholas, com as quais inclusive, os vicentinos
mantinham muitos contatos.
- Criação das primeiras fazendas de gado.
Foi muito importante para o primeiro governo-geral a ajuda recebida do
português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, bem como o trabalho dos
jesuítas. Diogo Álvares vivia entre os indígenas da Bahia desde 1510 e
desempenhou importante papel como intermediário entre os portugueses e os
índios.
Os sacerdotes da Companhia de Jesus, sob a chefia de Nóbrega, fundaram
em Salvador, o primeiro colégio do Brasil. Os jesuítas penetraram no
sertão, empenharam-se na catequese dos índios, fundaram escolas para os
filhos dos colonos e procuraram impor aos portugueses as normas da moral
cristã no relacionamento com os indígenas.
O segundo governador-geral, Duarte da Costa, chegou ao Brasil em 1553,
trazendo 250 pessoas, entre elas o noviço José de Anchieta. Vários
acontecimentos marcaram a administração do segundo governador-geral:
- Combate às tribos indígenas do Recôncavo Baiano.
- Expedição ao sertão, com o objetivo de procurar as tão faladas
riquezas minerais, procedentes das colônias espanholas situadas na
região andina.
Recordemos aqui o incidente entre o primeiro bispo, Dom Pero Fernandes
Sardinha, e o filho de Duarte da Costa, Dom Álvaro da Costa, que trouxe
consequências trágicas para o bispo. Diante das críticas de Dom Pero
Fernandes à agressividade e aos maus costumes de Dom Álvaro, a
população de Salvador se dividiu em duas facções: uma favorável a Dom
Álvaro e ao governador; outra favorável ao bispo.
Dom Pero Fernandes foi chamado a Portugal para dar explicações sobre
os acontecimentos, mas seu navio, a nau Nossa Senhora da Ajuda naufragou
no litoral de Alagoas, no município de Coruripe e ele foi morto pelos
índios caetés.
A história também registra no local o naufrágio do navegador
espanhol Dom Rodrigo de Albaña, que foi homenageado com o batismo de um
grande rochedo, em 1560. O local passou a chamar -se baixios de Dom
Rodrigo.
- Fundação do Colégio de São Paulo pelos jesuítas, em 25 de
janeiro de 1554.
- Invasão do Rio de Janeiro em 1555 pelos franceses, que pretendiam
estabelecer uma colônia naquele local. Como não dispunha de recursos
suficientes para expulsá-los, o governador nada pôde fazer.
Os franceses aportaram na baía de Guanabara com o objetivo de instalar
um núcleo colonial, a França Antártica. Chefiados por Nicolau Durand de
Villegaignon, ali fundaram o forte de Coligny. Pretendiam garantir a
exploração do pau-brasil no litoral sul e conseguir um espaço onde os
protestantes franceses pudessem exercer livremente sua religião. Fizeram
amizade com os índios Tupinambás que, junto com outras nações
indígenas, guerreavam com os portugueses contra sua escravização. A
união das tribos indígenas contra os portugueses ficou conhecida como a
Confederação dos Tamoios.
Assim sendo, uma das principais missões de Mem de Sá, sucessor de
Duarte da Costa, seria a expulsão dos franceses no Rio de Janeiro.
Vale lembrar que somente em 1563, os jesuítas José de Anchieta e
Manuel de Nóbrega conseguiram firmar a paz entre os portugueses e os
índios tamoios, que ameaçavam a segurança de São Paulo e de São
Vicente. Anchieta permaneceu cinco meses como refém dos índios de
Iperoig, aldeia localizada onde é hoje a cidade de Ubatuba, no litoral
norte do Estado de São Paulo. A chamada Paz de Iperoig, conseguida pelos
dois sacerdotes, permitiu a sobrevivência do Colégio de São Paulo e a
permanência dos portugueses na região.
