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Mergulho em Barbados
Definitivamente Barbados não é um destino turístico de mergulho, e sim, um
charmoso destino turístico com mergulho.
A ilha possui praias paradisíacas, pequena área de floresta, cavernas,
muitas opções de esportes aquáticos e muitos campos de golf e cricket, o
esporte nacional. No entanto, prepare seu bolso...
Barbados está localizada a 13º10’ latitude norte e 59º35’ latitude
oeste, 150 Km à leste e ilhas Windward (sotavento) das Pequenas Antilhas. A
ilha possui 32Km de comprimento e 23 Km na parte mais larga, sendo formada a
partir do movimento entre as placas Atlântica e do Caribe entre 50 e 20
milhões de anos. Com formação bastante peculiar em relação às ilhas
vizinhas, predominantemente coralínea, rodeada de corais e recifes, e
com uma temperatura anual entre 24 e 28 ºC e pouca variação entre as
diferentes estações do ano. A temporada de chuvas ocorre geralmente entre agosto /
setembro e dezembro e é mais intensa na parte central e norte da ilha. Devido
à sua composição, possui muitas grutas, cavernas e fendas (gullies). Uma
parte da água da chuva penetra nestas fendas e é filtrada pelas rochas
calcáreas, formando um lençol subterrâneo ao longo da costa, que é o único e
limitado recurso de água potável da ilha. Em alguns locais chegam-se a formar
nascentes.
Os primeiros habitantes foram os ameríndios, posteriormente a tribo Arawak
provenientes da Venezuela e mais tarde pelos "Caribs", provenientes da América do
Sul. Barbados foi descoberta pelos portugueses entre 1500 e 1600 e seu nome se
deve às abundantes figueiras com grande quantidade de raízes aéreas (beard
fig tree) existentes na ilha. Mais tarde, foi colônia inglesa desde 1627 até
sua independência em 1966, ainda é membro da Commonwelth Britânica e mantém
muitos laços com o Reino Unido, incluindo o inglês, como idioma oficial.
A ilha é dividida em Paróquias (Parishes) que têm geralmente nomes de
santos. A melhor forma de conhecer a ilha é alugando um carro. Prepare-se para
dirigir do outro lado, pois é um pouco confuso e exige um pouco mais de
atenção, mas nada tão complicado. Os mapas não são tão fidedignos e as
placas são escassas, onde as mais comuns, são as que indicam a parada de
ônibus e dizem "to the city", ou seja em direção a Bridgetown, e
"out of the city", que pode ser em qualquer outra direção. Portanto,
é fácil se perder e voltar a encontrar o caminho, vale a aventura.
As melhores paisagens na minha opinião são:
- Animal flower cave, no extremo norte da Ilha (St Lucy Parish), uma caverna
com vista para o Atlântico;
- Cherry Tree Hill (Scotland District em St Andrews Parish, o santo
padroeiro da Ilha), com vista para as praias do lado Atlântico;
- Praia de Batsheba (costa leste, oceano Atlântico), o paraíso dos
surfistas;
- Praia The Crane, vista desde o hotel com o mesmo nome e praia de Bottom
Bay (St Philip Parish), com suas falésias.
Estas duas últimas são dignas de cartão postal e o melhor, super
tranquilas.
As três cidades ou principais centros urbanos, se é que pode dizer assim,
são Bridgetwon (capital), Holetown e Speighstown, com concentração de vários
estabelecimentos comerciais, incluindo várias lojas duty free e de souvernirs.
Bridgetwon é o centro histórico, onde fica o parlamento, um dos mais
antigos das Américas, e também a principal área comercial. É bem movimentada
com um trânsito um pouco conturbado durante a semana, mas nos outros dois
centros urbanos também podem ser encontradas basicamente as mesmas lojas e com
mais tranquilidade. Um bom lugar para comprar souvenirs é a Pelican Village
(com várias lojas de artesanato, cerâmica e produtos locais), perto do
terminal de Cruzeiros e algo bem típico são as cerâmicas em Earth Works e é
claro o rum, que segundo dizem também foi um dos primeiros a produzir nas
Américas.
Há opções de acomodações desde bed and breakfast, apartamentos ou
quartos para alugar por temporadas, pequenas pousadas, até os hotéis mais
luxuosos. As opções mas acessíveis estão geralmente na parte sul da ilha. A
costa oeste abriga vários hotéis de luxo e resorts.Há uma grande variedade de
restaurantes de cozinha regional e internacional tanto na costa sul (destaque
para a área de San Lawrence Gap) e Holetown na costa oeste (destaque para a
Second Street).
