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U-boats no Brasil
durante a 2ª Guerra Mundial
Corria o ano de 1942.
Notícias chegavam de navios mercantes brasileiros afundados nas costas
dos EUA.
As primeiras vítimas
sucumbiram em fevereiro, um mês após o Brasil romper relações com o
Eixo. E a lista não parou mais de crescer.
Nós estávamos tão
longe do conflito que em 1941 (antes de Pearl Harbor) não se acreditava
que a guerra alcançasse os brasileiros. Na verdade estávamos
exportando para os EUA que estavam mantendo as linhas vitais de
suprimentos para a Inglaterra, que os alemães e italianos queriam
romper.
O 1º esquadrão
que aqui chegou foi o VP-83 (baseado em Parnamirim Field, RN
equipado com Catalinas anfíbios), em 8 de abril de 42. Na
véspera, o 1º afundamento em águas brasileiras ocorreu. O navio
americano Eugene V.R. Thayer, pelo submarino italiano Calvi.
Outros dois afundamentos se seguiriam nesse mês.
Em maio ocorre o 1º
afundamento de um navio brasileiro em águas nacionais, após 6
afundamentos em águas estrangeiras. Fizemos um acordo militar com os
americanos, enquanto eles treinassem os brasileiros nas táticas e
equipamentos modernos, a defesa da costa nacional seria feita pela
Marinha Americana em conjunto com a Marinha Brasileira e a FAB.
O primeiro ataque da FAB
a um submarino foi executado no dia 22 de maio de 1942 entre o
arquipélago de Fernando de Noronha e o atol das Rocas por um B-25 do
Agrupamento de Aviões de Adaptação, formado em 41 no Destacamento da
base Aérea de Fortaleza, pilotado pelos capitães-aviadores Affonso
Celso Parreiras Horta e Oswaldo Pamplona Pinto.
Em agosto o Brasil
declara guerra ao Eixo, após vigorosas manifestações populares pelo
país afora e quase 700 brasileiros mortos.
Um dos americanos
do VP-83, era Billie Goodell, engenheiro de vôo,
mecânico e canhoneiro oficial. Goodell alistou-se na marinha com
17 anos em 1941. O 1º submarino afundado na costa brasileira, U-164,
foi avistado por Goodell, que ficou conhecido na sua unidade como
"Eagle Eyes" (olhos de águia) em 06 de janeiro de 1943,
no seu Catalina 83-P-2. Recebeu medalhas, descanso em casa e ate
matéria no jornal de sua cidade. Até esse dia 32 navios (dentre
eles 9 brasileiros) tinham ido a pique em águas brasileiras.
Quando Roosevelt esteve
no Brasil em Janeiro de 1943 a caminho de uma conferência em
Casablanca, já haviam no Brasil 3 esquadrões anti-submarinos da
Marinha americana, VP-74, 83 e 94 e muitas outras unidades passariam
pelo país. No dia 13 de janeiro de 1943, eles conseguem afundar o
sanguinário U-507 (10 afundamentos
no Brasil) e em 15 de abril de 1943, afundam o submarino italiano Archimede,
o único italiano afundado em águas brasileiras.
Após quase um ano de
Brasil, em maio de 1943, eles voltam aos EUA para serem renomeados
VB-107 e reequipados com Liberators. Em Junho já estavam de volta.
Em julho a FAB afunda o U-199
pelo nosso guerreiro Alberto Martins Torres. O
avião de Goodell era o 11, BuAer 32052 "Gallopin Ghost of the
Brazilian Coast" AAF serial 42-40566 PB4Y-1D-70-CO Liberator (o
mesmo que o B-24 da USAAF).
Em setembro eles
montaram um destacamento nas ilhas Ascenção e numa dessas
viagens, em 15 de outubro numa decolagem abortada, o
"Ghost" se acidentou na aterrissagem com perda total,
mas sem vitimas. Estava totalmente carregado de combustível e
armamento, mas não houve explosão ou fogo. Pequeno milagre.
Goodell era também o
fotografo da unidade e ia sempre a Natal na loja da Kodak para revelar
seus filmes, onde ficou amigo dos brasileiros, que o convidavam para
jantar de vez em quando.
Em 23 de julho de 1943
eles afundam o U-598. O último
U-boat afundado no Brasil foi em 27 de setembro de 1943 pelo VP-74.
Então, a FAB já estava treinada e no controle da nossa costa.
Goodell foi
condecorado várias vezes (Distinguished Flying Cross depois de um
afundamento em Fortaleza) e sua unidade VP-83 / VB-107 recebeu a
Presidential Unit Citation, pois, foi a unidade com maior número
de afundamentos, 6 U-boats, 1 submarino Italiano e um navio
alemão armado "blockade runner" e também assistiu o
afundamento de um 7º e 8º U-boat. Nesse período eles perderam
um Catalina e 4 Liberators.
Ele esteve na
maioria das cidades entre Rio e Belém. Pegavam um comboio para
escoltar e ficavam em vôo por dez a doze horas em seguida até
serem substituídos, então voavam até a cidade mais próxima
para reabastecer e passar a noite. No dia seguinte eles
substituíam o avião em missão e assumiam a escolta. Depois que
o comboio ficava fora de alcance eles retornavam para sua base, em
Parnamirim. Essa base foi construída pelos americanos e foi o
"trampolim para a vitória" dos aviões americanos
saídos dos EUA a caminho da África.
Em novembro de 44 foi
transferido para o VPB 109 em OKINAWA, voando o Privateer, mas era como
o inferno se comparado ao Brasil com todos aqueles kamikazes se
espatifando sobre os aviões na pista.
Em Janeiro de 45 sua
ex-unidade deixou o Brasil e foi para a Inglaterra onde ficou até o fim
da guerra.
Textos: Frederico
Nicolau
Fotos: Billie Goodell
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