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Retornando ao Navio do Breu
No último mês de julho fui convidado pelo Bruno Tae e pelo Celso Júnior, mergulhadores
técnicos de São Paulo, para participar de uma operação bem diferente do que estamos
acostumados. Mergulhar no Navio do Breu utilizando uma voadeira de alumínio.
Pra quem não sabe, o Navio do Breu é um antigo vapor naufragado na costa
sul carioca, nas proximidades da Ponta da Juatinga, por motivos desconhecidos
até então. Alguns poucos se arriscam a dizer que o naufrágio seria o Rio
Macahuan, um vapor inglês que naufragara nas imediações, mas como dizer que
esta é a identificação correta, se não há provas concretas para tal ?
Como a persistência é a alma do negócio para aqueles que pesquisam
naufrágios, o convite caiu como um presente, pois a vontade de retornar ao
naufrágio e dar continuidade nas pesquisas e identificação é grande, mas as dificuldades para realizar
os mergulhos também são.
Ao receber o convite, a primeira pergunta era como pretendiam ir, e a
resposta foi: de voadeira de alumínio. Gostei e fui conferir de perto.
A Viagem
Com alguns bons contatos, Bruno e o Celso conseguiram um esquema de saída por uma das praias de uma cidadezinha chamada
Trindade, a última
cidade do Rio de Janeiro antes de chegar à Ubatuba, já no estado de São
Paulo.
Feito o planejamento, fomos para Trindade, onde chegamos em uma pousada
próxima das praias e montamos os equipamentos para o mergulho. Posteriormente
fomos para a praia para realizar o embarque e sair em direção ao naufrágio.
Como tudo na vida, o uso de voadeiras de alumínio tem lá suas vantagens,
como embarque relativamente rápido, agilidade e velocidade em navegação. Como
desvantagem, encontramos a falta de estabilidade e espaço. Mas o mergulho no
Navio do Breu não tem preço, e vale todo o esforço.
O Mergulho
Equipamentos montados no barco, agora era partir para o naufrágio, onde
aproveitamos as paisagens paradisíacas que a costa sul fluminense oferece aos
turistas.
Em apenas 30min, chegamos ao naufrágio. Se a saída fosse realizada partindo
da cidade de Parati,
levaríamos alem torno de 1:30 à 2h de navegação, utilizando uma embarcação rápida
e com um custo bem mais elevado, face a distância necessária a ser percorrida.
Barco parado e todos na água, e apesar da embarcação ser pequena, fomos de
dupla e um dos integrantes de Side Mount, que diga-se de passagem, foi a melhor
configuração para o local.
Mergulho tranquilo, visibilidade média em torno dos 6m, água quente e um
naufrágio belíssimo só pra gente. Foram quase 2hs de mergulho tranquilo.
Uma coisa me impressionou bastante. O naufrágio carregava grande quantidade
de garrafas de
vidro, e retornando ao naufrágio após 1 ano, percebi que o número de garrafas reduziu de forma absurda, demonstrando que mergulhadores retiraram
objetos do naufrágio. Soube inclusive, que um mergulhador encontrou um sextante
no local.
Como ir
Mergulhar no Navio do Breu não é algo fácil, basicamente é necessário
casar dois itens: disponibilidade de embarcação e condições de tempo e mar,
sendo este último, o pior item.
Por estar em local desabrigado, é importante que o
mergulhador só realize a saída com mar extremamente calmo. O mergulho é raso e de costão, onde a profundidade máxima não ultrapassa
os 15m.
Durante a operação, quem estiver na superfície deve estar atento ao tempo.
Agradecimentos Especiais
- Ao Bruno Tae e ao Celso Júnior, pelo convite e possibilidade de retornar
ao naufrágio;
- Dani Shi pela carona e mergulho;
- Júnior, Samantha e Marcelo, pela companhia na operação.
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