Entre os pratos e bebidas típicas, não deixe de provar o rum punch (rum con
suco de frutas) e os peixes, principalmente o peixe voador - flying fish. Uma
dica é o fish cutters (um sanduiche com peixe frito), um dos melhores é o da
barraquinha Cuzz que fica na Pebbles Beach. Depois do mergulho, não tem nada
igual.
Um programa imperdível às sextas feiras é comer peixe grelhado em Oistins,
ao lado do mercado de peixes tem várias barraquinhas (a minha preferida é do
Uncle George), mas vá cedo ou prepare-se para enfrentar uma grande fila. No
início de agosto, celebra-se o Crop Over (originalmente devido ao fim da
colheita da cana-de-açúcar), com o principal feriando nacional, o Kadomet, o carnaval
local.
Mergulho em Barbados
De acordo com Lucy Agace, autora do guia de mergulho de Barbados (Barbados
Dive Guide), os mergulhos aqui são comparados aos das demais ilhas das Pequenas
Antilhas, há controvérsias. Este guia é de leitura obrigatória para os que
pretendem mergulhar na ilha e apresenta uma descrição detalhada dos locais de
mergulho e informações de operadoras, além de informações gerais.
A maioria dos pontos de mergulho e praticamente todas as operadoras de
mergulho, estão localizados no sul e oeste da ilha, o que corresponderia ao
lado do Mar do Caribe ou o equivalente ao "mar de dentro" em Fernando
de Noronha. O mergulho ao norte e sudeste exigem organização de operações
especiais e sobretudo no lado leste (Atlântico) somente é recomendado durante
os meses de agosto e setembro, devido ao mar agitado e às fortes correntes.
A ilha possui uma composição de fundo com uma grande variedade de corais,
esponjas, gorgônias, anêmonas, entre outros, além dos vários
naufrágios e os "reef ball´s" que se tornam recifes artificiais. Em
alguns pontos de mais difícil acesso do lado do Atlântico, como no sudeste,
podem ser encontrados pináculos, e no nordeste, as grutas.
Há diferentes concentrações, tamanhos e variedade de peixes e outros seres
marinhos. Entre os peixes encontrados por aqui, os sargentinhos, peixes
papagaio, mariquitas, garoupas, meros, badejos, trombetas, donzelinhas e xiras
são comuns. Menos comuns são as barracudas, cangulos, ciliares, frade, peixe
cofre (ou vaquinha), baiacu, o peixe sapo e o scorpion fish, entre outros. Há
também as espécies típicas do Caribe, como, os barred hamlet, harlequim bass,
drum fish, entre outros. As tartarugas verde e de pente são atrações
recorrentes. As moréias mais comuns são as pintadas, e não muito comuns, os
tubarões lixa, arraias manteiga, camarões, polvos e lulas.
São típicos do local os peixes voadores – flying fish (encontrados em
maior profundidade). Felizmente, parece que o peixe leão (lion fish) ainda não
chegou por aqui. Um espetáculo a parte é o "spawning" (desova) nos
recifes de corais, que ocorre no mês de novembro.
Geralmente os mergulhos são embarcados e as embarcações geralmente atracam
na praia, e somente alguns operadores possuem píer, o que aumenta um pouco a
dificuldade do mergulho. As saídas são geralmente acompanhadas por um dive
master. A maioria dos operadores possui um número mínimo para confirmar as
saídas e geralmente oferecem dois cilindros pela manhã e um cilindro à tarde,
havendo a necessidade em fazer uma reserva com antecedência. Mergulhos noturnos
são organizados de acordo com a disponibilidade e um grupo mínimo de
mergulhadores. Infelizmente, não há muito controle da pesca e o uso de arpão
com cilindro não é proibido na ilha.
Todas as operadoras exigem a apresentação de credenciais e log book. Caso não possa comprovar a data do do último mergulho ou se decorreu muito tempo desde o último mergulho logado, podem solicitar um mergulho para verificar as habilidades na piscina ou na costa antes de realizar o mergulho embarcado. Portanto, ter à mão o log book é importante. Os preços variam de acordo com a quantidade de mergulhos. É aconselhavel trazer o seu equipamento.
Geralmente os pontos de mergulhos em recifes de corais recebem o nome de
acordo com a sua correspondente localização na costa, já os naufrágios, são
identificados pelo nome da embarcação. A maioria dos sites mais visitados
estão sinalizados com bóia, mas uma dificuldade é que nem todas as operadores
possuem barcos com profundímetro.
