|
Missão do Submarino Archimede
Tradução da publicação italiana sobre as
operações navais da marinha italiana na costa brasileira nos primeiros meses
de 1943.
Saída:
26/02/1943
Afundamento: 14/04/1943
A última missão do Archimede
se conclui tragicamente com o afundamento da unidade nas águas da Ilha
de Fernando de Noronha após um ataque aéreo. As informações sobre a
navegação e as ações concluídas por este submarino são apenas algumas
poucas e fragmentarias notícias porque o único sobrevivente, o
sub-artilheiro(*) Giuseppe Lo Cocco, com sua pouca idade e justificada
inexperiência profissional, não pode fornecer nada além de poucos elementos
que pudessem reconstituir o desenvolvimento da missão.
O Archimede (comandante, capitão de fragata* Guido
Saccardo) partiu em 26 de fevereiro com a ordem de operar ao largo de
Pernambuco, ordem essa que BETASOM** modificou, enviando o submarino para
as
águas do Rio de Janeiro as quais o submarino Torelli - com ordem de
operação para essa área – não pode permanecer. BETASOM ordenou que o
Archimede permanecesse na área até que seu combustível se reduzisse à 70
toneladas. Na viagem de retorno, seria abastecido por um submarino italiano ou
aliado (alemão) na altura das Ilhas Canárias, com combustível suficiente
para retornar à Bordeaux. Alguns dias depois BETASOM tornou a modificar as
ordens, orientando o submarino a não chegar na latitude do Rio de Janeiro
(23° 00’ S), mas se manter à Norte do paralelo 20° 00’S, sem vinculo de
distância da costa.
A última ordem, recebida no dia 4 de Abril, foi respondida
no dia 10 de Abril com um telegrama – sua última manifestação de vida –
na qual informava se encontrar no ponto 16° 45’S, 37° 30’W com somente
61 toneladas de combustível e de já estar em rota de retorno. O
sub-artilheiro Lo Cocco informou que o Archimede já estava no ponto de
encontro com o submarino alemão de abastecimento quando, às 14:00 do dia 15
de Abril, navegando pela superfície com significativa nebulosidade, avistou
um avião que manteve contato visual. O único sobrevivente entretanto não
soube explicar porque o submarino não fugiu, submergindo imediatamente.
Chamados pelo primeiro avião, outros dois aviões chegaram
à área onde se encontrava o submarino (sempre à superfície). Estes,
pertencentes ao "Patrol Squadron 93" da Marinha dos Estados Unidos,
efetuaram dois ataques distintos, o primeiro às 17:00 de uma altitude de 650
metros, sobre as nuvens e sem resultado efetivo, e o segundo aproximadamente
às 21:15, em baixa altitude, com o lançamento de 4 cargas que atingiram o
barco na extremidade e no centro. O submarino, partido em duas seções,
afundou nas coordenadas 03° 23’S, 30° 28’W (cerca de 140 milhas da Ilha
de Fernando de Noronha). A reação anti-aérea em ambos os ataques,
especialmente no segundo, foi violenta e decidida, atingindo seriamente uma
das aeronaves.
O pessoal destinado à torre de comando e às armas, num
total de 20 pessoas incluindo o comandante, foram lançados ao mar, porém o
pessoal remanescente da tripulação, aprisionados nos locais internos foram
à pique com o submarino. Os aviões, antes de se afastarem, lançaram ao mar
três botes de borracha onde os sobreviventes embarcaram. Estes, sem água ou
viveres, suportaram longos e inenarráveis sofrimentos, enquanto seu numero
diminuía inexoravelmente dia após dia.
No dia 12 de Maio, transcorridos 27 dias do naufrágio,
alguns pescadores brasileiros encontraram um dos três botes com dois corpos
já mortos e um terceiro que ainda dava débeis sinais de vida. Resgatado e
levado para terra, alimentado e tratado pelas mesmas pessoas que o salvaram, o
sub-artilheiro Lo Cocco foi posteriormente entregue às autoridades
brasileiras que providenciaram a transferência para os Estados Unidos, onde
permaneceu como prisioneiro de guerra até o fim do conflito.
* Tradução livre das patentes navais
italianas.
** QG de operações de submarinos da Marinha italiana
|
|