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U-507
Um estudo interpretativo das ações de um submarino
alemão nas águas
do Brasil
Dedicado as vítimas do U-507
"O mérito do historiador não é se passar por profundo,
mas saber em que simples nível funciona a história; não é ter
uma visão elevada ou mesmo realista, mas julgar bem as coisas
medíocres".
(Paul Marie Veyne)
"Terminou assim a campanha submarina. Prenhe de sacrifício
e coragem, honrosa e sem mácula, foi a conduta das guarnições durante a batalha. De,
aproximadamente, 38 000 homens que compunham a arma submarina, 30 000 foram perdidos.
Em compensação, seus êxitos foram sem par. De acordo com dados
inimigos, foram afundados mais de 2 000 navios, ou sejam, pelo menos 14 milhões de
toneladas..."
(Almirante Karl Doenitz)
As
palavras do almirante Karl Doenitz escritas em louvor aos atos perpetrados por
seus obstinados subordinados na guerra submarina, obviamente não correspondem
com a realidade e nem poderia ser de outra maneira, já que a guerra submarina
tende a se deteriorar rapidamente, porque uma de suas funções, é a de matar
não somente marinheiros e destruir navios, mas a vontade moral de um país de
continuar a luta. É bem verdade que a devotada campanha dos U-Boote se
inseriu na Tonnagekrieg, isto é, na estratégia da guerra da tonelagem, pela
qual, os alemães objetivavam tirar dos Aliados à franca capacidade de
poderem transportar pelos oceanos matérias primas, o que incluía petróleo
necessário ao esforço de guerra, bem como material de guerra, munições e
efetivos militares.
Contudo, a guerra submarina, em ambos os lados, foi praticada sob forma
atroz, cruel e muitas vezes, criminosa. Diga-se de passagem, que poucas
tentativas foram feitas por submarinos dos Aliados para salvarem inimigos
sobreviventes depois que os navios haviam sido afundados. E houve até
um comandante de um submarino norte-americano, que depois de ter torpedeado um
navio japonês, ordenou que seus subordinados atirassem em todos os
sobreviventes, que se debatiam no mar. Assim, no Tribunal de Nuremberg, os
advogados de defesa, tentaram tirar o máximo partido de uma afirmação: tu
quoque ("você é outro"), considerando que, entre os crimes
denunciados, havia pelo menos alguns igualmente cometidos pelos Aliados.
Estritamente falando, a culpa semelhante, suposta ou comprovada, de outra
pessoa, nunca pode ser admissível como defesa legal válida, mas seu efeito
moral e psicológico pode ser considerável. Isto deve ter pesado muito em
favor dos almirantes Doenitz e Raeder, uma vez que ambos tinham sido acusados
de "fazer guerra submarina irrestrita", e ambos foram absolvidos
dessa acusação, alegando-se que a Grã-Bretanha e os EUA haviam
reconhecidamente feito a mesma coisa.
É bem
verdade que nos meses intermediários entre seu rompimento de relações
diplomáticas e sua declaração de guerra, o Brasil estava, em face da
Alemanha e Itália, numa situação que poderíamos chamar, bastante
apropriadamente, de quase-beligerância. Mas o que foi feito no mar costeiro
brasileiro, desonra a conduta do almirante Doenitz e torna-o culpado de haver
cometido crime de guerra?
Através
das próprias palavras daquele oficial alemão, poderemos acusá-lo de crime
de guerra, sem sermos taxados de tendenciosos, uma vez que ele não esconde o
seu desejo de praticar um ato de represália contra o Brasil. Ora, não é
difícil expor que ele tentou justificar a ação terrorista cometida pelo
U-507 através de uma ambiguidade sem igual. Como então constataremos mais
à frente, ao mesmo tempo, que Doenitz confessa que a ordem do deslocamento de
um único submarino para atacar navios brasileiros (os quais ele sabia de
antemão que seriam navios de navegação doméstica) partiu de sua boca,
contudo dilui a sua responsabilidade pessoal, ao registrar que tal ataque
seria para "agir de acordo com as instruções recebidas", com a
cooperação do seu ministro do Exterior, quando na verdade, Joachim von
Ribbentrop, veio autorizar ações somente ao "largo do Brasil",
zona aonde obviamente não se encontrariam navegando navios das linhas de
cabotagem no transporte de passageiros.
De modo
que Doenitz não preza por dizer a verdade, ao revelar que o seu submarino
afundou cinco navios nacionais "fora das águas territoriais
brasileiras". É bem verdade que pelo decreto 5.798 de 1940, o mar
territorial brasileiro tivesse a largura de apenas três milhas, mas as
atividades anteriores dos submarinos do Eixo no Atlântico Sul sempre se
fizeram em zonas bem distantes da estreita faixa de águas territoriais
brasileiras, isto é, efetuavam seus ataques exatamente ao "largo do
Brasil", procurando atingir a navegação de longo curso, assim como os
navios de guerra das nações aliadas. Ora, um dos mais completos,
estruturados e conhecidos wibe-site sobre submarinos e submarinistas alemães
(Uboat.net), propaga aquela inverdade advinda do sucessor de Hitler, o
comandante da Força de Submarinos, o último comandante-em-chefe da Marinha
alemã, o qual ordenou o assassinato de brasileiros indefesos.
Seria uma ação de terrorismo ou uma ação bélica ?
A
região marítima ao "largo do Brasil" era secundária em termos de
fluxo marítimo, ou seja, as zonas distantes da costa brasileira não
possuíam representatividade marítima comparável com a região da costa
leste dos EUA (região aonde aconteceram quase 70% das perdas hemisféricas no
primeiro trimestre de 1942), do Golfo do México e do Caribe, ou seja, a
guerra submarina contra o comércio marítimo dos Aliados foi travada em um
cenário principal. Contabiliza-se que no período de janeiro a junho de 1942,
325 navios foram afundados no litoral e ao largo das Américas, quase a
totalidade dos quais na porção norte do hemisfério. Em outras palavras, o
Atlântico Sul era um teatro secundário para as operações submarinas do
Eixo (é importante frisar que durante todo o ano de 1942 nenhum submarino do
Eixo foi afundado ao largo do litoral do Brasil), de modo que se conclui que a
guerra submarina travada ao sul do continente americano pouco interesse
desperta entre os pesquisadores estrangeiros, mas não sabem eles, ou não tem
interesse em saber que as ações dos submarinos do Eixo no Atlântico Sul,
fossem travadas em zonas afastadas do litoral, fossem travadas próximo deste,
deixaram marcas profundas e indeléveis, antes e depois da declaração de
guerra do Brasil. Por exemplo, os torpedeamentos dos navios mercantes
Baependi, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba e Arará, que ocorreram entre
15 e 17 de agosto de 1942, se constituíram em um dos episódios mais
dramáticos da História Contemporânea do Brasil. As atrocidades que foram
planejadas e que vieram a serem praticadas por um só submarino, que atuou sob
a bandeira da cruz suástica, motivaram grande e furiosa reação popular e
levou o país a declarar guerra à Itália e à Alemanha. Trata-se então de
atos de terrorismo por demais sérios para não guardarmos nenhuma dúvida
sobre suas reais motivações e autoria.