Abaixo algumas informações dos naufrágios e alguns sites de mergulho:
Naufrágios
Carlisle Bay Wrecks
Um ponto de mergulho obrigatório é o Parque Marinho de Carlisle Bay, que
pode ser realizado saindo de praia. Localizado no sudoeste da ilha, possui seis
naufrágios em uma pequena área com uma profundidade entre 6 e 18m, com muitas
esponjas, anêmonas, corais e muita vida marinha. É um lugar perfeito para
iniciantes, fotógrafos sub e para mergulhos noturnos. O mais antigo está lá
desde 1919, como o pequeno Berwyn, um pequeno rebocador francês com
13,7m de comprimento.
Os outros são mais recentes, como o Bajan Queen, o maior, com 36,6m
de comprimento e que está aos 12m de profundidade. Sua parte mais alta quase
toca a superfície, é acessível para penetração, com destaque para a escada
em espiral, casa de máquinas e suas habitações. Este barco foi inicialmente
um rebocador sendo convertido em barco de festas. Posteriormente foi aposentado
quando barcos mais modernos chegaram por aqui.
Ce-trek
Barco com 13,7m que transportava cimento e foi abandonado no porto. Em 1986
virou recife artificial.
Ellion
Um cargueiro com 35,5m, afundado em 1996, repousa sobre areia aos 16,8m e
facilmente acessível para penetração.
Cornwalls
Cargueiro canadense afundado durante a segunda guerra no parque
marinho em 2000. Está próximo da praia e aos 4,6m de profundidade, sendo ideal
para a prática de snorkeling.
Barge
Foi usado pela Marinha e foi afundado em 2000. Está aos 3m de profundidade e
ainda mais próximo da praia. É um pequeno barco sem muita vida marinha.
The Pamir
Localizado na West Coast aos 12 e 14m de profundidade (fundo de areia).
Está bem conservado e possui incrustrações de esponjas de várias cores,
coral negro e muita vida marinha. Há muito para ver e explorar. É adequado
para iniciantes.
SS Stavronikita
Localizado na West Coast. O naufrágio ao largo da Fitts Village, na costa
oeste teve um afundamento deliberado, devido aos danos causados em 1976 por um
incêndio. Foi rebocado para Barbados e, então, comprado pelo Governo de
Barbados para ser afundado e criar um recife artificial. O Stav foi preparada
para o mergulho antes de ser afundado.
Em 1978. O "Stav", como é carinhosamente chamado pelos
mergulhadores locais, pode ser considerado um dos melhores naufrágios do
Caribe, devido ao seu comprimento de 111,25m. É um verdadeiro mergulho
multinível, e está em posição de navegação e com profundidade variando
entre 5,6 metros (top do mastro) aos 42,7 m (hélice), com pavimentos em cabines
entre 15 e 21m e porões e casas de máquinas aos 21m. O navio possui amplas
aberturas, o que facilita a penetração e seu casco está encrustrado de
esponjas de várias cores, gorgônias, coral negro e vários seres marinhos de
tamanhos e formas variados, incluindo tartarugas e barracudas. É imperdível.
Lord Combermere
Localizado na West Coast, este naufrágio é uma pequena embarcação com
profundidade variável entre 13 e 16,8m, não é muito conhecido, e apesar de
ter afundado a cerca de 30 anos, não há muita incrustração de corais. Está
próxima a uma barreira de recifes de coral. É um mergulho raso e é excelente
para iniciantes ou para uma atualização de mergulho.
Friars Craig e Asta Reef
Localizado na costa sul, está aos 13,7m de profundidade. O Friar’s Craig
é um rebocador com 52m e irmão do naufrágio Pamir, mas não tão bem
conservado, pois uma tempestade o partiu em três pedaços. Foi propositalmente
afundado para servir de recife artificial em 1985 e encontra-se entre dois
recifes. Possui incrustrações de gorgônias, esponjas e anêmonas gigantes e
uma variedade de peixes. Geralmente são encontradas, tartarugas, raias e
moréias. O mergulho pode ser complementado com uma visita ao Asta Reef.
Pontos de mergulho na Costa Sul
São geralmente mergulhos fáceis e pouco profundos, tanto para mergulhadores
básicos e avançados.
Pieces of Eight
Profundidade entre 8 e 25m. Localizado na direção de Hastings. Este
mergulho é um mergulho em corrente (drift dive), sendo bom para fotografia, com
corais cérebro, finger corals, vermes (árvore de natal) e peixes e vida
marinha variada.
Accra
Situado em frente a Rockley Beach, onde está o hotel Accra, com
profundidade entre 6 e 18m. É também um mergulho de recife, ideal para
iniciantes e fotógrafos.
Caribbee Reef
Situado em frente ao Caribbee Hotel, com profundidade entre 18 e 36m. É
parte da barreira de recife da costa sul, com formato de um domo, ideal para
todos os tipos de fotografia com muita vida marinha. Um mergulho em corrente
(drift dive).
