|
Pontos de Mergulho no Estado de Minas Gerais
Serra do Cipó
Distante de Belo Horizonte-MG aproximadamente 100 km, a
Serra do Cipó é conhecida mundialmente por sua beleza impar e suas
diversas cachoeiras. Transformada em parque ecológico e área de
preservação ambiental esta belíssima região atrai turistas de várias
partes do Brasil e do mundo. Atualmente conta com uma excelente
infra-estrutura de apoio ao turismo como restaurantes, campings e diversas
pousadas que atendem até os clientes mais exigentes.
As cachoeiras são as principais atrações da Serra do
Cipó e várias delas possuem um lago que possibilitam aos seus visitantes
um mergulho refrescante. Alguns desses lagos são propícios à prática do
mergulho autônomo.
Há alguns anos atrás estive por lá procurando locais
que possibilitassem a prática do nosso esporte
A primeira cachoeira visitada foi a da Pousada Monjolos,
vista nas fotos que ilustram esta matéria. O acesso até a cachoeira se faz
através da pousada e só é permitido com autorização. Neste caso, o
melhor é se hospedar por lá mesmo e depois do mergulho, aproveitar as
dependências da pousada que são excelentes.
Das várias cachoeiras visitadas, a que mais facilita o
acesso é a Monjolos. Ao chegar perto do lago, o aspecto "Coca
Cola" da água desanima um pouco mas devemos nos lembrar que aquele é
um ecossistema diferente do mar e que tem suas características próprias.
Antes de efetuar a entrada na água, observe se há pedras que possam
feri-los. Entre devagar !
Ao iniciarmos o mergulho, descobrimos que apesar do
aspecto não convidativo da água, existe uma visibilidade boa, na faixa dos
seis a sete metros. A entrada de luz é restrita então a impressão que
fica é que os oito a nove metros de profundidade que encontramos parecem
ser trinta ! É um pouco escuro mas o visual no fundo é fantástico !
Muitas pedras e cascalhos fazem do fundo uma área muito
interessante e ainda há a presença de peixes como piaus e cascudos, alguns
deles atingindo cerca de dois kilos. A temperatura da água gira em torno de
18º C, e a utilização de uma lanterna ajuda para aumentar a visibilidade.
Outra cachoeira visitada foi a da "Usina", que
forma diversos poços. Antes de carregarmos os equipamentos, é necessário
sondar a área, procurando pelo melhor poço para o mergulho. Nossa escolha
foi pelo maior deles, com bastante água e uma pequena queda dágua. A
"Usina" é aberta ao público e não é necessário pedir
autorização. A parte ruim deste lago é o acesso, pois é preciso carregar
o equipamento por entre as pedras e é necessário muito cuidado neste
transporte. Novamente tomamos o cuidado de sondar nosso ponto de entrada no
lago antes de dar o "Passo de gigante".
Mais uma vez iniciamos o mergulho na Serra do Cipó, a
cara de "Coca Cola" da água já não nos assustava mais e com
razão: a visibilidade era boa e o fundo muito interessante. Neste poço,
existe uma pequena queda dágua e com muita cautela, nos aproximamos dela a
cerca de cinco metros de profundidade. Sem dúvida, esta pequena queda vista
debaixo dágua é um belo espetáculo.
Após alguns minutos por ali,
continuamos nosso mergulho e nos deparamos com um grande cardume de piaus
nadando pelo lago. O fundo destas cachoeiras são bem parecidos, mas neste
lago, meu sangue de mergulhador em naufrágio bateu mais rápido: Uma
tubulação esquecida por lá , nos fez lembrar dos nossos mergulhos em
naufrágios.
O mergulho na Serra do Cipó é um mergulho em altitude e
a utilização de um computador que já compense a profundidade
automaticamente é obrigatória. A água doce é menos densa que a água do
mar. Ajuste seu lastro antes de mergulhar. Geralmente, 30 % a menos de
lastro é o bastante. Ao escolher um poço, evite os que tenham muito
movimento de água. Procure os que realmente pareçam ser calmos, com a
água praticamente parada. Um outro aspecto importante é checar se a água
do local é limpa, se não apresenta nenhum perigo ao mergulhador.
Importante: A época ideal de mergulho na Serra do Cipó
é no Inverno quando chove menos. A chuva provoca um aumento de sedimentos
muito grande diminuindo a visibilidade dos lagos.
Ao final do mergulho, procure um dos vários restaurantes
de comida mineira que tem por lá. A comida é excelente e completará seu
dia de mergulho.
Textos e fotos: Rodrigo
Coluccini
|