Seria uma violência criminosa armada ou uma ação bélica ?
O Brasil
sob o governo ditatorial de Vargas, por sua posição geográfica estratégica
oferecida pela costa Norte e Nordeste e por ser potencialmente exportador de
uma variada gama de matérias-primas de grande valor imprescindíveis à
indústria e mobilização bélica norte-americana e por outros fatores de
interesse dos EUA - pressionado por todos os lados, mas tendo previamente
assegurado seus interesses econômicos e militares – optou por escolher em
trilhar o temerário caminho ao lado do governo de Roosevelt, o qual
tenazmente se colocou contra os objetivos políticos e estratégicos das
potências do Eixo. Não há como negar: a Segunda Guerra Mundial é o ponto
de virada na história das relações entre o Brasil de Getúlio Vargas e os
EUA de Roosevelt. No mês de janeiro de 1942, não havia mais dúvida de que o
Brasil sob a ditadura do Estado Novo passaria a acompanhar o manto
democrático-liberal dos EUA na luta contra o totalitarismo nazi-fascista. E
as palavras do embaixador alemão, Pruefer, dirigidas ao chanceler Oswaldo
Aranha deixou bem claro o que aconteceria se o Brasil rompesse relações com
as potências do Eixo: "(...) significaria, indubitavelmente, o estado de
guerra latente, acarretando provavelmente ocorrências que equivaleriam à
eclosão da guerra efetiva".
Portanto
quando em 24 de maio de 1942, o comandante do U-502 comunicou que havia
afundado no Caribe um navio mercante brasileiro que se encontrava artilhado -
o Gonçalves Dias - e quando a partir do dia 27 do mesmo mês, o Ministro da
Aeronáutica, Salgado Filho, veiculou, uma notícia de que seus aviões haviam
atacados sem declaração de guerra, submarinos do Eixo, a Marinha alemã
solicitou que fossem levantadas todas as restrições para ataques a navios
brasileiros. A Alemanha, tal como os EUA e a Grã-Bretanha - com uma
liderança militar, indisfarçadamente desejosa de sangue, e portadora de uma
vingatividade viciosa e de atitudes irracionais, sobre as quais nos deu
vários exemplos, seja na Batalha do Atlântico, ou em outros teatros de
operações navais e terrestres - não era para levar uma bofetada na
face de um país militar e politicamente fraco, sem uma dura resposta de
retaliação. Logo, os navios de navegação doméstica brasileiros se
tornariam alvos da violência criminosa armada, desproporcional, feita em nome
de uma reação punitiva. Os civis brasileiros pagariam caro pela ousadia
praticada pelos aviões do Ministério da Aeronáutica, o qual foi criado em
20 de janeiro de 1941, isto é, a FAB fora instituída exatamente sob as
circunstâncias do franco envolvimento do governo brasileiro ao lado dos EUA
na luta contra o Eixo.
Naquela conjuntura, o Brasil era um país pacífico ?
No dia 7
de agosto de 1942, Doenitz tomou uma decisão que mudaria a História
Contemporânea do Brasil: o U-507 recebeu por rádio a mensagem para usar
"manobras livres" ao longo da costa brasileira. De modo que o
submarino comandado pelo capitão-de-corveta Harro Schacht, afundou cinco
navios brasileiros de cabotagem nos litorais de Sergipe e Bahia, acarretando a
morte de 652 pessoas, inclusive de mulheres e crianças. No Baependi, todas as
crianças foram mortas, apenas um garoto de dezesseis anos se salvou. Diga-se
agora e a bem da verdade que a grande mortandade ocorrida nos afundamentos do
Baependi, do Araraquara e do Aníbal Benévolo foi devido ao tipo de ataque
desfechado pelo comandante Schacht, pois, lançando dois torpedos um após
outro, seja ele (o tipo do ataque), como outros o queiram uma opção
"puramente técnica" a fim de concluir com "êxito a sua
missão"; mas em nossa opinião, o que fez o comandante do U-507, foi uma
ação desumana e criminosa, pois levou aqueles navios ao fundo em questões
de minutos e isso debaixo de uma noite escura e de um mar revolto. Em outras
palavras, a totalidade dos tripulantes e passageiros daqueles navios, devido
à "máxima eficiência" do comandante do U-507, não teve a
oportunidade de abandonar os navios devido ao rápido afundamento.
O
capitão-de-corveta Schacht sabia mais do que ninguém que lançando um
torpedo após outro, viria causar o maior número de vítimas fatais entre os
passageiros dos navios brasileiros. E voltamos a repetir, em nossa opinião,
não se tratou de uma ação bélica, mas foi uma ação revestida de uma
violência criminosa armada, desproporcional, feita em nome de uma reação
punitiva. Cabe, portanto, dizer que vários comandantes dos U-Boote procuraram
agir com mais humanidade (ou como outros o queiram, com a "mínima
eficiência"), na guerra submarina, já que muitos decidiam atingir os
navios inimigos com um só torpedo, a fim de dar tempo para que seus ocupantes
chegassem aos barcos salva-vidas, tal como se deu com a maioria dos navios
brasileiros atacados antes de agosto de 1942. Mas esta não foi à conduta
tomada pelo capitão-de-corveta Harro Schacht, ao atacar os três referidos
navios. É bem verdade que não sabemos se aquele tipo de ataque partiu dele
ou se foi uma imposição superior, mas seja como for, para se ter uma idéia
da dimensão das atrocidades praticada pelo U-507, somente uma baleeira do
Baependi (o qual, segundo o depoimento de um radiotelegrafista, o navio
afundou "com o espaço de um e meio minuto"), atingiu a costa no dia
seguinte, com 28 sobreviventes. E apenas oito náufragos, agarrados em
destroços de madeira, lograram alcançar a terra dois dias após o ataque.
Portanto, das 305 pessoas que estavam a bordo do famoso navio do Lloyd
Brasileiro, pereceram 269. Já entre os 142 ocupantes do Araraquara (o qual
demorou cinco minutos para afundar), 131 morreram. Tanto pior, ocorreu com o
Aníbal Benévolo (perdeu-se em dois minutos), pois morreram todos os seus 83
passageiros e apenas quatro dos 71 tripulantes, sobreviveram. Foi uma matança
sem igual, porquanto até fins de julho de 1942, a Marinha Mercante brasileira
de longo curso que tinha perdido treze navios, totalizava 135 vítimas fatais.
Obviamente, os massacres, cometidos pelo U-507, provocaria grande
consternação entre o povo brasileiro. A indignação pública foi geral. Em
várias cidades houve violentas manifestações populares contra súditos do
Eixo e suas propriedades. E talvez entre todos os estados, foi a população
de Sergipe quem mais se excedeu, já que muitos dos passageiros e tripulantes
do Aníbal Benévolo, lá tinham parentes. Tanto o governo autoritário do
Estado Novo quanto a opinião pública que vivia manietada pelo DIP,
consideraram indispensável uma reação. O Brasil seria lançado
definitivamente na Segunda Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, a notícia,
divulgada no dia 18 de agosto, desencadeou uma série de passeatas e comícios
populares, onde os cariocas não exigiriam outra coisa, senão: retaliação.
