| Notas
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O Aquidabã era classificado como encouraçado
de Esquadra, por ser o navio mais importante da Marinha na época em
que foi comprado. Tecnicamente era considerado um dos mais avançados
da época, onde chegava a atingir 15 nós com seus motores de 6200
HP à vapor.
Armamento:
quatro canhões de retrocarga de 9 polegadas, em duas torres duplas
dispostas diagonalmente, uma a boreste e outra a bombordo; quatro
canhões de 5 polegadas no convés superior; 15 metralhadoras e
cinco tubos para lançamento de torpedos. Como a sua couraça não
protegia igualmente todo o navio, chegou a ser apelidado de Encouraçado
de Papelão pelo seu primeiro comandante, Capitão-de-Mar-e-Guerra
Custódio de Mello.
Em novembro
de 1891, o Aquidabã cumpriu um papel decisivo na reação à
tentativa de golpe de estado contra o Marechal Deodoro. Foi de um de
seus canhões que saiu o tiro de advertência à Esquadra de São
Bento, chegando a danificar a cúpula da igreja da Candelária no
Rio de Janeiro. O encouraçado atingiu o ápice de sua carreira em
1893, no início da Revolta da Armada, quando abrigou a bordo o
Almirante Custódio de Mello, chefe de uma rebelião contra o
governo do Marechal Floriano Peixoto. O navio cruzou três vezes a
Baía de Guanabara, resistindo à artilharia da costa e, ainda por
cima, levando a bordo o oficial que o chamara de Encouraçado de
Papelão. A partir daí, seu apelido passaria a ser Casaca de Ferro.
Durante a
Revolta da Armada, em uma batalha com os navios do Governo, foi
torpedeado em 16 de abril de 1894, em Anhatomirim, pelo
contratorpedeiro Gustavo Sampaio, quando afundou parcialmente,
depois foi posto a flutuar e levado ao Rio de Janeiro para reparos
superficiais. Em seguida rumou para a Europa, onde foi levado para a
Alemanha para realizar as recuperações necessárias no casco e máquinas
e na artilharia, na Inglaterra. Somente em 1897 o navio voltaria a
navegar, com um armamento ainda mais poderoso.
Algum tempo
depois o Aquidabã retornaria ao estaleiro para ser transformado em
embarcação para experiências de transmissão de telégrafo sem
fio. As mudanças foram basicamente, a retirada dos dois mastros
militares (instalados durante a reforma), os tubos de torpedo acima
da linha d'água e a instalação de um mastro para a transmissão
de dados telegráficos.
Em 21 de
janeiro de 1906, fundeado na Baía de Jacuacanga, em Angra dos Reis,
junto com os Cruzadores Barroso e Tamandaré, o Aquidabã após
violenta explosão de um paiol contendo cordite (explosivo usado
na épocapara munição), afundou quando faltavam poucos minutos para as
11 horas da noite. Por algum motivo que até hoje se desconhece, o
Aquidabã transformou-se numa enorme bola de fogo e partiu-se ao
meio, levando para o fundo do mar 212 homens de sua tripulação,
inclusive parte da comitiva ministerial que procedia a estudos sobre
o novo porto militar, seu comandante, e grande parte da sua
oficialidade.
Salvaram-se
98 pessoas. A bordo do Cruzador Barroso, o então Ministro da
Marinha, Júlio Cesar de Noronha, viu explodir o encouraçado, a
pouca distância, estando entre as vítimas, o seu filho,
Guarda-Marinha Mário de Noronha e um sobrinho, o Capitão-Tenente
Henrique de Noronha. A história da catástrofe logo se espalhou,
virando manchete nos principais jornais de todo o mundo.
Hoje, os
destroços repousam a uma profundidade entre 8 e 18 metros, ao largo
do monumento inaugurado na Ponta do Pasto (1913) em homenagem às vítimas
da tragédia. A visibilidade no local dificilmente ultrapassa os 2
metros, podendo chegar até 5m em dias de muita sorte. Deve-se tomar cuidado em função dos vergalhões
expostos.
Após este acidente, a Marinha
criou um setor responsável pela identificação dos tripulantes, pois
diversos corpos encontrados não puderam ser reconhecidos na época.
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