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Mergulho em Naufrágios: Entrar neles não é para qualquer um

Mergulhar em navios naufragados, é sempre um mergulho diferente e confortável para aqueles que amam esta especialidade. Contudo, devemos saber nossos limites, não só no que diz respeito às condições físicas, como principalmente nos quesitos conhecimento e técnica.

Ao mergulhar em um naufrágio, o mais básico a ser feito, é rodear a embarcação para conhecê-la por fora, mas em certos casos, o naufrágio permite o que chamamos de penetração, que significa entrar na embarcação naufragada.

É muito comum em alguns locais do Brasil, ver mergulhadores recreacionais e até mesmo recém formados entrarem em um naufrágio como o Pinguino em Angra dos Reis, para matar a curiosidade. Esta é uma atitude totalmente irresponsável e que poderá levar o mergulhador a ter problemas sérios, como foi o caso de dois mergulhadores que adentraram no Pinguino e não conseguiram sair do mesmo. A causa do acidente, foi a desorientação enquanto estavam no interior do mesmo.

Para entrar em um naufrágio, há uma série de pontos que o mergulhador deve analisar antes de tomar a decisão de seguir em frente.

Um naufrágio está em constante mudança estrutural, pois a mesmo fora fabricado para sofrer manutenções e não para ficar 24h do dia embaixo d’água. O processo corrosivo atua em toda a estrutura de forma gritante e muitas vezes invisível, o que possibilitará o desmantelamento da embarcação tempos depois.

Com o passar do tempo, toda essa estrutura perde sustentabilidade e tende a desabar. Imagine uma chapa de ferro caindo sobre um mergulhador ?

Nos filmes de cinema, quando isso ocorre, o mergulhador fica apenas preso embaixo da chapa, quando na realidade, um mergulhador enfrentaria mais problemas, como inconsciência, possibilidade de perda de gás e visibilidade zero.

No caso dos naufrágios artificiais como o Victory 8B e os rebocadores de Recife, eles passam por um processo minucioso de vistoria e preparação para tornar o mergulho neste naufrágios agradável e seguro, não oferecendo assim, o risco de desorientação ou ficar preso no interior da estrutura.

Redes de Pesca

Um problema comum em naufrágios, é o encontro com redes de pesca. Muitas vezes, pescadores acabam perdendo suas redes de arrasto no mar. Normalmente isso acontece, por desconhecerem os obstáculos presentes em uma determinada região, sendo um problema ao mergulhador despreparado.

Vejo as redes como uma grande cilada, pois dependendo do tipo de rede que tenha ficado presa a um naufrágio, ela poderá boiar alguns metros e ser um grande ponto de enrosco para um mergulhador desavisado e/ou despreparado. Já houveram casos de enrosco de mergulhadores nos naufrágios CT Paraíba e Wakama, mas felizmente nada de grave ocorreu, pois os mergulhadores eram experientes e realizaram os procedimentos corretos para contornar o problema.

Algumas dicas

  • Não entre em naufrágios que não tenham sido preparados para receber mergulhadores recreacionais;
  • Leve uma boa lanterna para aproveitar melhor o mergulho;
  • Tenha sempre uma boa faca. Ela pode salvar sua vida !
  • Se você não possui conhecimento avançado em naufrágios, não mergulhe em naufrágios com pouca visibilidade;
  • Não entre em um naufrágio com um mergulhador experiênte no assunto. Ele poderá sair, você não.

Certificadoras

As certificadoras possuem cursos de mergulho em naufrágios, que é uma especialidade muito recomendada para quem que curte este tipo de mergulho, no entanto, deve-se ter em mente que este treinamento não irá prepará-lo para mergulhar no interior dos naufrágios, com exceção é claro, dos naufrágios artificiais.

Algumas certificadoras com especialização e treinamento em mergulho técnico, possuem um treinamentos para mergulhos avançados em naufrágios, que levam ao mergulhador interessado, um bom e profundo conhecimento na especialidade. Além disso, o mergulhador em treinamento, terá aulas práticas para entender na prática o quanto é importante um treinamento prévio, com mergulhadores experientes no assunto.

Lembre-se: segurança acima de tudo !



Cabos presentes no interior do naufrágio

 

 

 

 

 


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 sendo certificado pela CMAS. Atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, realizando diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR pela IANTD, e Juiz AIDA Internacional.

Consultor em TI, é o idealizador do site Brasil Mergulho criado no ano de 1998. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, foi consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU e UNESCO, e integrante do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS.

Atuou em reportagens para revistas, documentários e matérias para TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Com a experiência adquirida, criou também a empresa Brasil Mergulho Produções, destinada a produção de vídeos e documentários subaquáticos.



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