No fim da tarde, uma massa popular se dirigiu para o Palácio do Itamaraty -
sede do Ministério das Relações Exteriores - clamando pelo chancelar
Oswaldo Aranha, que apareceu na sacada do edifício para exclamar: "A
situação criada pela Alemanha, praticando atos de beligerância, bárbaros e
desumanos contra a nossa navegação pacífica e costeira, impõe uma reação
à altura dos processos e métodos por eles empregados contra oficiais,
soldados, mulheres, crianças e navios do Brasil. Posso assegurar aos
brasileiros que me ouvem, como a todos os brasileiros, que, compelidos pela
brutalidade da agressão, oporemos uma reação que há de servir de exemplo
para os povos agressores e bárbaros, que violentam a civilização e a vida
dos povos pacíficos".
Mas em
verdade, desmentindo as palavras revanchistas daquele chanceler, o Brasil
estava longe de ser um país pacífico, vide o que a FAB já estava praticando
em maio de 1942, ao procurar deliberadamente atacar os submarinos italianos
que estavam posicionados ao largo da costa nordeste brasileira. Em outras
palavras, o Brasil, após o rompimento de relações com o Eixo, fornecia aos
norte-americanos, conforme esclarece Gerson Moura, "apoio político,
materiais estratégicos, bases e rotas aéreas, patrulhas aéreas e
navais" e a eliminação da Quinta Coluna nazista.
As memórias equivocadas de Doenitz
Como dito acima, em agosto de 1942, o Brasil já estava em beligerância
não declarada com o Eixo, mas sobre o acontecimento que obviamente chocaria o
Brasil, o almirante Karl Doenitz, em suas memórias, veio assim relatar:
"Finalmente, havia a possibilidade de operações ao largo da costa do
Brasil. Nossas relações políticas com aquele País vinha há já algum
tempo cada vez mais se deteriorando e as ordens emitidas pelo Alto Comando
Naval referente à nossa atitude para com a navegação brasileira se
agravaram em correspondência (...) Depois que o Brasil rompeu relações
diplomáticas, seus navios continuaram a serem tratados da mesma maneira que
os de todos os outros Estados neutros, desde que fossem reconhecidos e agissem
como neutros, de acordo com a Convenção Internacional. No entanto, entre
fevereiro e abril de 1942, os U-Boote torpedearam e afundaram sete navios
brasileiros, com todo direto de fazê-lo de acordo com o estabelecido na
Convenção de Praças de Guerra (Prize Ordenance), desde que os capitães
dos U-boote não puderam reconhecer suas identidades de neutros. Estavam
navegando sem luzes em curso de zigue-zague, alguns deles armados e alguns
pintados de cinza e nenhum deles ostentavam uma bandeira ou signo de sua
identidade de neutro. Depois disso mais e mais navios brasileiros montaram
canhões até que toda sua Marinha Mercante estava armada".
Aqui, é
preciso, interrompermos Doenitz, para afirmar que as informações fornecidas
por ele não correspondem com a verdade, o que em nossa opinião, demonstra
falta de senso de honra e coragem moral daquele almirante alemão, uma vez que
ele bem sabia que os três primeiros navios afundados em fevereiro de 1942
(Cabedelo, Buarque e o Olinda), navegavam com as luzes de bordo e de
navegação acesas, assim como estavam iluminadas as bandeiras do costado e da
popa, bem como a chaminé que identificava a nacionalidade e a companhia
proprietária. E infelizmente, depois dessas investidas por parte da
ressentida Alemanha contra os interesses brasileiros, que o governo varguista
tomou medidas para tentar evitar que os seus barcos fossem afundados tão
facilmente, de modo que os mercantes brasileiros passaram realmente a navegar
como se não pertencessem a uma nação neutra. Assim, o quarto mercante a ser
atacado e afundado pelo U-155 - o Arabutã - estaria pintado de cinza, estaria
navegando às escuras e sem bandeira, isto é, estaria em situação bastante
irregular e comprometedora.
E foi
após a perda do Cairú, atacado pelo U-94 (o quinto da série, que veio gerar
a morte de 53 pessoas devido ao mau tempo que colheu os náufragos nas
baleeiras) que também navegava camuflado e viajava às escuras ao largo da
costa leste dos EUA, que os navios mercantes brasileiros começaram a serem
dotados de um sistema de defesa, dispondo de uma peça de artilharia. Assim, o
Parnaíba, o sexto navio torpedeado no dia primeiro de maio de 1942 pelo
U-162, trazia na popa um canhão de 120mm. Entrava-se então numa dialética
de ação e reação de atos de beligerância.
Ele confessa: dele, partiu a ordem para o comandante do U-507 destruir e
matar
Voltemos ao relato de Doenitz: "No fim de maio, o Ministro da
Aeronáutica brasileiro anunciou que um avião brasileiro tinha atacado
submarinos do Eixo e que continuaria a fazê-lo. Sem nenhuma declaração
formal, achamo-nos assim num estado de guerra com o Brasil, e a 4 de julho os
U-Boots receberam permissão dos nossos líderes políticos de atacarem todo
os navios brasileiros".
Aqui
igualmente é necessário interrompermos Doenitz, porém para corroborar com o
que ele registrou, já que o pesquisador alemão Jurgen Rohwer, veio
relatar em uma palestra proferida na Escola de Guerra Naval em 28 de março de
1982 (Operações Navais da Alemanha no litoral do Brasil durante a Segunda
Guerra Mundial) que "como represália pelo ataque de aeronaves
brasileiras contra os submarinos alemães e a instalação de armamento a
bordo dos navios mercantes brasileiros, novamente informado pelo U-203, após
o afundamento do Pedrinhas, em 26 de junho, ao norte das Antilhas, em 4 de
julho o ataque sem advertência a todos os navios brasileiros foi
permitido". Mas em verdade, a maioria dos ataques aos navios mercantes
brasileiros de longo curso, sempre se fizeram sem advertência, mas com
relação "a todos os navios brasileiros", passariam então a serem
incluídos também os navios de navegação doméstica, ou seja, aqueles que
transportavam passageiros, nas linhas de cabotagem?
De novo,
com a palavra, Doenitz: "Na primeira semana de julho, quando estávamos
planejando as primeiras operações dilatadas de U-Boot, perguntei ao
Ministro do Exterior se haveria alguma objeção às planejadas operações ao
largo do estuário do Rio da Prata, área de reunião para os
navios-frigoríficos que eram tão importantes no suprimento de carne da
Inglaterra. Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do Exterior
negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele País,
mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo do
Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde
então. Decidi, portanto, mandar, em associação com as operações
planejadas contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetow, mais um
barco para a costa brasileira. Do outro lado do estreito entre a África e a
América do Sul, o U-507(Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali fora
das águas territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisto ele agia
de acordo com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do
Exterior, pelo Quartel-General das Forças Armadas. O Governo brasileiro tomou
o afundamento destes navios como ocasião para declarar guerra à Alemanha.