Mem de Sá, num primeiro ataque contra os invasores do Rio de Janeiro,
conseguiu destruir o forte Coligny, que eles tinham construído na ilha de
Serigipe, hoje Villegaignon, na baía de Guanabara. Depois disso, o
governador voltou à Bahia. Os franceses, que tinham conseguido refúgio
junto aos índios, seus aliados, retornaram e reconstruíram o forte.
Em 1º de março de 1565, o sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá,
fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A nova cidade
tornou-se a base das operações dos portugueses na luta contra os
franceses. A expulsão definitiva deles só foi conseguida depois de
muitas lutas. Estácio de Sá, com a ajuda de tropas do governador e da
região de São Vicente, derrotou os invasores depois da batalhas do forte
Coligny, de Uruçu-Mirim e da ilha do Governador (Paranapuã).
Imaginem o potencial submerso dentro da baía da Guanabara...
Destacaram-se nos combatentes, lado a lado com os portugueses, os
índios do Espírito Santo, comandados por Araribóia. Como recompensa,
esse chefe indígena recebeu uma sesmaria na região do Rio de Janeiro,
onde fundou a vila de São Lourenço, que deu nome à cidade de Niterói.
Mem de Sá, o terceiro Governador Geral, cujo governo durou 15 anos, veio
para o Brasil com três metas bem definidas:
- pacificar a administração, atenuando os conflitos entre indígenas
e colonos;
- restabelecer as relações com o Bispado, estremecidas durante o
governo anterior e expulsar os franceses do Rio de Janeiro.
Em um breve espaço de tempo atingiu as duas primeiras metas. A
expulsão dos franceses só se efetivou em 1567. Mem de Sá governou até
1572, ano de sua morte. Dom Luís de Vasconcelos, que havia sido enviado
em 1570 para ser o quarto governador, morreu durante a viagem para o
Brasil, quando seu navio foi atacado por piratas franceses.
Entre os anos de 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro foi alvo de ataques
e fixação de holandeses. Interessados no comércio de açúcar, os
holandeses implantaram um governo em nosso território. Sob o comando de
Maurício de Nassau, permaneceram lá até serem expulsos em 1654. Nassau
desenvolveu diversos trabalhos em Recife, modernizando a cidade. Após a
expulsão dos holandeses, o açúcar entra em declínio, pela perda do
monopólio.
Fernando de Noronha foi outro ponto bastante frequentado já que ficou
abandonada por mais de dois séculos e como estava situada na rota das
grandes navegações.
Foi ocupada temporariamente no século XVII por holandeses (que a
chamaram "Pavônia") e no século XVIII por franceses (que a
rebatizaram de "Ile Delphine").
A segunda metade do século XVII, foi tempo de crise. A seguir passa-se
a estimular o bandeirismo para a busca do ouro nas Minas Gerais, que
marcaria a segunda fase da colonização.
Para acompanhar o desenvolvimento da região sudeste, a capital do
país foi transferida para o Rio de Janeiro.
Naufrágios Históricos
O período colonial deixou um sem número de naufrágios e assim sendo,
um grande número de embarcações esperam para serem descobertas nos
estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina,
áreas de significância histórica.
Apenas para citar alguns dos naufrágios históricos já localizados,
no litoral baiano temos os naufrágios da nau holandesa Utrech,
localizada acima da ilha de Itaparica, afundada durante batalha em 1648 e
também da nau portuguesa Santo
André que foi a pique em 1737.
As imediações do Forte de São Marcelo marcam o local de afundamento
do Quenn (1799). Também não
podemos deixar de citar o naufrágio do Galeão
Sacramento em 1668 que bateu no banco de Santo Antonio e a seguir
afundou. A embarcação era a nau capitania de uma grande frota que
levaria para Europa, a produção da colônia. O naufrágio foi descoberto
e saqueado por mergulhadores até que a Marinha ofereceu meios para
regatá-lo.
O litoral baiano deve ser considerado um dos maiores sítios de
naufrágios do país devido à posição estratégica de Salvador como
entreposto na rota Lisboa – Oriente.
Estima-se hoje a existência de 600 embarcações naufragadas. A
capital responde com 60 navios, 17 deles localizados e alvo de constantes
visitas de mergulhadores.