The Boot
Situado na direção da Sandy Beach, recebeu esse nome devido a formação
de banco de corais cobertos de corais moles (soft sea plumes), gorgônias e grande
variedade de esponjas. Tem profundidade entre 12 e 24m. É também um mergulho
com correnteza (drift dive), podendo encontrar muitas tartarugas verdes, de
pente e arraias. Há muita vida marinha variada.
Boatyard Pier
Este mergulho de praia bem raso (2 - 3 metros) na Carlysle Bay no píer do
Bar chamado Boatyard, sendo excelente para foto macro. Há um cavalo marinho,
pelo menos três scorpionfish e uma moréia que moram por ali e são super
fotogênicos, além de grande quantidade de pequenos peixes.
Pontos de mergulho na Costa Oeste
Na costa oeste os corais estão mais conservados e geralmente há maior
variedade e quantidade de peixes e de diferentes tamanhos. Alguns dos pontos
interessantes são:
Bright Ledge
É um mergulho com correnteza e profundidade entre 10 e 36m. Seus recifes
estão bem conservados e possui nome devido aos corais, esponjas brilhantes e
coloridos, além da vida abundante.
Great Ledge
Similar ao Bright Ledge, localizado ao sul de Speighstown, com profundidade
entre 16 e 30m. Há gorgônias vermelhas (sea fan), coral negro e uma
composição de fundo variada.
Dottins
É parte do parque marinho subaquático Folkestone. Este é um recife muito
popular. É um mergulho raso, entre 12 e 21m, ideal para um segundo mergulho.
Por exemplo, após o Stav e para mergulhos de iniciantes. É um mergulho
fantástico, com belos corais, peixes e se tiver sorte, também podem ser
avistadas barracudas e tartarugas, moréias, peixes cofre e muito mais !
Comunidade de mergulho em Barbados
Existe um clube de mergulho, a Barbados
Diving Association (BADA’ss) cujos membros são locais, expatriados e
membros temporários. Há saídas geralmente todos os domingos de manhã,
organizada por um dos membros que é responsável pelo "liming" (a
confraternização) depois do mergulho. Eventualmente são organizados mergulhos
noturnos, passeios de barco, viagens de mergulho e atividades sociais.
A associação participa de várias iniciativas de preservação do meio
ambiente, reef check, entre outras iniciativas e também é um dos membros do Barbados
Marine Trust, "uma organização não governamental dedicada a
promoção no uso social e ambiental sustentável das áreas marinhas de
Barbados. Os seus membros incluem pessoas de muitos diferentes grupos de
usuários: pescadores, operadores de mergulho, hoteleiros, operadores de
desportos aquáticos, empresários, alunos e a comunidade em geral".
Há uma única loja de equipamentos de mergulho, a Hazel Water World e
pode-se adquirir produtos duty free, com o passaporte e a informação de vôo
de volta, com preços interessantes.
Como dá pra ter uma pequena idéia, há muitas opções de atividades,
dentro e fora d’água, aproveitem!
Mais informações sobre Barbados:
Relação de operadoras na
ilha
Embaixada do Brasil:
The Courtyard, Hastings, Christ Church, Barbados - BB 15156
Tel: (1 246) 427-1735, (1 246) 435-2113 / Fax: (1 246) 427-1744
E-mail: brasemb@caribsurf.com
Como chegar:
- A partir de 26/06/2010, a Gol Linhas Aéreas terá um vôo semanal direto de
Guarulhos, São Paulo, sendo a melhor opção.
- Via Miami com a American Airlines ou com a Copa Airlines via Panamá até
Trinidad e Tobago, fazendo conexão com a Liat ou Caribbean Airlines até
Barbados.
Referências
- AGACE, Lucy. Barbados Dive Guide. Barbados: Miller, 2005.
- AMARANTE, Ary. Guia de Identificação e fotografia de Peixes Marinhos:
Brasil e Caribe. Rio de Janeiro: Pomacanthus, 2009.
- HUMANN, Paul; DELOACH, Ned. Reef Creatures in a pocket: Florida, Caribbean
and Bahamas. New World Publications.
- HUMANN, Paul; DELOACH, Ned. Reef Fish in a pocket: Florida, Caribbean and
Bahamas. New World Publications.
- MICHAEL, Hans G. Geology of Barbados: a brief account of the island’s
origin and it´s major geological features. Barbados: Museum and Historical
Society.
- SPALDING, Mark D. A Guide to the Coral Reef´s of the Caribbean. Berkeley:
University of California Press, 2004.
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Fotos: Barbados Tourism Authority



















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