Embora isto não tivesse em nada alterado nossas relações existentes com o
Brasil, que já havia tomado parte em atos hostis contra nós, foi sem dúvida
um erro levar o Brasil a uma declaração oficial; politicamente deveríamos
ter sido melhor, aconselhados para evitar tal fato. O Comando de Submarinos /
Departamento de Operações, porém, e o capitão do U-Boot envolvido como
membros das Forças Armadas, não tinham senão que obedecer às ordens que
lhe haviam sido dadas; não competia a eles pesar e calcular as
consequências políticas (...)"
Com base nos fatos e argumentos, corrigindo enganos e apontando
dissimulações de ambos os lados
Podemos
conferir claramente que Karl Doenitz não esconde o fato de que o ministro do
Exterior alemão, Ribbentrop, não fez objeção de fazer guerra submarina ao
"largo do Brasil", mas do outro lado, é fácil interpretar que não
seria do consentimento do próprio Ribbentrop que os navios de navegação
doméstica viessem a ser alvos dos submarinos, já que obviamente estariam
navegando próximos da costa e não ao largo. Em outras palavras, caso os
navios de cabotagem brasileiros fossem atacados, as suas prováveis
consequências negativas, estariam em direta contradição com a da
contra-ordem anterior advinda de Hitler. Diga-se de passagem, que os
torpedeamentos dos mercantes Itagiba e Arará, foram tão próximos do litoral
baiano, que se podia observar a paisagem litorânea. Mas os afundamentos do
dia 17 de agosto na zona costeira da Bahia, igualmente nos revela mais outro
ato criminoso, desumano e vergonhoso praticado pela arma alemã, porquanto
Schacth afundou o Arará justamente no momento quando aquele navio acabava de
recolher os náufragos do Itagiba. Obedecendo as regras dos homens do mar, o
comandante do Arará, José Coelho Gomes, tinha mudado de rumo para prestar
socorros às vítimas que se debatiam nas águas e quando já estava aquele
cargueiro com 18 náufragos a bordo, divisou-se do seu bordo o torpedo contra
ele lançado. O Arará desmantelou-se e afundou, levando consigo, os
náufragos que haviam sido resgatados, sendo que uns deles se salvaram, mas a
maioria, desaparecera. O Itagiba que transportava 119 pessoas, 36 pessoas
foram sacrificadas, sendo 10 tripulantes e 26 passageiros e no Arará, 21 dos
35 tripulantes, foram assassinados.
Antes de
passarmos a analisar outros argumentos alegados pelo almirante alemão, com o
objetivo de se coloque às claras as suas justificativas, as quais não passam
de manobras diversionistas destinadas a diluir a sua responsabilidade pessoal
na ação cometida pelo U-507, é necessário dizer que o gesto do ministro da
Aeronáutica, Salgado Filho, em assumir publicamente a responsabilidade dos
ataques de aviões brasileiros aos submarinos do Eixo (fato a que se refere
acima Doenitz), em nossa opinião, não só foi precipitado, mas também
imprudente e irresponsável, uma vez que para a direção da guerra marítima
alemã, as ações dos aviões da FAB não deixavam nenhuma dúvida: o Brasil
vinha participando ativamente, ao lado dos Aliados, nas operações de guerra.
Como
historiadores, procuramos não sermos guiados pelos "achismos"
históricos. Procuramos sim, pesquisar atentamente, visando descobrir o que se
encontra na maioria das vezes, escondido nas intenções dos homens que
constroem os fatos históricos. Portanto, o presente trabalho de pesquisa é
um estudo interpretativo que busca iluminar alguns aspectos desse intrincado
processo de nossa História Contemporânea. E para esclarecimento da memória
nacional e internacional, procuramos sempre seguir o caminho de adotar
critérios imparciais e objetivos para sermos o mais justo que podemos em
nossos julgamentos, sobre tomadas de decisões que ora, se encontram
distantes; as quais foram mistas, ou seja, decisões político-militares,
outras, puramente militares e por fim, aquelas influenciadas por
personalidades e fatores de prestígio.
Algumas
decisões tomadas, principalmente pelo titular do Ministério da Aeronáutica
do governo de Vargas, canalizaram o curso de nossa História naquela
conflagração sem precedentes. Fazer o julgamento de brasileiros que tiveram
participação de relevo naquele nebuloso contexto histórico do país é
necessário; não pelo prazer de explorar controvérsias e muito menos de
fomentar polêmicas, mas para melhor entender os caminhos que eles e os de sua
geração seguiram naquela época conturbada. E querer reconstituir os fatos
reais, requer um minucioso trabalho de pesquisa, a fim de ficarmos ao máximo
isentos de nos tornamos tendenciosos, face, a um assunto delicado, uma vez que
envolve atos tidos como exemplos de heroísmos e cumprimento de dever
patriótico, os quais foram praticados em ambos os lados. É preciso conhecer
os personagens, o cenário, o contexto e, além disso, ter a ciência de que a
visão de uma época, só adquire clareza a partir de seu exame com fins
interpretativos, relacionados ao ambiente econômico, político, social e
cultural contemporâneos aos fatos.
De modo
que podemos inferir que o ato do ministro Salgado Filho naquele contexto,
sendo influenciado pelo desejo de conquista de reconhecimento e de glórias
militares para o seu Ministério - criado exatamente nos anos da guerra (1941,
ano em que também com a colaboração dos Estados Unidos foi criada a
Companhia Siderúrgica Nacional) – veiculando um aviso revanchista e
nacionalista, atraiu sobre os brasileiros uma fúria visceral absolutamente
implacável, que atingiu em condições alarmantes, a população civil que se
servia do transporte de cabotagem. Em nossa análise, não resta dúvida de
que o ato daquele ministro apoiado por Getúlio Vargas e não menos pelo
presidente dos Estados Unidos colocou o Brasil às vésperas, de uma investida
da agressão militar alemã, porém, revestida por uma violência criminosa
armada cometida pelo U-507, desproporcional, feita em nome de uma reação
punitiva e consequentemente, de caráter muito sério contra a soberania de
mar territorial brasileiro.
A responsabilidade ficava por conta dos EUA, que em guerra, podia jogar
bombas ?
O
tenente-brigadeiro, Deoclécio Lima de Siqueira em seu livro "Fronteiras
– A patrulha aérea e o adeus do arco e flecha", não deixaria de
justificar o ato cometido por aquele ministro brasileiro. Ele assim escreve:
"Hoje, na calmaria distante daqueles tempos agitados, um analista menos
avisado talvez possa admitir que o gesto do Ministro tenha sido precipitado,
visto que o Brasil ainda se encontrava em estado de neutralidade. Mas, tal
hipótese nem é justa, nem real. É preciso que se considerem três aspectos
importantes:
Em
primeiro lugar, nossa neutralidade já havia sido violada com a perda de
várias dezenas de brasileiros mortos nos navios mercantes afundados nas
costas dos E.U.A. Os primeiros traziam sinais de identificação à vista, de
acordo com as convenções internacionais. Pode-se argumentar que isto foi
feito em nome do bloqueio aos E.U.A. Este argumento, porém, esbarra no
próprio conceito de neutralidade, pois não pode exigir respeito dos neutros
se não os respeitamos, mesmo em contato com nossos inimigos no exercício de
sua neutralidade."