Entretanto, é na Praia da Barra onde se encontra o maior número de
navios. Esses foram afundados principalmente pela colisão com o Banco de
Santo Antônio. A elevação de areia na entrada da Baía de Todos os
Santos sobe rapidamente de 30m para 4m de profundidade, um verdadeiro
perigo para os que não conhecem os segredos da costa. Não por acaso, em
1696, o conhecido farol foi instalado para salvaguardar as naus bem
vindas. Próximos ao banco de areia, se encontram destroços dos navios
Santa Escolástica (1693).
Chamam igual atenção as sete embarcações soterradas na região do
Comércio, na Cidade Baixa. Ali, repousam navios portugueses afundados
durante o ataque do corsário holandês Wilkessen, pouco antes da primeira
invasão holandesa e muitos séculos antes da reforma urbanística que
aterrou a área.
Em Pernambuco, próximo da Cabo de São Agostinho existe o naufrágio
do Galeão São Paulo, que
afundou no ano de 1652. Historicamente importante, o navio foi durante
anos, motivo de cobiça entre caçadores de tesouro.
Do Alfama de Lisboa,
que naufragou em 1809, no litoral do Recife, já foram resgatadas
inúmeras peças de significância histórica.
Aliás, em Pernambuco encontra-se ainda desaparecido aquele que é
considerado o mais importante naufrágio brasileiro e o segundo mais
valioso do mundo, que foi a pique em 1726 com 26 toneladas de ouro à
bordo, o Santa Rosa.
Conclusão
Cada um desses navios afundados é como uma cápsula do tempo guardando
incontáveis lembranças de seu passado. Uma das atividades que se
fortalecem com a permanência das peças no fundo do mar é o turismo
subaquático.
A preservação desse patrimônio cultural submerso tem sido uma
preocupação constante entre especialistas de mergulho em naufrágio e da
arqueologia submarina, já que a ineficácia de nossa legislação permite
pirataria porque não deixa claro o que é um sítio arqueológico
submerso e muito menos define as diferenças entre bens culturais
submersos e de superfície.
O receio da comunidade está centrada na possibilidade da livre
comercialização desses bens, o que vai contra as atuais diretrizes
internacionais propostas pela UNESCO, ICOMOS, ONU entre outras importantes
organizações.
A proposta deste artigo é sensibilizar o estudo aprofundado não
apenas da embarcação naufragada, mas também do momento histórico e dos
aspectos sociais que permeiam o momento, fomentando o turismo de aventura
através do mergulho em naufrágios.
O turismo submarino em sítios arqueológicos já é uma realidade em
diversos países. O sentido maior dessa modalidade de turismo é a
satisfação do desejo das pessoas mergulharem e vivenciarem novas
experiências nos mais diferentes naufrágios.
Mas para que tal fato aconteça e atraia turistas submarinos nacionais
internacionais, precisamos de profissionais que conheçam tanto os
aspectos do turismo histórico, dos bens culturais submersos e de
superfície, tanto do ponto de vista técnico como do operacional.
Além disso, profissionais que sejam capazes sensibilizar e emocionar
as pessoas com tais fatos.
Urge desenvolvermos nos profissionais de mergulho conhecimentos ligados
à cultura para que possa trabalhar o turismo de aventura com ênfase na
história, assim como precisamos desenvolver no turismólogo conhecimentos
e habilidades a respeito da atividade de mergulho.
Ambos deverão também conhecer gestão e leis ambientais e serem
capazes de promover a associação do potencial turístico, do patrimônio
histórico e cultural de um local ou cidade turística.
Deverão também trabalhar em conjunto as belezas cênicas e as
paisagens naturais, sabendo conciliar e relacionar o turismo com o meio
ambiente, trazendo ganhos intangíveis ao setor e a satisfação total ao
turista.
Este é o grande desafio da nova geração. Manter equilibrada a delicada
e estreita relação entre turista, turismo, patrimônio cultural e meio
ambiente.
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