| Notas
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Nomes anteriores:
- American Robert Fulton
- Maria Isaabel
Histórico
Navio de casca de madeira, de propulsão a vela e armação em galera,
construído nos Estados Unidos da América do Norte e chamado
primitivamente, American Robert Fulton. Foi adquirido pelo nosso Governo, em
outubro de 1827, pela quantia de 152 contos de réis. Tinha as seguinte
características: 156 pés de comprimento; 34 de boca 16 de pontal. Foi
artilhada com 26 colubrinas; sendo quatro de calibre 18 e 22 de 32,
guarnecida com 250 praças e classificada como corveta. Tomou o nome de
Maria Isabel, de uma filha do Imperador D. Pedro I com a famosa Marquesa de
Santos, também Duquesa de Goiás.
Este navio, segundo um cronista coetâneo: "fez época na Armada
pela suas boas qualidades, quer se tratasse do andar, quer da elegância e
fortaleza, qualidades esse, que nem sempre se acham reunidas num mesmo
caso". A 25 de janeiro de 1828, navegava ela junto das ilhas
Alcatrazes, zarpara de Santos na véspera comboiando doze embarcações
destinadas ao Rio de Janeiro.
Era seu comandante o Capitão-Tenente José Ignácio Maia, "que
bastantes provas já dera – diz Garcez Palha – como valente e hábil
oficial". Pelas oito horas e meia da noite da referida data. O
Corsário argentino Níger, comandado pelo inglês John Coe, que cruzava
naquelas alturas, procurou abordar a Maria Isabel, por três vezes, chegando
numa das tentativas a apossar-se da tolda do navio, o audacioso inimigo,
durante vinte minutos, conforme asseverou testemunha presencial. A bravura
de sua maruja conseguiu repelir os argentinos, que perderam mais de 50
homens.
A 22 de fevereiro do mesmo ano, estando ela a cruzar o mar do Ponta
Negra, seus gajeiros deram vista de um corsário inimigo, que havia apresado
uma escuna mercante. Deu-lhe caça a Maria Isabel, mas apenas pôde recolher
um escaler com o mestre e contra-mestre, cinco marujos e quatro passageiros
do navio apresado. A 9 de fevereiro de 1830, assumiu o seu comando o
Capitão-de-Mar-e-Guerra José Joaquim Raposo.
Após a abdicação de D. Pedro I (1831) recebeu a alígera corveta o
nome de Regeneração, lembrando o restabelecimento das nossas liberdades
perdidas durante o primeiro Império. Em princípio de 1832 foi enviada para
o Maranhão, onde nela embarcou o Primeiro-Tenente Hannibal Boldt. Em
novembro tomou seu comando o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco de Assis
Canto e Teive. Chegou ao Rio no mês de janeiro de 1833, desarmado no dia
27. Partiu para a Bahia, a fim de manter a ordem. Nela teve embarque o
Primeiro-Tenente Antonio Firmo Coelho.
A 27 de abril recebeu bombardeio dos sublevados, despejando no dia
seguinte várias salvas contra o Forte do Mar ou São Marcelo. Um dos seus
tiros pôs em baixo o mastro da bandeira do forte. Passou quase o resto do
ano na Bahia, onde foi comandada por Joaquim Raposo, Antonio F. Coelho e o
Capitão-de-Fragata João Francisco Regis. Nela embarcou o Tenente Caetano
Filgueiras. Seguiu para o Rio de Janeiro onde se encontrava em abril de
1835.
Em maio nela teve embarque o Primeiro-Tenente Santiago Subrá. Rebentando
no Pará a revolta conhecida como de "Cabanada" ou
"Cabanagem" (1835), a Regeneração seguiu para Belém na força
chefiada pelo Chefe-de-Divisão John Taylor. Lá chegou a 19 de junho e a 21
dava fundo a corveta no ancoradouro da capital paraense. Sob o comando de S.
Subrá, tomou parte nos bombardeios das posições inimigas e nos
desembarques procedidos nos dias 14, 15 e 16 de agosto, até o dia 22,
quando regressaram as forças desembarcadas.
A 25 fez-se de vela para o Maranhão conduzindo as irmãs e cunhados do
chefe rebelde Angelim. Voltou ao Pará, onde passou todo o ano de 1836 e
parte de 1837, tomando parte nas operações de guerra. Durante esse tempo
serviram a seu bordo os Tenentes José Antonio Correia, Henrique M. de
Moraes e Valle, Fernando José Possolo, Carlos A. da Rocha Freire, Francisco
Xavier de Alcântara, Ernesto Muniz Barreto, João Batista de Oliveira
Guimarães, João Gomes de Aguiar, Felix Lourenço de Siqueira, Benjamim
Carneiro de Campos, Manuel F. da Costa Pereira, Aquiles Lacombe, etc. Alguns
Comandaram-na interinamente.
A 1o de maio de 1837 assumiu seu comando o Capitão-de-Fragata
Frederico Mariath que a levou ao Rio onde chegou em agosto. Nela também
tiveram embarque os Primeiros-Tenentes Luiz da Silva Beltrão e F. da Gama
Rosa. Foi desarmada para entrar em reparos. Seguiu para a Bahia, no fim do
ano. A 19 de fevereiro de 1828 nela tiveram embarque os Tenentes Marques
Lisboa e Ignácio Tavares, que alcançaram o Almirantado. A 15 de fevereiro
foi nomeado seu comandante o Capitão-de-Mar-e-Guerra J. J. Raposo.
Tomou parte no abafamento da revolta conhecida por Sabinada. Em 15 de
março, sua gente, em escaleres, auxiliou a tomada do Forte Monteserrate que
se rendeu às 4h da tarde. Voltou ao Rio onde se achava em 1839, com uma
guarnição de 211 homens. Em 1839, sob o comando do Capitão-de-Fragata
Joaquim Ferreira Leal, cruzava entre Cabo Frio e Rio da Prata para afugentar
os corsários rio-grandenses. Entre Paraná e Santos perseguiu dois
lanchões comandados por J. Garibaldi, mandando ele várias bordadas.Pouco
depois fazia parte dos navios em operações de guerra em Santa Catarina
onde estacionou até princípios de 1840.
Estava com a lotação reduzida a 194 praças. Foi ao norte onde
regressou em agosto desse ano. A 9 de outubro assumiu seu comando o
Capitão-de-Mar-e-Guerra Raposo que o levou a Bahia. Em agosto de 1841 nela
embarcou o Capitão-Tenente A. J. de Andrade Pinto. Foi-lhe passada mostra
de desarmamento em 22 de novembro de 1842. Estava alquebrada; foi então
reduzida a por não admitir fabrico. Abrindo água nesse mister foi
condenada a 21 de julho de 1846. Acabou a elegante corveta nas praias de
Itapagipe. A despesa mensal, em 1829, com este navio era de 2:955$600.
Fonte: Marinha do Brasil
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