Em nossa
análise, é contraproducente concordamos com o aviador brasileiro, pois assim
estaríamos justificando em pactuar com a perversa dialética de ação e
reação de atos de beligerância. É bem verdade que foram os nazi-fascistas
que deram início a essa dialética e acima já desmentimos o que alegou o
almirante Karl Doenitz, mas se as lideranças militares e políticas do Eixo
desrespeitaram a neutralidade, o Brasil passaria a seguir os mesmos passos e
passaria a não se comportar como um país neutro.
Voltemos
ao segundo aspecto citado pelo pesquisador da história da aviação militar
do Brasil, tenente-brigadeiro Deoclécio:
"Em
segundo lugar, pode-se alegar que os aviões eram norte-americanos com
instrutores daquela nação. Mas há que se considerar o fato que eles estavam
incorporados ao Agrupamento de Aviões de Adaptação, uma organização
criada na Força Aérea Brasileira, sob comando de oficial brasileiro, e as
ordens para os ataques foram dadas pelos oficiais brasileiros no comando de
tais aviões, os quais se encontravam em processo de transferência para a
FAB. Não seria digno se abdicar dessa responsabilidade".
Ora,
aqui, deixemos que as próprias palavras do veterano da Campanha da Itália, o
aviador, Nero Moura, falem por nós, e que os leitores assim tirem as suas
próprias conclusões, uma vez que Nero Moura nos legou um depoimento
esclarecedor, ou seja, de como se vivia debaixo de uma já comprometedora
guerra informal: "(...)a entrada do Brasil na guerra só começou a se
esboçar, realmente, quando se teve notícia dos primeiros torpedeamentos de
navios brasileiros pelos alemães, em 1942. Só então compreendemos que
teríamos que brigar mesmo. Já nessa época participávamos do patrulhamento
no Nordeste, trabalhando com os americanos a pleno vapor na defesa da costa,
com aviões cheios de bombas de profundidade, e, embora sem ordens expressas,
andamos atacando submarinos que estavam nas nossas barbas, fora de águas
territoriais, mas a menos de 200 milhas. Ainda não havíamos declarado
guerra, mas as instruções das autoridades eram para que os pilotos, no
patrulhamento das praias, ou, sobre o oceano, bombardeassem os submarinos,
casos fossem atacados. Houve dois ou três ataques, não sei se tiveram
sucesso, mas repercutiram na imprensa, através de inúmeras entrevistas do
ministro Salgado Filho sobre o assunto. Quer dizer, já havia um consentimento
tácito de que podíamos atacar. Mas, como os americanos voavam conosco, ás
vezes a responsabilidade da ação ficava por conta deles, que estavam em
guerra e podiam jogar as bombas".
Um plano de ataque concentrado e impiedoso
Agora,
vamos ao terceiro e último aspecto alegado pelo tenente-brigadeiro
Deoclécio:
"Por fim, não podemos esquecer a diretriz do então chefe da área, o
Brigadeiro Eduardo Gomes.Um submarino hostil, aquele que não se identificar,
deve ser atacado. Há momentos em que um chefe não pode se omitir. Aquele era
um deles e Eduardo Gomes não era de omissões. Depois do ataque ao Comandante
Lira, e dos submarinos encontrados, não restava dúvida de que vivíamos às
vésperas de uma investida mais séria contra nossas costas. Havia indícios
evidentes de que a guerra submarina se orientava para o sul, na sua
estratégia de buscar a surpresa. A todos estava bem presente o exemplo do
ocorrido nas costas norte-americanas. Um chefe responsável não poderia se
omitir ante a perspectiva de um novo ‘alegre massacre’, agora em nosso
litoral. Esperar por ele para depois agir, em nome de uma neutralidade já
desrespeitada seria uma imperdoável ingenuidade ou uma inadmissível falta de
visão ou de coragem. Eduardo Gomes não conhecia essas falhas. Era um líder.
Não havia outro caminho. Estava certo. Como também esteve certo nosso
primeiro Ministro da Aeronáutica ao chamar a si a responsabilidade do
ocorrido".
Aqui,
fazemos uma única e categórica ressalva: foi justamente em decorrência da
ação de represália da FAB ao atacar os submarinos do Eixo, sem uma
declaração formal de guerra que veio causar "um alegre massacre"
na costa brasileira no mês de agosto de 1942, ou seja, só se começou a
viver às vésperas de uma investida mais séria contra o litoral brasileiro,
depois que os brasileiros exultaram com a ação revanchista praticada pelos
aviões da FAB. E, diga-se de passagem, que o plano anterior da investida
retaliatória do Eixo contra o Brasil seria muito pior do que a que foi
praticada pelo U-507. Em outras palavras, quando o ministro da Aeronáutica
anunciou com júbilo os ataques a submarinos do Eixo, o comandante da Força
de Submarinos, Karl Doenitz, recebeu ordem de preparar um ataque concentrado
de submarinos aos portos brasileiros.
Baseando-se então nesse estudo, o comandante-em-chefe da Marinha alemã,
almirante Raeder, propôs a Hitler o envio ao Brasil de um grupo de dois
submarinos do tipo IX-C, grandes, e oito do tipo
VII-C, de tonelagem média,
acompanhado pelo submarino-tanque U-460, para atacar simultaneamente entre 3 e
8 de agosto todos os navios que estivessem nos portos de Santos, Rio de
Janeiro, Bahia e Recife e posteriormente minar as suas entradas.
E revela
o já citado Jurgen Rohwer – ex-submarinista alemão - que Hitler teria
concordado, mas pediu para tornar claras as consequências políticas
advindas da represália, consultando o ministro das Relações Exteriores. Mas
palestrou Jurgen Rohwer que quando o ministro Ribbentrop "levantou
sérios escrúpulos porque este ataque traria não só o Brasil – que já
era considerado como participante da guerra, como os EUA antes de Pearl Harbor
– mas também a Argentina e o Chile para o lado dos Aliados, Hitler cancelou
seu consentimento e ordenou que os submarinos, que já estavam a caminho,
fossem enviados para outras áreas de operação. Esta ordem foi enviada em 29
de junho e os nove submarinos no mar alteraram seus rumos para zonas de
operação nas costas de Freetown, Trinidad e Caribe".
Porque Doenitz lamentaria e consideraria um erro político o ataque do
U-507 ?
Mas o que aconteceu para que um daqueles nove submarinos viesse
posteriormente ser deslocado para atacar a marinha mercante de
cabotagem brasileira? O especialista no estudo das ações dos submarinos
alemães na Segunda Guerra Mundial, Jurgen Rohwer, em parte nos fornece a
resposta ao ter dito em 1982 para uma platéia de militares brasileiros, que o
Comando da Força de Submarinos alemão assim tomou "uma péssima
decisão, quando em 7 de agosto o U-507 recebeu por rádio a mensagem para
usar ‘manobras livres’ ao longo da costa do Brasil. E acrescenta:
"Não há evidência da real intenção que havia por trás desta ordem,
porque suas prováveis consequências estariam em direta contradição com a
da contra-ordem anterior de Hitler. Deve ter sido um erro tolo, causado por um
desejo anterior de retaliação pela participação das forças brasileiras na
guerra anti-submarino".
Em
verdade, devemos deixar bem claro, que o tal erro tolo partiu nada menos da
ordem proferida por Doenitz, como então podemos observar através dos
próprios registros daquele almirante alemão. Revela o mesmo em suas
memórias: "Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do
Exterior negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele
País, mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo
do Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde
então. Decidi, portanto mandar, em associação com as operações planejadas
contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetow, mais um U-boot para
a costa brasileira. Do outro lado do estreito entre a África e a América do
Sul, o U-507(Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali fora das águas
territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisto ele agia de acordo
com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do Exterior,
pelo Quartel-General das Forças Armadas".
Ora, o
almirante Doenitz mais uma vez falseia os verdadeiros fatos, porque ele sabia
de antemão que os navios brasileiros previamente escolhidos para serem
afundados por Schacht, não se encontrariam navegando ao "largo do
Brasil", zona aonde o seu ministro do Exterior, obviamente permitiria que
se efetuassem as operações de guerra submarina. Portanto, analisando o que
Doenitz escreveu, é de se notar que foi de sua inteira e única
responsabilidade o ato de ordenar o deslocamento do U-507 para operar em meio
da navegação doméstica brasileira, que se entabulava a menos do que oito
milhas de distância da costa. Em suma, a decisão de atacar navios repletos
de passageiros foi um erro tolo advindo de Doenitz, "causado por um
desejo anterior de retaliação". E não duvidamos que os afundamentos de
agosto de 1942, foi um bálsamo para o ego do chefe do Comando da Força
de Submarinos, porque não era feitio daquele militar alemão sofrer
agressões sem revidá-las ainda mais violentamente, principalmente pelo fato
de que aviões de patrulha da FAB, recentemente fornecidos pelos EUA - tendo a
bordo instrutores norte-americanos - deliberadamente procuraram atacar os
submarinos do Eixo que se encontravam posicionados ao "largo do
Brasil".
Repetimos, no dia 22 de maio de 1942, um avião da FAB, sob o comando do
aviador Parreiras Horta, decolou da Base de Natal, especialmente com a missão
de "localizar e atacar submarino hostil" que havia agredido o
mercante armado Comandante Lira, navio que sem autorização e de forma muito
suspeita, encontrava-se navegando ao largo, ou melhor, fora das águas
territoriais brasileiras e se o governo, a imprensa, o povo, brasileiros, e
até Roosevelt exultaram com o revide perpretado pela FAB, os nazi-fascistas
se inflamaram, especialmente o almirante Karl Doenitz.
"Assim agindo, com destemor, espírito militar e evidenciando admirável
capacidade profissional o capitão Parreiras Horta tornou-se digno de louvor e
credor de admiração nossa e do país que teve, na ação por ele
brilhantemente praticada, a primeira demonstração prática, no atual
momento, do nosso patriotismo e desvelo na defesa da nossa integridade"
– são estas as palavras do ministro da Aeronáutica Salgado Filho, as quais
evidenciam o estado de beligerância não declarada em que o Brasil já se
encontrava e que uma declaração de guerra formal por parte do governo
varguista estava já em gestação, aguardando apenas o momento mais
apropriado para que viesse eclodir. E assim se deu com o ataque terrorista
desfechado pelo U-507.
Deixando
de lado os equívocos praticados pelos brasileiros, voltemos aos cometidos
pelos alemães: o historiador Vágner Camilo Alves, autor do livro "O
Brasil e a Segunda Guerra Mundial – História de um envolvimento
forçado", vem comentar o fato de que é estranho que o almirante
Doenitz, em suas memórias, "lamente e considere um erro político os
ataques submarinos alemães de agosto de 1942, possíveis após o levantamento
das restrições a ataques nas costas brasileiras feito pelo governo alemão,
e que redundou na declaração de guerra do Brasil. No curto espaço de um
único parágrafo, ele não apresenta qualquer argumento que possa referendar
sua opinião de que levar o Brasil a declarar oficialmente a guerra foi ‘indubitavelmente
um erro’. Para isto, o almirante teria de mostrar que o aumento da
participação brasileira no esforço de guerra aliado mais do que compensou o
incremento na tonelagem naval aliada afundada pelos submarinos do Eixo na
região, e o desvio de recursos técnicos e militares dos Estados Unidos, para
área e tarefa completamente subsidiária vis-à-vis a guerra total que se
travava. Presumo que não foi o caso, com base nos fatos e argumentos
apresentados aqui".
Agosto se tornou realmente um mês emblemático ?
Por causa dos massacres causados pelo U-507, segundo alguns autores
brasileiros, até os tempos de hoje, o mês de agosto tem sido aziago na
história do Brasil. Mas seja como for, naquele mês de agosto de 1942 os dias
foram muito dolorosos. As repercussões da agressão foram dramáticas. Até o
mês anterior excetuando a agressão ao mercante Comandante Lira por um
submarino italiano, os ataques aos navios nacionais eram feitos longe
dos olhos do sentimental povo brasileiro. Mas agora, porém, as
consequências da animosidade recíproca se fizeram bem perto. Os cadáveres
que deram em terra - alguns irreconhecíveis - depois de fotografados (para
servir posteriormente como material de propaganda em um impresso produzido em
1943, pelo governo, sob o título: "Agressão - Documentário dos fatos
que levaram o Brasil à guerra"), foram enterrados em valas rasas,
abertas na restinga das vastas e desertas praias nordestinas. O ápice então
das ameaças fora atingido. O próprio Mussolini, o fundador do fascismo na
Itália e primeiro-ministro e ditador do país entre 1922 e 1943, havia
declarado que chegaria o dia em que o Brasil pagaria caro pela ruptura. Cabe
lembrar que a decisão de rompimento do Brasil e de mais 21 países foi tomada
em 28 de janeiro de 1942 na Conferência Pan Americana no Rio de Janeiro, sob
a influência explícita do chanceler Oswaldo Aranha.
A
posição de Mussolini já tinha sido muito clara diante do eventual
rompimento coletivo dos Estados americanos, pois se isso ocorresse, como de
fato estava programado para ocorrer, "seria o caso de simplesmente
declarar-lhes guerra; assim, imporemos aos Estados Unidos à obrigação de
defender uma vasta frente: os latino-americanos querem uma guerra branca, mas
terão uma vermelha" - disse o Duce (termo italiano para "o
líder"), então quase feliz com essa perspectiva, a qual se
concretizou em relação ao Brasil, quando Doenitz ordenou o ataque do U-507
contra a Marinha de cabotagem brasileira. Contudo, mal sabia o líder
fascista, que em 1944, mais de vinte e cinco mil soldados oriundos, de todos
os estados brasileiros (os quais, diga-se de passagem, tiveram suas bandeiras
rasgadas pelo governo varguista no advento do ambíguo Estado Novo),
desembarcariam em solo italiano para lutar ao lado das forças aliadas para
libertar a Europa dos regimes ditatoriais nazi-fascistas; muito embora, faz-se
convenientemente lembrar, que o Brasil também estava sob um regime
ditatorial. Mas seja como for, com a ajuda dos pracinhas brasileiros no teatro
da guerra na Itália, Benito Mussolini, uma vez foragido e uma vez capturado,
teria seu fim decretado em 28 de abril de 1945 pelos partigiani (resistência
armada), sendo executado sumariamente com sua amante, Clara Petacci, em Dongo,
Itália.
Mussolini foi aliado de Hitler de 1938 a 1943, e ajudou a mergulhar a
Europa na Segunda Guerra Mundial. No exercício despótico do cargo de
primeiro-ministro, Mussolini reunificou a Itália, implantou reformas sociais
e restaurou pela força a ordem perturbada por greves e distúrbios.
Perdeu-se, no entanto, pela ambição de construir um império por meio da
guerra de conquista.
O malfadado Sétimo Grupo de Artilharia de Dorso
O
escritor Frank D. McCann em seu livro "Aliança Brasil-Estados Unidos
1937-45", revela que o próprio Hitler teria, em transmissão
radiofônica, em junho de 1942, alertado o governo brasileiro que o país
seria alvo de uma blitz submarina. Portanto, como se pode observar até aqui,
os navios mercantes brasileiros de navegação doméstica passaram a
trabalhar em um ambiente de pré-guerra e essa expectativa já estava bem
evidenciada nas ordens que então receberam todos os comandantes, de navegarem
mais próximos da costa e que durante a noite, as luzes internas de seus
barcos deveriam ficar apagadas, porém os faróis de navegação deveriam
ficar acesos. E ainda, segundo as normas expedidas pelo governo brasileiro, os
navios de cabotagem (que como medida de segurança já traziam as vigias
pintadas de preto) deveriam tomar precauções quando passassem a navegar de
Maceió em direção mais para o norte; ordens, aliás, comuns em todas as
viagens feitas pelos mercantes naquele tenso período de hostilidades
recíprocas. Ora, faltou pouco para que os navios mercantes das linhas de
cabotagem viessem a navegar como se pertencessem a uma nação não neutra.
Porém, pior do que isso foi o fato de que dos cinco navios torpedeados pelo
U-507, dois foram usados ao nosso ver, indevidamente, ou seja, no transporte
de soldados e material de guerra para guarnecer Recife. Ora, sobre os
preparativos de conduzir efetivos militares a fim de aumentar a defesa de um
ponto estratégico do litoral nordestino, certamente estava bem informado o
Comando Naval alemão por conta da ativa espionagem da Quinta Coluna nazista.
De modo, que, perdeu-se com o Baependi e com o Itagiba todo o material do
Sétimo Grupo de Artilharia de Dorso (criado pelo decreto-lei 4.342 de 26 de
maio de 1942), bem como grande parte de seu pessoal (morreram 132 soldados),
além do material destinado a Recife e ao destacamento de Fernando de Noronha.
Ora, embarcando tropas em navios mercantes das linhas de cabotagem, o
Ministério da Guerra assumiu graves responsabilidades.
O
próprio general Dutra - então Ministro da Guerra - revelou em um de seus
muitos depoimentos, o seguinte: "(...) A primeira consequência
desastrosa da campanha submarina foi de perdermos a liberdade de navegação,
numa época em que ainda estávamos equipando e reforçando as guarnições do
Nordeste, forçando-nos, assim, a apelar para a rota do Rio São Francisco
(...)".
Em
verdade, desastrosa foi a ordem tomada pelo general Dutra em fazer transportar
em agosto de 1942 nos navios de cabotagem, efetivos do Exército naquele
período de beligerância não declarada. Aquele general, como as demais
autoridades brasileiras bem sabiam que naquele momento, a situação era
imperiosamente perigosa, o que se encontra evidenciado quando se fez o recente
transporte de soldados para o guarnecer o longínquo arquipélago de Fernando
de Noronha, porquanto o navio de transporte recebeu a escolta do cruzador Rio
Grande do Sul. Embora o deslocamento do Sétimo Grupo de Artilharia de Dorso
fosse realizado em águas costeiras relativamente mais "seguras",
seria razoavelmente prudente e responsável, que o assim fizesse em navios
escoltados e em segredo e não como foi feito às claras e em navios de linha
de cabotagem. Resultado: aquele efetivo militar veio sucumbir nos ataques
desfechados ao Baependi e ao Itagiba, fazendo-se vítimas, indistintamente, a
militares e civis.
Na prisão de Spandau: dez anos confinado
Um
ano depois do Brasil se alinhar definitivamente em favor dos interesses
políticos e estratégicos dos EUA, principalmente sob a batuta do chanceler
Oswaldo Aranha - um democrata que não estava isento de ambiguidade e de
oportunismo - um Catalina norte-americano avistou o U-507 bem ao largo, ao
noroeste da costa de Natal e o atacou com cargas de profundidade, levando a
morte todos os seus 54 ocupantes. Esse fato ocorreu em 13 de janeiro de 1943.
Em 1944, Harro Schacht, que havia sido condecorado em 9 de janeiro de 1943 com
a cruz de cavaleiro da cruz de ferro - a ritterkreuz des eisernen kreuzes -
receberia postumamente a patente de capitão-de-fragata.
Finalizando, o almirante Karl Doenitz era um dos poucos oficiais
nacional-socialistas convictos da Marinha alemã, ele em muitas vezes pregou
política para seus marinheiros e para o povo alemão, louvando "o líder
enviado do céu" na pessoa de Hitler. O almirante Karl Doenitz, não
somente jamais discordou da política do Partido Nazista em qualquer sentido,
mas adotou seus usos básicos e falou sobre os judeus no mesmo tom usado pelos
gauleiters (chefes distritais). Ele em verdade, foi completamente devotado a
Hitler. "Somos uns vermes, comparados a ele", assim disse Doenitz em
1943 a uma multidão de fanáticos em Berlim, acrescentando que Hitler previa
tudo e não cometia julgamentos incorretos. Foi só no fim da guerra que
Doenitz na frente do governo do III Reich, ordenou que fossem retiradas as
fotografias de Hitler dos lugares públicos, uma semana depois da rendição.
A Alemanha então se encontrava em completa ruína e num caos infernal.
Karl
Doenitz foi levado ao Tribunal de Nuremberg, sob a acusação pelos mais
graves crimes que poderiam se imputados a um marinheiro, não somente por
conspirar para promover guerra agressiva e sua efetivação, mas também por
crime de guerra, o crime de guerra de qualquer oficial naval: não fez nenhum
esforço para salvar os sobreviventes de navios torpedeados. Além do mais,
Doenitz levou à morte, de acordo com a acusação, centenas de
não-combatentes, inclusive mulheres e crianças, passageiros de navios
mercantes. Mas o Tribunal de Nuremberg acabou por considerá-lo culpado de
haver cometido crimes contra a paz, mas não de haver conspirado para
cometê-los. Foi também considerado culpado de crimes de guerra; seu apelo de
tu quoque ("você é outro") para a conduta de guerra submarina foi
aceito, mas o Tribunal de Nuremberg disse que ele estava envolvido na Ordem de
Comando e que permitira que fosse a mesma posta em prática depois que se
tornara Comandante-em-Chefe da Marinha em 1944. Mas o testemunho que,
indubitavelmente, salvou a vida de Doenitz partiu do almirante norte-americano
Nimitz e do Almirantado Inglês. E Doenitz foi condenado a dez anos de prisão
na fortaleza de Spandau.
Mesmo
depois dos julgamentos de Nuremberg, Doenitz continuou com sua obstinada
defesa de Adolf Hitler. E ele ainda viveu o bastante para escrever suas
equivocadas memórias (publicadas em 1968 e intituladas: "Dez anos e
vinte dias"), as quais nos servimos para apontá-lo como sendo o
responsável direto pela matança de civis brasileiros. Em 1957, em
Wilhelmshaven, por ocasião de uma solenidade em memória da guerra naval, lá
estava ele, Doenitz com a mão por baixo do braço do seu
ex-comandante-em-chefe da Marinha alemã - almirante Raeder - visivelmente
ajudando-o a conservar-se de pé. Ambos estavam livres e com todas as
lembranças do que tinham e do que não tinham feito ao lado do megalomaníaco
Hitler, o qual queria impor ao mundo o Milênio do III Reich. Mas o III
Reich, que durou apenas 12 anos e que foi construído com base na violência
armada e que governou debaixo da violência institucional, cometendo crimes e
crimes, provocou obviamente uma resposta violenta por parte de outras nações
imperialistas, que finalmente o destruiu. As metas da política externa que
foram esboçadas no Meín Kampf havia transformado o mundo em um inferno
e em seu rastro, uma outra guerra surgiu: a Guerra Fria, justamente entre dois
países, que se aliaram oportunamente para derrotar o nazi-fascismo. Karl
Doenitz faleceu em 1980 e nove anos depois o "Muro de Berlim", de
quase 166 quilômetros de extensão começaria a ser derrubado.
Submarinos norte-americanos secretamente afundariam navios brasileiros ?
Finalmente, cabe dizer que o estudo acima também tem o objetivo de
esclarecer uma absurda dúvida histórica que vem de boatos já surgidos ainda
em tempos de guerra e que já transformado em um mito, obviamente sobrevive
até hoje, ou seja, a de que responsabilidade pelos ataques aos navios
nacionais é imputada aos submarinos norte-americanos. Na década de 60 do
século passado, alguns historiadores brasileiros chegaram a afirmar que os
torpedeamentos de agosto de 1942 foram feitos pelos militares de Roosevelt,
sustentando-se no fato de que os Estados Unidos pretendia obrigar Getúlio
Vargas a declarar guerra ao Eixo. Entretanto, o já citado autor, Vágner
Camilo Alves comenta que se Karl Doenitz, "a maior liderança alemã no
que diz respeito à guerra submarina no Atlântico confessa, sem maiores
problemas, a responsabilidade alemã pela destruição dos navios brasileiros
penso já ser momento de sepultar, definitivamente, qualquer hipótese
esdrúxula atribuindo à ação militar norte-americana a responsabilidade
pelas perdas navais brasileiras".
A legalidade da guerra submarina
Durante os processos movidos em Nuremberg, chegou-se as seguintes
conclusões, quanto à legalidade da guerra submarina:
a) ser lícita essa guerra, sem restrições;
b) os navios mercantes armados são assimilados aos navios de guerra a que
é permitida qualquer ação contra eles;
c) que os navios mercantes, armados ou não, nas zonas declaradas de
"guerra" podem ser afundados sem prévio aviso;
d) que os navios neutros não podem ser atacados em qualquer parte do
mundo, desde que não se recusem às visitas ou pratiquem atos de assistência
hostil.
"A história, dizem frequentemente, não poderia contentar-se em ser
uma narração; ela também explica, ou melhor, deve explicar".
(Paul
Marie Veyne)
Bibliografia consultada:
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Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1943.
Alves, Vágner Camilo. O Brasil e a Segunda Guerra Mundial –
História de um envolvimento forçado. Rio de Janeiro, Edições Loyola, 2002.
Arquivo Histórico do Ministério do Exército - Edifício Duque de
Caxias, Rio de Janeiro. Coletânea de documentos do Inquérito Policial
Militar sobre os torpedeamentos de agosto de 1942.
Davidson, Eugene. A Alemanha no banco dos réus - tomo II. Rio de
Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1970.
Duarte, Paulo de Q. Dias de guerra no Atlântico Sul. Rio de Janeiro,
Biblioteca do Exército - Editora, 1968.
Gama, Arthur Oscar Saldanha. A Marinha do Brasil na Segunda Guerra
Mundial. Rio de Janeiro, CAPEMI Editora, 1982.
Hilton, Stanley. Oswaldo Aranha - Uma Biografia. Rio de Janeiro,
Editora Objetiva, 1994.
Huck, Hermes Marcelo. Da guerra justa á guerra econômica. São Paulo,
Editora Saraiva, 1996.
Kershaw, Ian. Hitler um perfil do poder. (Edição em língua
portuguesa). Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993.
Leite, Mauro Renaut e Júnior, Novelli. Marechal Eurico Gaspar
Dutra. O dever da verdade. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira,1983.
Moura, Nero. Um vôo na história. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio
Vargas Editora, 1996.
O Brasil e a Segunda Guerra Mundial - volume II. Rio de Janeiro,
Imprensa Nacional, Ministério das Relações Exteriores, 1944.
Mason, David. Submarinos alemães - a arma oculta - número 8. Rio de
Janeiro, Editora Renes, 1975.
Revista Marítima Brasileira - Ano LXX1 - out.-dezembro de 1951. Rio de
Janeiro, Imprensa Naval, Ministério da Marinha, 1952.
Rhodes, Richard. Mestres da Morte. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor,
2003.
Rohwer, Jurgen. Operações navais da Alemanha no litoral do Brasil
durante a Segunda Guerra Mundial, in Navigator - Subsídios para a
História Marítima do Brasil - número 18. Rio de Janeiro, SDGM, Ministério
da Marinha, 1982.
Seintenfus, Ricardo. O Brasil vai a guerra. São Paulo, Editora Manole,
2003.
Pedrosa, J. F. Maya. O enigma dos submarinos - Nordeste do Brasil,
1942. Maceió-São Paulo, Edições Catavento, 2001.
Tota, Antonio Pedro. O imperialismo sedutor – A americanização do
Brasil na época da Segunda Guerra. São Paulo, Editora Schwarcz, 2000.
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Arará
Aníbal Benévolo
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